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quarta-feira, 8 de julho de 2009

Paleontólogos estudam a morte de Mastodontes brasileiros

Stegomastodon como deveria ser em vida
© Divulgação

Você já viu a série CSI (Crime Scene Investigation), onde um grupo de peritos em cenas de crime desvenda um crime dificílimo usando técnicas avançadas de pesquisa e análise de materiais? Se sim, imagine uma cena, mas em que as vítimas são Mastodontes! Se quiser saber mais sobre esta investigação leia o resto da postagem.

Paleontólogos estão realizando uma investigação sobre a morte de diversos mastodontes sul americanos, da espécie Stegomastodon waringi, encontrados no estado de Minas Gerais, que viveram no final do período Plioceno e início do Pleistoceno. O local dos fósseis é um antigo lago, que hoje está totalmente recoberto e tem um hotel em cima! Sim, o lago foi se fechando com o tempo e preservou os animais, no local onde hoje é a cidade de Araxá e no exato lugar do lago construíram um hotel. Existem diversos ossos, de animais de diversas idades, o que permitiu deduzir como eram em vida, os fenômenos que ocorreram antes e depois, a vida social e a idade dos animais. Até mesmo o tempo que os corpos ficaram expostos ao ambiente, calculado em 2 anos devido à presença de larvas de besouro, além de terem detectado a possível presença de homens pré-históricos por perto.
Estes mastodontes não foram achados agora, pois já foram estudados e na década de 1950 eles foram analisados pela última vez, até agora. Este sítio fossilífero é o maior das Américas, de animais deste tipo, disse o paleontólogo Leonardo Santos Avilla, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).
Os pesquisadores resolveram retomar o estudo agora, com novas técnicas e melhores conhecimentos paleontológicos para fazer uma "Investigação da Cena do Crime", quase como um "CSI" como dito antes, da morte dos animais, que tinham o tamanho aproximado de um elefante asiático. A quantia de restos e até as larvas que comeram os corpos ajudariam na pesquisa. O objetivo é reconstruir o paleo ambiente, ou seja, o ecossistema em que viviam estes animais na época, incluindo os mastodontes, predadores, plantas e o que mais for possível, até mesmo o clima.
Alguns osso estudados pelo paleontologista e seus alunos, tinham buracos de formato e tamanho característicos ao que fazem besouros comedores de carniça, que foram comprovados usando-se massa de biscuit, que era introduzida nos buracos e quando retiradas preservavam-se na forma do objeto de ocupou o buraco, neste caso as larvas, cujo pai era um besouro que tinha um aparato bucal fortíssimo, capaz de perfurar até os ossos, para inserir um ovo lá dentro que se tornará a larva. O besouro faz isso, porque lá a larva fica protegida, dentro do cadáver e tem alimento por bastante tempo. Já foram achadas perfurações deste tipo em dinossauros, o que prova que este tipo de inseto é bem antigo.

Vértebra de um Stegomastodon
Observe os buracos das larvas de besouro
© Divulgação

Um pesquisador disse que a fase de larva dos insetos tem cerca de 7 milímetros. Os besouros não consegue penetrar a carne e a gordura dos animais inteiros, talvez porque faltaria oxigênio ou algo assim, por isto os pesquisadores calculam que o animal morreu e ainda permaneceu exposto por cerca de 2 anos, até que os besouros conseguissem fazer uma colônia daquele tamanho.
Quando um animal morre, ocorre a necrofagia, que é o uso da carcaça como alimento. Geralmente animais preferem comer carcaças, contanto que estejam em boas condições, afinal, não precisam caçar. Mas alguns, como urubus entre outros, comem a carne podre mesmo. O estágio em que as larvas se alimentam dos restos e ossos é a última etapa da decomposição. Os paleontologistas encontraram indícios de que outros carnívoros comeram os mastodontes, incluindo até marcas de dentes de canídeos da época.
A análise não revelou nenhum "culpado" pelo crime, talvez porque não haja um. A causa da morte pode ter sido natural, por doenças ou um fenômeno natural. Segundo uma das alunas de Avilla, Dimila Mothé, as rochas são formadas por areia, pedras e outros tantos materiais de diversos tamanhos, o que talvez foi causado em uma grande enchente, que afogou os grandes mamíferos, todos juntos.
Além disso, Mothé estudou os dentes e percebeu que os mastodontes ali variavam de idade, havia indivíduos filhotes, adultos e mais velhos ainda. Isto indica uma catástrofe natural, afinal um predador não caçaria tantos, sendo que não comeria tudo. Humanos iriam escolher os quais caçariam, não matariam assim de diversas idades e se assim fizessem, levariam a carne e a pele para comer e vestir-se, deixando só os ossos, então não levaria dois anos para que os besouros pudessem colonizar a carcaça.

Mandíbula inferior de um dos Stegomastodons© Divulgação
Um artigo com o estudo foi enviado para a revista científica "Paleobiology". A questão é que não se sabe se os mastodontes foram caçados, embora isto não indique que não houvesse humanos caçadores na área. Um "corpo estranho", ou seja, um pequeno objeto, foi encontrado dentro de uma carcaça por meio de um tomografia, mas sabe-se que não era osso, então os paleontologistas acreditam que pode ter sido uma ponta de flecha ou de lança dos humanos que habitavam o Brasil na época. Este objeto se alojou no corpo do mastodonte e foi cicatrizado completamente, portanto o animal não morreu devido a este possível ferimento.
Somente novos estudos nos restos poderão comprovar se os humanos pré-históricos do nosso país caçavam estes paquidermes, portanto nos resta aguardar por novas descobertas.
Fonte

5 comentários :

deck disse...

hey Patrick,eu gostei da materia e acho muito interessante esse assunto,mas oque eu realmente queria saber é de que periodo eles sao,a quantos mil(milhoes)de anos eles viveram,se puder me responder eu agradeceria

Ikessauro disse...

Eles viveram no final do plioceno e começo do pleistoceno,cerca de 2,5 milhões de anos atrás.

D.M. disse...

Na verdade, para a América do Sul, há registros bem mais recentes de mastodontes (final do Pleistoceno e inicio do Holoceno).

Gilberto disse...

Pôxa, gostei muito de saber que nossos cientistas paleontologos estão trabalhando duro para desvendar toda uma vida, vivida pelos Mastodontes brasileiros. Sabe que isso bem que poderia virar um documentário para enriquecer a nossa história paleontologica.
Oh, Patrick, já que você tem mais facilidades para estes estudos bem que poderia sugerir a estes paleontologos, que tal, heim.
Gilberto

Ikessauro disse...

Oi Gilberto
Seria ótimo fazer documentários sobre a pré-história do nosso país. Nossa nação tem muito mais do que futebol, carnaval e mulheres (não menosprezando nenhum dos acima citados), mas poderíamos divulgar mais as nossas descobertas científicas, nossa cultura que quase não aparece etc.
Um documentário seria perfeito no caso dos Mastodontes. Acho que deveríamos reinvindicar, comentar e trocar ideias com todos os interessados nisso para ver se a proposta dá certo. Vou começar a pensar neste caso, quem sabe num futuro próximo não veremos algo bom não é?
Abração.