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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Arqueologia vs. Paleontologia

© Patrick Król Padilha
Você está lá, numa boa, conversando sobre dinossauros e paleo em geral e alguém no meio do papo pergunta se "você quer ser arqueólogo? Por que você não faz faculdade de arqueologia?"  ou algo do tipo. Pior ainda, a pessoa se faz de entendida no assunto e fica fazendo essa confusão. Garanto que você já presenciou um caso destes e não sei você, mas isso me deixa um pouco incomodado. Não lembro de nenhum termo que explique bem essa sensação em português, mas em inglês costuma-se chamar isso de pet peeve, que é alguma coisa que te irrita de forma leve, algo que para você é importante, mas que normalmente pros outros não faz diferença. E quando você corrige a pessoa normalmente passa por nerd chato, algo assim, no mínimo. Por isso resolvi esclarecer aqui no blog qual a diferença entre Arqueologia e Paleontologia de uma vez por todas! Você leitor, de agora em diante, está proibido de trocar um nome por outro, é seu dever aprender a diferença e explicar para as pessoas quando elas confundirem as coisas. Então vamos lá, clique em "Leia Mais" e desfaça definitivamente essa confusão!


Essa área das ciências tem como objetivo entender como era a vida no planeta antes de estarmos aqui, buscando conhecer a maior quantia de seres vivos que foram extintos através dos vestígios que deixaram e que foram preservados. A paleontologia busca compreender como viviam os seres vivos no passado, como surgiram e qual foi o processo evolutivo que percorreram, que grupos são aparentados entre si e quais deixaram descendentes que ainda vivem, além de quais grupos foram completamente extintos. A paleontologia, cujo nome significa "Estudo dos Seres Antigos", busca exatamente entender como era a distribuição e interação entre organismos extintos, além é claro de descrever espécies fósseis de maneira organizada seguindo a regras da sistemática taxonômica e principalmente filogenética. Isso permite criar um contexto biológico para cada era no tempo geológico, dando ao cientista uma visão mais completa de como foi a vida no passado e como chegou ao ponto atual.
A paleontologia tem como objeto de estudo principal os fósseis, ou seja, restos de organismos extintos preservados de alguma maneira através do tempo, em rochas (mineralização, mumificação, moldagem), gelo, âmbar etc. A paleontologia se encarrega de estudar desde bactérias fósseis até dinossauros gigantescos, incluindo todos os outros tipos de animais e plantas, além de seres microscópicos que deixaram registros de sua existência de alguma forma. A paleontologia estudará fósseis de ossos, dentes, pegadas, coprólitos (fezes fossilizadas), material vegetal como folhas, galhos e até troncos de árvores, sementes, flores e frutos, enfim, qualquer coisa orgânica e que um dia viveu no planeta antes do surgimento da nossa espécie e do começo da era moderna. A paleontologia busca encontrar fósseis, analisar sua idade através das rochas onde foram achados e catalogá-los, preferencialmente coletando-os para armazenagem segura em um museu, onde poderá ser estudado cuidadosamente e se necessário, preparado, que é o processo de remoção da rocha que envolve o fóssil. O profissional que faz isso recebe o nome de Paleontólogo e geralmente busca aprender sobre geologia e biologia para trabalhar no estudo dos fósseis. A geologia fornecerá ao paleontólogo uma base de conhecimentos sobre rochas, seu processo de formação e consequentemente o processe de formação dos fósseis, ajudando a entender o que aconteceu com aquele vestígio antes e depois da soterração do organismo. A biologia fornece ao paleontólogo o conhecimento sobre os seres vivos, afinal, fósseis um dia tinham vida e interpretar como tais organismos viviam é uma tarefa que requer conhecimentos específicos da biologia.
Apesar de similar, é uma ciência diferente da paleontologia. Arqueologia quer dizer "Estudo do Antigo" e como pode perceber, não há nenhuma referência à vida ou seres vivos em geral. O objetivo dessa especialidade é descobrir evidências de atividade humana do passado, como era a cultura e hábitos de civilizações antigas, povos que hoje estão extintos, não somente a nível de biológico, mas especialmente em nível social e cultural.
A arqueologia busca entender como viviam e interagiam os humanos de tempos passados, como eram organizadas suas vidas, se possuíam hierarquias sociais e formavam grandes sociedades, se eram nômades ou não, que tipo de trabalho realizavam, quais eram suas formas de lazer, enfim, a intenção é entender o funcionamento das sociedades extintas.

De uma vez por todas, a arqueologia NÃO ESTUDA OS FÓSSEIS!!!  Os objetos de estudo dessa vertente científica não são restos biológicos preservados, mas sim vestígios culturais e sociais das civilizações do passado, como restos de utensílios em geral (bacias, armas, ferramentas, talheres, móveis etc) além de escrita, arquitetura, roupas em geral, representações artísticas como pintura, escultura, desenhos, moedas, enfim, qualquer coisa que possa dar informações a respeito da vida de uma sociedade que desapareceu. A arqueologia só estudará fósseis ou restos orgânicos quando estes possam fornecer dados importantes sobre a cultura de um povo, como por exemplo, ossos de um animal que apresente marcas de ferramentas de corte, indicando que humanos cortaram o animal para se alimentar ou utilizar seus ossos como matéria prima. Restos de animais de estimação também podem ser considerados como registros arqueológicos porque fazem parte de algo construído ou instituído pela humanidade ou mesmo cadáveres mumificados ou sepultados, que mostram como eram os rituais fúnebres. Exemplos de artefatos e/ou monumentos arqueológicos são as pirâmides do Egito, estátuas, cetros, sarcófagos, as construções maias e incas, hoje em ruínas, pontas de lança e flechas feitas de rocha ou osso criadas por humanos primitivos, potes de cerâmica, templos, sepulturas e afins. Uma curiosidade interessante é que, ironicamente, o arqueólogo (especialista em arqueologia) mais famoso da ficção, Indiana Jones, foi inspirado, segundo algumas fontes, em um paleontólogo real chamado Roy Chapman Andrews, famoso na década de 20 pela expedição ao deserto de Gobi onde encontraram vários dinossauros. Se isso é verdade, não sei, afinal, os criadores do personagem nunca confirmaram isso publicamente. Mas não confundam ficção com realidade. A vida do arqueólogo não é tão cheia de aventuras quanto mostrada nos filmes do Indy e esse profissional não sai por aí em busca de tesouros perdidos em tumbas esquecidas.
Acredito que a confusão deve ter surgido pela semelhança nos métodos de estudo e trabalho de campo, pois em ambos os ramos de pesquisa o pesquisador precisa sair do seu laboratório ou escritório, deslocar-se até um local específico e com cuidadosa observação localizar o objeto de estudo, que então é coletado muitas vezes através de escavações no que se chamada de sítio, podendo ser um sítio paleontológico ou fossilífero no caso da paleontologia ou ainda sítio arqueológico quando se trata da outra área de estudo. Ambas as ciências buscam coisas antigas e que estão extintas, que depois de coletadas acabam indo parar em museus. Muitas vezes as ferramentas de trabalho são similares, como picaretas, martelos, talhadeiras, pincéis entre outros tipos de acessórios.
Ambas as profissões requerem viagens frequentes para locais muitas vezes distantes e remotos, como florestas, desertos e até cavernas, tanto na terra quanto no fundo de lagos e mares. Ambos os tipos de pesquisadores acabam metidos até as orelhas em poeira, terra ou lama. Muitas vezes suas descobertas são enormes e pesadas e precisam de guindastes, helicópteros ou caminhões para transportar.
E por último chego à conclusão de que a confusão também se deve ao fato de que o termo arqueologia e arqueólogo ser muito difundido entre a população em geral, porém o objeto de estudo mais famoso e popular sem dúvida é o da paleontologia, principalmente os dinossauros, aí sem conhecer muito bem leigos adotam a nomenclatura de uma ciência e aplicam ao objeto de estudo da outra.
Espero ter conseguido esclarecer essa mistureba de conceitos criada ao longo dos anos, décadas eu diria e imagino que você leitor do Ikessauro vai de agora em diante adotar as terminologias certas, procurando inclusive passar adiante esse conhecimento. Quero também ressaltar que ambas as ciências são igualmente importantes e não é porque prefiro a paleontologia que estou desmerecendo a arqueologia. Pelo contrário, admiro muito o trabalho dos arqueólogos e acredito que é uma área da ciência tão intrigante e interessante quanto a paleontologia. Se você é um paleontólogo profissional ou um arqueólogo por favor, comente abaixo e diga o que pensa sobre o assunto, contribua para o artigo, corrigindo possíveis falhas ou acrescente informação, quanto mais melhor! É isso aí pessoal, vocês já sabem o que fazer, ler, curtir, comentar e compartilhar, até!



1 comentários :

Jean Quilante disse...

Concordo com você,as pessoas se confunde muito arqueologia e paleontologia,uma vez eu comprei uma coleção de livro de dinossauros,que sempre no final do livro mostrava onde ele foi encontrado etc,só que no lugar de colocar paleontólogos eles colocavam arqueólogos,e não escreviam o titulo (paleontologia) tava escrito arqueologia.