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domingo, 23 de março de 2008

Ovos, filhotes e a reprodução dos dinossauros

E aí companheiros dinomaníacos, o título da postagem já indica o que pretendo explicar. A ideia surgiu em uma conversa virtual com um amigo que também curte paleontologia. O tema foi escolhido pensando na data, próxima da Páscoa, e não podia ser outro senão ovos! Resolvi lhes contar o que sei e o que li por aí sobre os ovos dos dinossauros, que são animais fascinantes e um pouco das especulações sobre seu comportamento reprodutivo. Ficou curioso? Então clique abaixo para ler o resto da postagem e aprenda muito sobre a reprodução destes magníficos animais.

Um pouco da história dos ovos
Por muito tempo, os estudiosos só imaginavam como seria a reprodução dos "grandes répteis", mas nunca se chegou a um consenso, cada um tinha uma ideia. Alguns pensavam que procriavam como a maioria dos mamíferos, vivíparos, ou seja, o filhote nascia do útero da mãe. Já outros acreditavam, que como outros répteis atuais seriam ovíparos. As primeiras cascas de ovos de dinossauro foram encontradas na França em 1869, mas nada conclusivo e que provasse que os dinossauros eram ovíparos.

A prova concreta, ou melhor, a prova fóssil de que os dinos eram ovíparos, só veio em 1923, quando Roy Chapman Andrews chefiava uma expedição ao Deserto de Gobi - Mongólia, onde encontraram novos dinossauros, inclusive o ceratopsiano Protoceratops, de 2 metros de comprimento, o famoso Velociraptor e o popular Oviraptor, tido como um ladrão de ovos. Roy C. Andrews encontrou vários ovos em um ninho fossilizado, e estudando este ninho deduziu que os ovos eram dos Protoceratops.
Supostos ovos de Protoceratops
© Colin Keates/Dorling Kindersley
A partir disto, vários paleontologistas iniciaram uma busca por ovos de dinossauros ao redor do mundo, alguns conseguiram bons achados, sendo que a maioria deles ocorreu na Ásia, mais precisamente na China e Mongólia. Outras descobertas importantes ocorreram na Europa, América do Sul e América do Norte. Estas descobertas são tão importantes, que os Chineses por exemplo, consideram os ovos como tesouros nacionais e impedem que pesquisadores ou colecionadores retirem os fósseis do país.
Um paleontologista teve sucesso em achados no Canadá - América do Norte, seu nome é Philip J. Currie, e ele fez um artigo para a edição de Maio de 1996, da revista National Geographic sobre ovos de dinossauros, pois suas pesquisas renderam bons frutos. Ele é curador da área de dinossauros do Museu de Paleontologia Royal Tyrrell em Drumheller - Alberta e encontrou vários ovos e ninhos em sítios de escavação bem próximos do museu. Em uma das suas buscas por ovos, ele teve sorte de encontrar os fósseis com pequenos embriões de hadrossaurídeos dentro deles.
Currie e alguns colegas também foram à província de Hubei na China, local onde há tantos fósseis de ovos, que Currie não acreditava que eram ovos, pensou que eram pedras, não havia possibilidade de existir tantos em um único local. Ele estava enganado, eram ovos sim, então os moradores locais guiaram-nos pelos vários ninhos que ali existem, até chegarem às ruas do vilarejo, onde ovos eram usados como pedras para construção. Havia ovos aparecendo nos barrancos erodidos, bem visíveis, mas infelizmente para os pesquisadores, o governo Chinês proíbe a retirada dos fósseis do país, só deixando que visitem determinados sítios fossilíferos para estudo.
Assim como fez Currie, outros paleontologistas encontraram ovos de animais pré-históricos através dos anos, o que rendeu muito material para estudar o comportamento dos animais.

Como se tem certeza que os dinossauros botavam ovos?
Poucos ovos de dinossauros contém ossos em seu interior, e poucos são encontrados, então se compararmos os achados de ovos ao número de dinossauros já catalogados, veremos que existem poucos ovos para muitos dinossauros, o que pode indicar que nem todos botassem ovos. No entanto, é mais provável que não encontremos tantos ovos porque são frágeis e alvo direto de predadores esfomeados. Vários dinossauros eram ladrões de ovos, entre os mais famosos estão o Velociraptor, Troodon, entre outros. Predadores pequenos provavelmente comiam ovos, pois estes não oferecem resistência a um ataque e são extremamente nutritivos. Na imagem abaixo, o artista Luis Rey retrata um destes ataques à ovos, ironicamente a vítima é um Oviraptor, ou seja, recebeu o troco de um pequeno crocodilomorfo.
Ladrão roubando ladrão
Mas se existem poucos ovos e menos ainda ovos com embriões, como se sabe que os dinossauros realmente botavam ovos?
As principais características que indicam que os dinossauros botavam ovos são encontradas em diversos fósseis, sendo eles os próprios ovos, ninhos ou indícios deste comportamento nos dinossauros. Estes animais, principalmente os Terópodes, são parentes próximos dos répteis, mas ainda mais próximos das aves. As aves atuais botam ovos, os répteis também, portanto, se estes animais tem um parentesco forte, deveriam ser semelhantes também na reprodução, ou seja, devem ter se reproduzido sexuadamente, através da fecundação interna pelo ato sexual ou acasalamento, fecundação de um óvulo, que se tornará ovo, assim como fazem os já citados animais atuais.
Um recente pesquisa com fósseis de dinossauros, em busca de tecido mole nos fósseis, resultou no achado de osso medular no fêmur de um Tyrannosaurus rex. O Osso Medular é um osso que serve de reservatório extra de cálcio, que é a substância que forma ossos, dentes e cascas de ovo. As aves tem este osso porque precisam armazenar cálcio extra para que os ovos tenham casca resistente, o que nos leva a crer que pelo menos com o T.rex acontecia o mesmo. Se este "dino" botava ovos, vários outros devem ter usado a mesma técnica de reprodução.
E como dito anteriormente, ovos fossilizados com embriões são a prova conclusiva de que pelo menos alguns dinossauros eram ovíparos.

Como os dinossauros botavam os ovos ?
Várias questões sobre os ovos foram respondidas anteriormente, mas a principal delas seria como os dinossauros botavam sem que os ovos quebrassem. Imaginem um animal que tem a abertura por onde saem os ovos, chamada cloaca, localizada a pelo menos 2 metros de altura acima do solo. Uma queda destas poderia estraçalhar um ovo.
Os animais pequenos, provavelmente tinham facilidade para botar os ovos e até chocá-los, mas e os Saurópodes gigantescos como o Brachiosaurus?
Existem duas hipóteses que poderiam responder a esta questão e ambas estão relacionadas abaixo:
  • 1° Hipóstese: Os dinossauros se abaixavam até aproximar a cloaca do solo e assim os ovos caíam de uma altura menor e não quebravam e nem sofriam danos com o impacto.
Saurópode desconhecido botando ovos agachado
© Nathan HalleSaltasaurus agachando-se para botar ovos
© Discovery Channel
  • 2º Hipótese: Os dinossauros possuíam uma espécie de "tubo" de pele que se estendia para fora da cloaca como uma "tromba", até encostar no chão ou fica bem próximo dele, então usava a "tromba" para deslizar os ovos por dentro até o chão, como fazem as tartarugas marinhas. Esta teoria foi usada em alguns documentários, como em "Walking with Dinosaurs" e "Dino Planet". Veja abaixo fotos das cenas onde isto é representado.
Tubo de pele por onde um Diplodocus põe o ovo
Cena de um Diplodocus em Walking with Dinosaurs
© BBCTubo cloacal de um Saltasaurus em Dino Planet - O Ovo de Alpha
© Discovery Channel

No entanto, ainda não há como provar o método usado pelos grandes dinossauros para por seus ovos. Por isto, alguns retratam os dinossauros, até mesmo os grandes Saurópodes, botando ovos normalmente, fazendo-os cair de uma altura bem elevada, como no exemplo abaixo, do documentário "Walking with Dinosaurs Special: Land of Giants and Giant Claw" (Caminhando com os Dinossauros Especial: Terra de Gigantes e O Garra Gigante).
Nesta cena do episódio Terra de Gigantes, o Argentinosaurus, um dos maiores Saurópodes, bota um ovo que cai direto da cloaca, que se situa a mais de dois metros do chão.
Argentinosaurus botando ovos
© BBC

Como eram os ovos dos dinossauros?
Uma pergunta que muitas pessoas fazem é qual o tamanho dos ovos dos dinossauros, então devemos saber que não eram tão grandes assim, como muitos julgam, só porque alguns dinossauros eram grandes. Os dinossauros pequenos, como Velociraptor, Protoceratops, Dryosaurus deveriam botar ovos pequenos, não maiores do que 10 a 15 centímetros, enquanto os Saurópodes devem ter posto ovos maiores, cerca de 20 centímetros ou pouco maior. O recorde de tamanho de um ovo é de um saurópode, sendo que o ovo que media entre 30 e 50 centímetros foi encontrado na França.
Os ovos de dinossauros não eram grandes demais, nem poderiam ser, pois isto tornaria o ovo inútil, porque acabaria por matar o embrião. Isto é baseado em ovos de animais atuais, pois se o ovo é grande e tem a casca fina demais, ela pode rachar com o peso do próprio ovo, se tem casca grossa, não seria fácil de quebrar e o filhote não conseguiria quebrá-la para sair, morrendo no ovo. A média de espessura de cascas de dinossauros é de 0,1 a 5 milímetros, cascas aparentemente finas, porém resistentes e que são repletas de micro poros, que servem para que o embrião respire por trocas de gases com o meio externo, além de impedir que o interior do ovo seja contaminado com bactérias e parasitas. Outra função da casca é evitar a desidratação do embrião e do material interno do ovo.
As cascas dos ovos de dinossauros podem ter sido coloridas, com pigmentos que colaboravam para que a temperatura do ovo ficasse no ponto ideal para o bom desenvolvimento do "bebê".
Como os ovos e embriões são estudados?
Existem vários métodos de se estudar ovos, sendo só por observações e descrições ou com métodos mais sofisticados para determinar sua estrutura interna, caso o ovo não esteja quebrado. Muitos ovos escondem em seu interior embriões dos filhotes, com os ossos preservados. Isso ocorre quando os ovos são soterrados por lama antes de eclodirem ou quando os embriões morrem antes de nascer e o ovo acaba quebrado ou coberto por terra. Quando o ovo quebra e o material do substrato invade o ovo, forma uma cobertura em volta do embrião, protegendo-o muito bem.
Para se descobrir se há um embrião dentro do ovo, existem alguns métodos, mas citarei só os principais. Um deles, o mais rústico, diga-se desta forma, consiste basicamente em quebrar o ovo para ver se há algo dentro. Isto não é muito bom porque pode danificar os ossos do interior do ovo, se houver algum é claro, pois o ovo fóssil não é oco, mas sim uma "bola" de pedra. Outro método é a tomografia computadorizada, que é uma espécie de "raio X" no ovo, observando se existe algo dentro. O problema neste método é que pode-se deixar passar a existência de um ou outro osso, pois nem sempre são captados pelo exame.
O outro método muito utilizado foi criado pelo paleontologista inglês Terry Manning, que é o banho em produtos químicos, geralmente ácidos, que vão desgastando levemente a superfície do ovo até que os ossos que possivelmente estão preservados, fiquem à mostra, como muitas vezes ocorre na natureza em barrancos e rochas desgastadas. O "contra" deste procedimento é que nem sempre existem ossos nos ovos, por isso os ovos mergulhados em ácido ficam danificados, desgastados, diminuindo suas características e detalhes originais que permitiriam um estudo mais detalhado.
Certas vezes alguns ossos surgem no ovo e são preparados para armazenagem. Alguns pesquisadores cobrem os ossos com plástico líquido transparente que depois seca e os protege, mas todos estes procedimentos são muito demorados e delicados, exigindo muita paciência e técnica precisa do pesquisador.
Outros estudos são feitos com microscópios para estudar a estrutura das cascas de diversos ovos, pois existem diferentes tipos de casca. Os paleontologistas tentam associar certos tipos de cascas a determinadas espécies de dinossauros. Se estudos deste tipo surtirem efeito com sucesso, ao descobrir um ovo sem embrião e sem indícios de quem o botou, poderiam supor que dinossauro é o "pai" do ovo analisando a casca.
Quase sempre na paleontologia, um animal é estudado e depois de se definir como era, ou se já é conhecido, o próprio paleontologista faz um desenho do animal, ou contrata um artista que o faça, indicando como deveria ter sido o animal. Com os ovos isto também é feito, no caso de tentar reconstruir o ninho montado ou para mostrar como se imagina que o embrião ficava dentro dele.
Desenho de ovo de Troodon mostra o como o embrião se parecia
© Dorling Kindersley
Depois de um desenho pronto e bem acabado, o animal pode ser modelado em 3D, virtualmente, ou seja, usando softwares de modelagem para recriar o animal no computador.
Ovo de Saltasaurus eclodindo feito digitalmente
© Discovery Channel
Existe também o método mais tradicional, a escultura. Na escultura o modelo pode ser de metal, borracha, cerâmica, argilas entre outros materiais. Baseando-se em ilustrações e fotos do fóssil original, o artista confecciona uma escultura, que pode ser em tamanho real, reduzido ou aumentado.
Escultura de ovo com embrião de Saltasaurus de Auca Mahuevo
© Discovery Channel

Como os pesquisadores sabem de qual dinossauro eram os ovos encontrados ?
Descobrir quais ovos pertencem a qual espécie é uma tarefa difícil, pois exige muito estudo. Nem sempre os ovos preservam os embriões e mesmo que preservem, alguns filhotes são diferentes dos animais adultos. Por exemplo, um Triceratops não nasceria com 3 chifres plenamente desenvolvidos. Estas diferenças tornam o reconhecimento difícil e às vezes levam os paleontologistas a errar em uma análise, como já ocorreu com ovos de Troodon, confundidos com ovos de Orodromeus.
Mesmo que um ovo não possa ser identificado, ou melhor, que não se possa determinar qual a espécie que o botou, não deixa de ser uma importante descoberta, pois revela muito sobre o comportamento do animal. Descobriu-se que alguns dinossauros organizavam ovos em ninhos, outros os botavam em qualquer lugar desorganizadamente, enquanto alguns botavam ovos sempre em um mesmo local, migrando anualmente para fazer a postura em um lugar que serve de "maternidade". Um aglomerado de ninhos com distância suficiente entre eles para que os adultos possam caminhar, formando um local de nidificação, que é vantajoso porque enquanto algumas fêmeas vigiam os ninhos, outras podem comer e descansar, revezando-se desta forma.
Um caso famoso de migração e nidificação é o da "Montanha de Ovos", um local em Montana - Estados Unidos, onde o paleontólogo Jack Horner encontrou diversos ninhos bem próximos uns dos outros na década de 1970, além de fósseis de adultos, ovos e embriões, pertencentes à Maiasaura.
A "Montanha dos Ovos" no Cretáceo
© John Sibbick
Outro achado interessante que demonstra este comportamento ocorreu na Argentina, em um local onde muitos saurópodes faziam ninhos todos os anos, apelidado de Auca Mahuevo. Este nome é uma brincadeira com a expressão "mais ovos" em espanhol, nome apropriado se levarmos em conta que existem tantos ovos fósseis naquele lugar que ao caminhar lá deve-se cuidar para não pisoteá-los. Eles foram postos por Saurópodes da família dos Titanossaurídeos, por isso acredita-se que seriam da espécie Saltasaurus, como mostrou o Discovery Channnel, no episódio do documentário "Dino Planet". Neste episódio, chamado "Alpha's Egg" (O Ovo de Alpha), acompanhamos uma fêmea de Saltasaurus desde seu nascimento em Auca Mahuevo, até sua vida adulta e depois na sua migração até o berçário onde nasceu para colocar seus ovos em um ninho.
Saltasaurus em Auca Mahuevo no episódio O Ovo de Alpha
© Discovery Channel
Esta descoberta está entre as mais importantes da paleontologia atual, lembrada por muitos pesquisadores do mundo todo. Diversas vezes paleontólogos e paleoartistas retratam a paisagem de Auca Mahuevo, tanto em pinturas, desenhos ou esculturas.
Pintura retratando Auca Mahuevo
© Luis Rey
Os ovos de Auca Mahuevo são de Saurópodes titanossaurídeos, como foi determinado pela análise de ossos, dentes e até impressões de pele dos embriões. No entanto, saber o animal exato que pôs estes ovos é quase impossível, o que só pode ser feito na base da dedução. Os pesquisadores tinham certeza de que eram filhotes de titanossaurídeos, sabiam que os ovos tinham cerca de 12 centímetros de diâmetro, então o animal que pôs os ovos deve ter sido um titanossaurídeo de porte médio que viveu naquele lugar e na mesma época em que os ovos foram postos. No caso do sítio da Argentina, o Saltasaurus encaixa-se perfeitamente neste padrão.
Já foram encontrados ninhos com ovos e o esqueleto do animal sobre os ovos, facilitando na diagnosticação da espécie, principalmente dos embriões. Mas nem sempre achados assim ocorrem, pois é improvável que todos os dinossauros fizessem isto porque alguns eram enormes e pesados demais, quebrariam os ovos se deitassem sobre os mesmos. O próprio Oviraptor, conhecido por roubar ovos, pode ter ganhado esta fama injustamente! Seu esqueleto foi encontrado sobre um ninho, fazendo com que os descobridores o nomeassem com este título de ladrão de ovos, porém, anos depois outros pesquisadores encontraram novos fósseis e notaram que os ovos eram do próprio Oviraptor, ou seja, ele os estava chocando ou protegendo.
Fóssil de Oviraptor sobre o Ninho
© Mick Ellison
Oviraptor protegendo e chocando seus ovos
© Julius C. Csotony
Para saber de qual animal era o ovo, o pesquisador leva em conta o tamanho do ovo, pois um terópode como o Compsognathus não botaria um ovo de 40 centímetros e um saurópode gigantesco como o Mamenchisaurus não faria uma postura com ovos de 5 centímetros. O tamanho do ovo deve condizer com o tamanho do animal. Se há o embrião dentro do ovo, facilita muito pois elimina diversos animais. Se o embrião é de carnívoro, os herbívoros são descartados e vice - versa.
O local da descoberta e período são fundamentais para determinar a espécie de um ovo. Pegando novamente o exemplo da Mongólia, o Deserto de Gobi no Cretáceo tinha uma fauna diversificada, mas jamais foram encontrados fósseis do Brachiosaurus, Allosaurus e tantos outros animais que só viveram em outros continentes, portanto qualquer ovo encontrado na Mongólia não pode pertencer a um animal de outro continente ou outro período. Estas eliminações restringem muito as escolhas e facilitam um diagnóstico, mas nem sempre o animal exato é definido, o mais comum é definir um gênero, como no caso dos therizinossaurídeos, animais do grupo dos, mas eram herbívoros com garras enormes nas mãos e um pescoço mais longo do que o dos demais Terópodes.
Dois tipos de ovos diferentes foram encontrados, ambos com embriões e os dois são de therizinossaurídeos. O que os difere tanto é a forma, pois um é circular e outro é alongado. O ovo alongado se tornou famoso, foi apelidado de "Baby Louie", porque um modelo do ovo com o embrião à mostra foi feito pelo artista Brian Cooley para uma matéria da revista National Geographic sobre ovos de dinossauros e para ilustrar a matéria o fotógrafo Louie Psihoyos foi convocado para fazer as fotos. Do seu nome surgiu o apelido para o animalzinho do ovo, que ficou tão famoso que inspirou um brinquedo, produzido pela empresa Safari Ltd., ou seja, você pode ter seu próprio modelo do Baby Louie. Confira abaixo a comparação dos dois ovos de therizinossaurídeos.
Baby Louie à esquerda - Therizinossaurídeo sem nome à direita
© Brian Cooley

Outro modo de ligar um embrião a um adulto é estudando a morfologia dos ossos, a estrutura do esqueleto e a aparência dele comparada aos animais adultos daquele local.

Como eram os ninhos dos Dinossauros ?
Diversos tipos de ninhos indicam comportamentos diferentes. Por exemplo, ninhos circulares, altos, feitos em um buraco raso no chão, circulado por um "muro" de terra se assemelham aos ninhos de aves, como visto na imagem abaixo, ou seja, os animais deveriam se parecer mais com aves no comportamento reprodutivo. Um exemplo é o Troodon, que teve ovos e ninhos encontrados e os ninhos eram do tipo descrito acima.
Troodon cuidando dos filhotes
© Bill Parsons
Já outros faziam somente um monte de detritos sobre os ovos para aquecê-los. Provavelmente as espécies grandes deixavam os ovos nos ninhos cobertos com terra ou vegetação, que serviria de estufa. No caso de terra, o sol aqueceria-a e esta passaria o calor aos ovos, como as tartarugas fazem atualmente. Se usassem plantas, estas acabariam apodrecendo sobre o ninho e formando uma camada de detritos, que gerariam calor aquecendo os ovos.
Ovos de Saltasaurus no ninho coberto com galhos ainda verdes
© Discovery Channel
Alguns pesquisadores imaginam que certos animais, tinham hábitos semelhantes aos de alguns répteis, que usam o pescoço ou o tórax para aquecer os ovos. No documentário Caminhando com os Dinossauros, da BBC, o T.rex adota um comportamento típico dos crocodilos atuais. A fêmea bota os ovos e faz em torno deles uma espécie de estufa de terra com galhos que mantém os ovos aquecidos.
Ninho de um Tyrannosaurus rex baseado no de crocodilos
© BBC
Alguns cientistas acreditam que certos dinossauros enterravam os ovos no chão, como as tartarugas e quando os ovos chocavam os filhotes saíam da terra, cavando o solo. Os ovos ficariam a uma profundidade pequena e geralmente em meio à florestas, o que impedia que grandes animais pisassem e destruíssem os ovos. Este tipo de reprodução foi mostrado em Caminhando com os Dinossauros, no episódio Tempo de Titans, onde uma fêmea de Diplodocus põe os ovos em buracos na floresta. Ao nascer, os filhotes cavavam e saíam, do solo parecendo que "brotavam" do nada.
Filhote de Diplodocus saindo do solo
© BBC

Alguns pesquisadores tentam imaginar como certos dinossauros faziam ninhos, como no caso do Protoceratops, que é imaginado botando ovos de 20 centímetros de comprimento e em ninhos, que consistem em buracos cavados na areia, em forma de um círculo de 1 metro de diâmetro. Pode ser que os ovos fossem organizados em pé com a parte mais larga pra baixo para facilitar o nascimento dos bebês, mas não se tem provas disso. Os ovos eram cobertos com areia ou vegetação.
Já o pequeno herbívoro Orodromeus, mantinha seus ovos de 10 a 12 centímetros de comprimento, arrumados em espirais cobertos com plantas e areia. No entanto, alguns ninhos encontrados no mesmo local, que primeiramente foram atribuídos ao Orodromeus, na verdade eram do Troodon, então este comportamento de organizar ovos em espiral pode ter sido deste pequeno terópode.
Até a descoberta de novos ninhos com ovos, ou até o estudo mais completo de achados já realizados, não podemos saber exatamente como os dinossauros arrumavam seus ninhos, mas uma coisa é certa, cada um tinha seu jeito próprio de fazer isto.
Como eram os filhotes de Dinossauros?
Os filhotes de dinossauros devem ter sido parecido com os adultos, com algumas diferenças principalmente no desenvolvimento de adornos. Chifres, garras, cristas, placas, colares ósseos, couraças entre outras características devem ter sido um pouco diferente da dos adultos. Provavelmente os anquilossaurídeos nasciam com a couraça mais frágil e esta se enrijecia por completo durante o crescimento. Ceratopsianos deve ter tido chifres pequenos, no máximo calombos, com colares menos proeminentes e que também cresciam à medida que o animal envelhecia. Cristas como a dos hadrossaurídeos eram pequenas nos filhotes, que se fossem machos desenvolveriam crista grande, se fossem fêmeas, cristas menores ou ficariam sem cristas, sendo que o mesmo deve ter ocorrido com carnívoros como o Dilophosaurus e Cryolophosaurus.
Os Saurópodes não devem ter sido muito diferentes dos adultos, só tinham a diferença de tamanho. Os Terópodes devem ter sido bem diferentes dos adultos em termos de morfologia, pois dizem alguns especialistas, provavelmente os pequeninos recém nascidos tinham penas ou proto penas para manter o corpo aquecido. Os pequenos predadores permaneciam com penas durante a vida adulta, principalmente os maniraptores. Os grandes Terópodes, como tiranossaurídeos e carcarodontossaurídeos devem ter perdido tais estruturas quando envelheciam.
Filhote de T.rex com proto penas
© Kyoht Luterman

Os dinossauros adultos cuidavam dos filhotes?
Acredita-se que alguns dinossauros nasciam dos ovos e já saiam caminhando, partindo para a vida por sua própria conta. Outros no entanto eram frágeis e desajeitados demais para sobreviver sozinhos e eram acompanhados por adultos até certa idade. No caso dos terópodes, provavelmente os pais cuidavam dos filhotes até certa idade, porque no futuro seriam predadores, o que os torna alvo de ataques. Os demais predadores sabem que quanto mais filhotes matarem ainda novos, menos adultos desta espécie irão competir por comida e território com eles no futuro. Além do mais, provavelmente eram as fêmeas que cuidavam dos filhotes, pois os machos poderiam atacá-los, principalmente os filhotes machos, porque "pai" dinossauro preferia que filhotes fossem fêmeas para que depois possam acasalar com ele.
T.rex alimentando filhotes no ninho
© Kim JinsukFêmea T.rex traz comida para sua prole
Cena de Caminhando com os Dinossauros
© BBC
Mesmo depois de algum tempo, os carnívoros viviam com a mãe, pois precisavam aprender a caçar, o que realizaram observando como o adulto faz.
T.rex e filhote juvenil
© Todd Marshall
Casal de Aucasaurus ensinando os filhotes a caçar
© Discovery Channel
Os herbívoros devem ter mantido os filhotes sempre junto do bando, para que adultos pudessem protegê-los. No documentário "When Dinosaur Roamed America", (Quando os Dinossauros Reinavam na Terra), do canal Discovery Channel, o famoso Triceratops é mostrado em bandos, e, quando um jovem T.rex surge para atacar, os adultos fazem uma barreira na frente dos filhotes e os protegem.
Paleontologistas descobriram que o Maiasaura era um dinossauro dedicado na tarefa de cuidar dos filhotes, eles botavam os ovos em ninhos e depois que os filhotes nasciam os pais alimentavam os mesmos por algum tempo no ninho ainda. A evidência que comprova isto está nos ninhos, são cascas de ovos moídas em pedaços muito pequenos. Ovos quebrados por predadores ou por algum fenômeno natural não ficam em fragmentos tão pequenos como os dos ninhos deste dinossauro bico de pato. Isto indica que os filhotes permaneciam no ninho pisoteando as cascas dos ovos enquanto esperam por comida. Tanto que esqueletos de filhotes foram encontrados nos ninhos, provavelmente mortos por fome porque os pais morreram, talvez atacados por um predador.
Cientistas notaram nos fósseis de filhotes que a aparência deles é diferente dos adultos. Os olhos eram maiores, focinhos curtos, cristas ou qualquer outro adorno eram pequeninos, o que deve ter deixado - os com uma aparência "fofinha", assim conseguindo que os pais sentissem que eram dependentes e cuidassem deles.
No episódio "Alpha's Egg" (O Ovo de Alpha) de "Dino Planet", os Saltasaurus filhotes nascem em grande quantidade, todos eles saem dos ovos no mesmo dia e esperam a noite chegar para correr da planície para a floresta, onde predadores teriam mais dificuldade de capturá-los. Se eles nascem juntos em grande número, haverá mais filhotes do que os predadores podem comer e isto garante a sobrevivência da espécie. Uma vez na floresta, os pequenos juntam-se aos adultos e seguem viagem sendo protegidos por eles. Diversas espécies de dinossauros devem ter agido desta forma, um método bem interessante de garantir a continuidade de sua espécie.

Os dinossauros tinham rituais de acasalamento ?
Por certo que os dinossauros acasalavam, mas se tinham rituais para isto nunca encontrou-se provas de tal hábito. Paleontólogos dizem que algumas espécies podem ter apresentado dimorfismo sexual, ou seja, diferenças entre macho e fêmea. O Parasaurolophus é um bom exemplo, pois foram encontrados vários fósseis dele, alguns com cristas grandes, outros com cristas pequenas, o que fez com que se imaginasse que os com crista maior eram machos, que usavam aquele adorno para exibição, o que atrairia as fêmeas, além de servir para produzir sons altos.
Parasaurolophus walkeri - Dimorfismo Sexual
© Sergio Pérez

Os dinossauros de chifre e gola óssea também podem ter apresentado o dimorfismo sexual com cores e no tamanho da gola ou chifres. Eles podem ter mudado as cores dos escudos na época de acasalamento, para que atraíssem as fêmeas. O mesmo pode ter ocorrido em vários herbívoros, como nos hadrossaurídeos e suas cristas e nas placas dos estegossaurídeos.
Acredita-se que certos dinossauros lutavam por território e pela liderança do bando, então consequentemente, tinham privilégio na hora de acasalar. Uma cena que muitos pesquisadores e entusiastas de dinossauros imaginam é uma luta entre ceratopsídeos, trançando os chifres e empurrando o adversário até que este desista e se retire. Já a luta de marradas entre paquicefalossaurídeos não deve ter ocorrido. Pelo menos é o que pensam alguns pesquisadores, dizendo que o animal podia até quebrar o pescoço se batesse com muita força contra a cabeça do adversário. O mais provável é que eles dessem cabeçadas no dorso do adversário, pois teria o mesmo efeito, comparar forças, mas não seria tão arriscado.
Quanto aos dinossauros herbívoros de pescoço longo e aos estegossaurídeos, não existem indícios que possam indicar um comportamento típico de ritual de acasalamento. Estes animais podem ter lutado com empurrões ou coisas do tipo, mas não se sabe exatamente qual era seu comportamento na época de acasalamento.
Carnívoros devem ter atraído as fêmeas gritando, no caso o macho demonstraria interesse com chamados vocais e talvez mostrasse submissão à fêmea. Este comportamento foi usado no episódio O Ovo de Alpha, do documentário "Dino Planet", onde um Aucasaurus jovem procura uma parceira chamando por ela, então quando encontra ele mostra-se submisso e consegue formar um casal.
Em outro documentário citado aqui, Caminhando com os Dinossauros, o T.rex faz algo semelhante, chama a fêmea com gritos altos e quando uma aparece em resposta, ele oferece uma presa como "presente", um Triceratops recém morto. Depois que a fêmea aceita a oferta, o macho tem permissão de investir para copular.
T.rex Copulando
© Raúl Martín

Os demais dinossauros devem ter usado diversos artifícios para conseguir parceiros, como já mencionado antes, talvez apresentassem cores em partes do corpo, ou exibissem cristas ou outros adornos. Lutas para demonstrar mais força, presentes ou submissão, o que importa é que conseguiam chegar ao objetivo principal, perpetuar a espécie.

Conclusão
Os ovos de dinossauros eram e ainda são misteriosos pois pouco se sabe deles. Sabe-se que eram pequenos a médios (até 50 cm) e quase sempre eram arrumados em ninhos. Sobre outros animais pré-históricos falarei outro dia em outra postagem, mas é provável que alguns répteis marinhos, como os Plesiossauros, talvez saiam do mar e botavam nas praias enquanto os Pterossauros tinham o hábito de fazer ninhos em montanhas. Já os Ictiossauros, répteis marinhos assemelhados com golfinhos, eram vivíparos ou talvez ovovivíparos e tinham o filhote dando a luz na água mesmo.
O que fascina o ser humano no estudo dos animais pré-históricos deve ser o fato de que o homem nem sempre "governou" o mundo e estudando tais épocas e seus seres vivos aprendemos sobre um ambiente natural, sem alteração artificial, como ocorre atualmente com as interferências do homem na natureza.
Aprender sobre a reprodução destes animais é ainda mais fascinante, porque adentramos na essência de suas vidas, pois o objetivo principal de qualquer animal, talvez com exceção do homem, é reproduzir-se e propagar sua espécie pelo mundo.

Fontes:

2 comentários :

norma disse...

O seu Blog está perfeito. Irretocável.
(clap...clap...clap)
Passei a infância e a pré-adolescência do meu filho mergulhada no mundo dos Dinos.
Teria economizado muito em livros tridimensionais/modelos de diversas escalas se já contasse com o seu "auxílio luxuoso".
Parabéns e muito sucesso!
Norma Cardoso

Jardel Fagundes disse...

Os dinossauros botavam ovos como as aves ou como os repteis? Como crocodilos e tartarugas que botavam seus ovos todos de uma so vez. Já as galinhas botam um a cada dia. E os dinos???