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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Microceratus

Microceratops
Microceratus 

Dados básicos Microceratus

Fala meu amigo, hoje mais uma vez conheceremos um dinossauro aqui no blog, desta vez não se trata de um monstro gigantesco e sim de um pequenino herbívoro chamado Microceratus. Ele é um dinossauro que embora tenha sido citado na mídia graças a Jurassic Park, não é um dos mais famosos. Então vamos lá conhecer ele, começando com a ficha básica que você vê acima na ficha personalizada do blog e abaixo em texto:

Nome Popular: Microceratus
Nome Científico: Microceratus gobiensis
Significado do Nome: Pequeno Chifre do Gobi.
Tamanho: 80 centímetros de comprimento e 50 centímetros de altura.
Peso: em torno de 2 a 6 quilos.
Quando viveu: Cretáceo Superior, estágios Campaniano e Maastrichtiano, ente 83,6 e 66 milhões de anos atrás.
Local de descoberta: China e Mongólia;
Alimentação: Herbívora;

Quando viveu o Microceratus
Veja quando viveu o Microceratus
© Patrick Król Padilha
O Microceratus foi descrito por Bohlin em 1953 e desde então este pequeno dinossauro já passou por muitas mudanças de nomenclatura. Em seu estudo, Bohlin cunhou o nome Microceratops gobiensis em 1953 baseando-se em uma pequena maxila isolada encontrada na Província de Shansi - China, que indicava apenas o seu pequeno tamanho. Outros elementos ósseos do esqueleto foram encontrados separados na mesma área e referidos pelo autor como sendo do mesmo animal. Estes ossos incluíam várias vértebras em sua maioria mal preservadas, fragmentos de crânio que o autor ressalta estarem desgastados pelo atrito com a areia e também ossos do corpo, como úmero e fêmur completos, uma tíbia parcial, especificamente as duas pontas dela, que seriam do mesmo indivíduo dono do fêmur. O autor menciona que estes ossos longos estão bem preservados sem desgastes. Com base na mandíbula, dentes diversos e o material craniano e pós craniano, Bohlin sem dúvida ressalta a natureza ceratopsídea do animal, comparando diversas vezes o material com Protoceratops, Leptoceratops e Psittacosaurus, animais similares em alguns aspectos. 
Na época, Bohlin nomeou seu novo dinossauro como Microceratops gobiensis, criando o novo gênero e espécie, além de referir outros fósseis a uma segunda espécie, Microceratops sulcidens. Diversos fósseis atribuídos ao gênero Microceratops foram descobertos posteriormente, ao longo dos anos, como um esqueleto descrito em 1975 por Marayanska e Osmolska, fóssil que veio de Shireegiin Gashuun na Mongólia e apenas alguns dentes achados na China por Seyrig. Após revisões por parte de outros autores mais recentemente, esses demais fósseis acabaram sendo renomeados para gêneros diferentes e portanto não os consideramos mais como Microceratus e a espécie Microceratops sulcidens se tornou inválida.
Microceratops Joe Tucciarone
Microceratops
© Joe Tucciarone

Um destes casos foi o do espécime descrito em 1975, que era atribuído à espécie Microceratops gobiensis, mas que em 2000 foi estudado detalhadamente pelo paleontólogo Paul Sereno, que o identificou como algo diferente do Microceratops, colocando-o no novo gênero Graciliceratops. Muitos fósseis de Microceratus, os melhores inclusive, têm sido movidos para o gênero Graciliceratops a partir de análises mais detalhadas.
Mas certamente você deve estar bem confuso com essa alternância de Microceratus e Microceratops no texto não é? Bem, é que o nome original do dinossauro era mesmo Microceratops, mas foi alterado e agora deve ser referido como Microceratus!
Em 2008, o paleontólogo português Octávio Mateus do Museu de Lourinhã publicou um pequeno artigo em que ele renomeia todo o gênero Microceratops para Microceratus, porque tinha percebido que o nome de gênero Microceratops já era usado em um inseto, uma vespa, e como todo amante da vida animal deve saber, não é permitido que dois animais tenham nomes científicos iguais. 
Microceratus Head  © Bruno Hernandez
Reconstrução da Cabeça de Microceratus
© Bruno Hernandez

Cada animal tem seu nome de gênero e epíteto específico, que juntos foram um nome científico duplo. Neste caso, Microceratops é o gênero, gobiensis é o epíteto específico e assim forma o nome da espécie duplo, Microceratops gobiensis.

Quando um novo dinossauro é achado, ou um animal moderno é descoberto, ele tem que ser classificado e recebe um nome. Se ele é bem parecido, mas muito mesmo, com algum já conhecido, ele é inserido no mesmo gênero. Se for idêntico a algum animal já descrito desse gênero, é considerado da mesma espécie, porém se for parecido, mas tem algumas diferenças, considera-se uma espécie diferente dentro do mesmo gênero.
O que Octávio Mateus fez foi trocar o nome do gênero, porque o mesmo já havia sido usado antes e sempre o animal que recebeu o nome antes tem prioridade e pode, ou melhor, deve, manter o nome. Ao alterar o nome do gênero, automaticamente trocam-se os nomes de todos os integrantes do gênero, ou seja, o que era Microceratops gobiensis passa a ser Microceratus gobiensis. Mateus escolheu este nome, pela semelhança com o nome antigo e pelo significado parecido também. O significado original era "Pequeno rosto com Chifres" e agora o significado é "Pequeno Chifre".
Crânio de Microceratus
Réplica de um suposto crânio de M. gobiensis: não encontrei informações
sobre o fóssil original, somente essa foto em uma loja de réplicas.
© Paleo Mundo

Podemos afirmar então que Microceratops mudou para Microceratus. Neste caso todo o gênero muda, não apenas uma espécie, embora neste caso não faça tanta diferença, pois considera-se hoje que somente a espécie M. gobiensis é válida. Mas apesar disso, a classificação do Microceratus ainda está uma bagunça, pois o animal é baseado em restos muito fragmentados e por isso alguns paleontólogos tem dúvidas a respeito do animal e pensam que o gênero Microceratus é duvidoso, um Nomina Dubia, no jargão da área. Isso quer dizer, nome duvidoso, se referindo ao fato de não haver bom material que permita definir em bases sólidas o gênero do animal.
Embora o fóssil pertença a um espécime juvenil com 80 centímetros de comprimento, há o bastante para saber que se tratava de um animal bípede, cujos membros anteriores eram menores que os posteriores. Especula-se que o animal adulto talvez alcançasse 2 metros de comprimento, embora não haja comprovação disso. O dinossauro Microceratus viveu no Cretáceo na Mongólia e era pequeno, medindo não mais que 50 centímetros de altura e talvez chegando a pesar 6 quilos. Provavelmente era um animal que preferia passar a maior parte do tempo em pose bípede, pois seu corpo era leve e a cabeça, embora já começasse a mostrar traços característicos dos ceratopsídeos, ainda não era pesada a ponto de forçar a pose quadrúpede.
Ilustração do Microceratus

A Mongólia já era um área quente e seca no Cretáceo e dispunha de pouca vegetação macia. As plantas ali eram mais duras para poderem sobreviver ao clima seco. Para se alimentar o dinossauro usava seu bico córneo, parecido com o de um papagaio, característica de todos os ceratopsianos, o bico é conhecido tecnicamente como osso rostral. Ele cortava a vegetação mais dura com o bico e triturava com seus fortes dentes. 
Microceratus fazendo um lanchinho
© Retirado da revista Dinossauros! da Editora Globo/Orbis

Outra característica eram os pequenos chifres que se projetavam das "bochechas" e poderiam ser usados por machos em lutas. Este pequeno dino pode não aparentar, mas era do mesmo grupo de dinos com chifre como o Triceratops e prova que os dinos de chifres grandes descendem de ancestrais bípedes ágeis como o Microceratus. A partir do fato de que eram animais pequenos, herbívoros e também com base em outros ceratopsídeos conhecidos, podemos supor com alguma segurança que os Microceratus andavam em bandos para proteção, sempre com os indivíduos agindo como sentinelas para evitar serem atacados por predadores.
Microceratus Jurassic Park
Microceratus em bando
© Arte de Julius Csotoniy/Universal Studios

Andava provavelmente sobre as pernas traseiras e sendo bípede suas mãos ficavam livres para agarrar objetos, uma grande vantagem para qualquer espécie animal, embora certamente fosse capaz de andam em pose quadrúpede se quisesse. A sua cabeça, os paleontólogos imaginam, suportaria um "protótipo" de escudo ósseo, talvez sutil e quase imperceptível à distância, mas que nos seus parentes com chifre evoluiu para golas ósseas magníficas. No Microceratus essa gola deveria ser algo apenas estético, sem muitas funções além de exibir-se pra parceiros do sexo oposto. Um dinossauro aparentado do Microceratus, inclusive da mesma região, é o Psittacosaurus. Ele teve fósseis bem preservados que mostram que sua cauda era recoberta por um tufo de cerdas verticais que se projetavam da base do quadril até a ponta da cauda. Não se sabe exatamente sua função, mas especula-se que fossem usadas como elemento de exibição entre indivíduos da espécie. Abaixo uma ilustração do Microceratus feita por Sebastián Saavedra demonstra a hipótese de que este dino pudesse talvez ter as mesmas cerdas, como seu parente maior. Entretanto, sem evidências fósseis diretas, é igualmente possível que ele fosse desprovido dessas cerdas.
Microceratus in the rain Sebastián Saavedra
Microceratus num dia chuvoso
© Sebastián Saavedra

Este dinossaurinho deveria ser ágil, suas pernas provavelmente eram fortes para correr dos predadores de sua região. Os seus fósseis originais foram encontrados numa área da Mongólia chamada Tsondolein-khuduk, e Bohlin (1953) relata fósseis de dinossauros carnívoros da área, especialmente dentes isolados, além de elementos isolados de anquilossaurídeos ou nodossaurídeos. Isso demonstra que o habitat do Microceratus era rico em diversidade de dinos e que este mini dinossauro andava entre as pernas de gigantes muito maiores que ele. Tendo poucos fósseis, não sabemos exatamente alguns detalhes sobre a aparência desse dino, especialmente sua cor, que não é preservada em fósseis compostos apenas de ossos. Por isso toda reconstrução atual dele têm cores especulativas.
Este dinossauro não é muito famoso na mídia, mas aparece em dois grandes sucessos, um deles o filme Dinossauro da Disney e no Livro Jurassic Park de Michael Crichton. No filme da Disney ele aparece sem muito destaque, até por ser um animal pequeno, o que geralmente leva os produtores a usá-los como preenchimento de cenário. Em uma cena com a Braquiossauro Baylene, a idosa saurópode aparece tomando cuidado ao caminhar, para evitar pisar em vários Microceratus que correm por debaixo dela em debandada. Na ficha do dinossauro o nome usado era o antigo Microceratops, afinal, a mudança do nome só ocorreu bem depois do lançamento do filme.
Disney's Dinosaur Microceratus
Ficha do Microceratus da Disney
© Disney

Cena do filme com Microceratus sob o pé de Baylene
© Disney

Por outro lado, este dino infelizmente não foi escolhido para aparecer no filme de Steven Spielberg baseado no livro Jurassic Park em 1993, do contrário seria muito reconhecido. Entretanto, acabou sendo resgatado para a franquia de forma indireta pelos sites oficiais de Jurassic World. Quando o filme saiu em 2015, ilustrações do Microceratus foram produzidas por Julius Csotoniy, contratado para ilustrar os dinos do site. Como ainda há mais um filme na franquia programado para 2021, Jurassic World 3, não podemos descartar a chance dele aparecer, podemos esperar que se o filme mostre este dino, embora segundo o site do DPG a espécie estaria extinta novamente, ao menos na ilha Nublar.
Microceratus de Jurassic World
© Arte de Julius Csotoniy/Universal Studios
Porém, garanto que pra muitas pessoas o primeiro contato com este dino não foi Jurassic Park, embora o livro tenha surgido antes, mas sim a coleção "Dinossauros: descubra os gigantes do mundo Pré-histórico" da Editora Globo, originalmente publicado pela Orbis no Reino Unido. Na versão inglesa que continha 104 edições, o fascículo 66 apresentava ao leitor o Microceratus (então Microceratops) como dino destaque de capa. Em 1993 a coleção saiu no Brasil, mas só até o número 52, sendo relançada em 1996 com um total de 78 fascículos, desta vez contendo o número em que o Microceratus aparece. O dinossauro aparece com cores vibrantes, um corpo vermelho listrado de azul que cobre também a face do dino, deixando só um bico preto. Uma aparência marcante, embora as cores possam estar exageradas, não deixa de ser uma ilustração clássica. Você pode baixar esta edição e todas as outras da coleção aqui no Ikessauro gratuitamente, neste link.
Microceratus na capa do fascículo 66 da coleção Dinossauros!
© Orbis Publishing/Editora Globo

Em termos de brinquedos de dinossauros e miniaturas o Microceratus é certamente bem mal representado. Até poucos anos atrás não havia um boneco desse dinossauro disponível em larga escala e a empresa que supriu essa necessidade foi a obscura Lontic, com uma mini figura do Microceratus em cores vibrantes, amarelo e verde, embora às vezes apareça com outras variações de cor. Apesar da simplicidade do brinquedo é uma representação até que decente do bichinho, contendo os traços básicos dele, como bico, pequena crista parietal e pose bípede ágil. O principal defeito são os pés exageradamente grandes. 
Lontic Microceratus toy
Microceratus Lontic
O brinquedo deste dinossauro mais recente é o produzido pela empresa Mattel para a linha Jurassic World, acompanhando o lançamento do filme Jurassic World Reino Ameaçado. É uma figura diminuta, muito pequena, com cerca de 5 centímetros e que não é vendida isoladamente, mas sim em conjunto com outros dinos, como presa. É tão pequeno que nem pintura recebe, é composta apenas de plástico monocromático. Apesar disso é anatomicamente bem agradável e representa muito bem o gênero.
Microceratus Mattel
Abaixo você confere um dos conjuntos da Mattel da linha Destruct-a-saur ou Destrutossauros, em que o Microceratus vem como presa do Velociraptor. Este bonecos da linha Mattel Jurassic World estão disponíveis na Dinoloja para quem desejar adquirir, ao menos por enquanto. 
Microceratus Mattel com Velociraptor
© Mattel
 
Microceratus Mattel com Velociraptor
© Mattel

Esta postagem teve a colaboração de Jorge Gonçalves de Macedo



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