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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Mamífero extinto espanhol é parente do atual Panda Gigante

Agriarctos beatrix
© José Antonio Peñas/(SINC)

Restos fósseis de uma espécie de panda pré-histórico foi encontrada na Espanha e um estudo recente revelou que o bicho tem parentesco com o atual Panda Gigante, que está ameaçado de extinção e vive nas florestas chinesas, onde se alimenta principalmente de bambu. O animal pré-histórico teve seus restos analizados por uma equipe de pesquisadores espanhóis, que incluiu especialistas do Museu Nacional de Ciências Naturais (MNCN-CSIC). Mais detalhes você confere no resto do artigo.


O animal, batizado de Agriarctos beatrix foi um pequeno onívoro plantígrado (que anda apoiada nas palmas) aparentado geneticamente ao Panta Gigante. Os fósseis da espécie foram descobertos no sítio de Nombrevilla 2, na província de Zaragoza. Pesquisadores do MNCN-CSIC e da Universidade de Valência sugerem que a criatura viveu durante o Mioceno, há cerca de 11 milhões de anos. Devia havitar florestas húmidas que existiam na região naquele tempo e era capaz até de subir em árvores para escapar de predadores. Quando o animal foi anunciado à mídia, os cientistas afirmaram que até seja possível que os ursos da família do panda tenham se originado na Europa e não na Ásia.
"Esse tipo de urso era pequeno, até menor que o atual Urso Malaio, que é a menor espécie ainda existente. O "panda" pré-histórico não deve ter excedido os 60 quilos de peso" disse Juan Abella, um pesquisador do departamento de paleobiologia do MNCN-CSIC e autor principal do estudo, publicado no Journal Geological Survey.
Entretanto é difícil saber sua aparência externa porque os fósseis consistem apenas de dentes e os cientistas dizem que o animal poderia ter uma pelagem preta com partes brancas principalmente no peito, em torno dos olhos e possivelmente perto da cauda. "Esse padrão é considerado primitivo em ursos tem manchas tão grandes que dá a impressão de que o animal é branco com manchas negras e não o oposto," diz Abella.
Desta vez eu (Ikessauro) acho que tenho até obrigação de comentar esse achado e dar minha opinião, pois achei que uma descoberta baseada em dentes é um tanto quanto vaga. Eu sei que os dentes de um animal contam muito sobre como o animal era, podendo-se comparar com espécies atuais para encontrar parentes próximos ou usar o fóssil para estimar a idade do animal quando morreu.
Mas querer estimar a cor da pelagem de um animal pelo parentesco que tem com um outro bicho é um tanto quanto exagero não acham? Bem, posso até estar errado, não estou tentando dimiuir a importância do achado e do estudo, mas é o mesmo que encontrarmos um dente de dinossauro e descrever toda a espécie com base no formato do dente. Não há como saber se o bicho possuía chifres ou cristas, qual seu comprimento total ou cor da pele, escamas ou penas apenas com base em dentes.
Outra afirmação apressada e especulativa é definir o ponto de origem dos pandas como sendo localizado no sul da Europa, sem evidências mais concretas de que isso é mesmo verdade.
Até mesmo o paleontólogo Blaine Schubert, da East Tennessee State University que também estuda ursos extintos concorda que tal afirmação parece mesmo especulação.
Schubert inclusive disse que "o estudo não diz que há evidência de que a família dos pandas se originou na Europa. É interessante lembrar que Schubert não fez parte da equipe que escreveu o estudo sobre o "panda espanhol".
Além disso, o paleontólogo estadunidense diz que "mesmo se esse novo fóssil seja um parente dos pandas modernos, não significa que os pandas se originaram no lugar onde foi encontrado. Eu (Schubert) não sugeriria isso baseado nessa evidência e não afirmaria nada do tipo sem bastante evidências".
Enfim, o Ikessauro deixa essa observação. Apesar de toda pesquisa ser interessante nem sempre significa que tudo dito por paleontólogos está correto. Todos fazem propostas, mas muitas vezes a proposta acaba se mostrando falha no futuro. Não estou dizendo que os pesquisadores espanhóis estejam errados, mas é bom lembrar que nós da mídia fazemos muita confusão quando se trata em passar informações científicas de forma clara para os leigos. Eu mesmo aqui no Ikessauro tento ser o mais correto possível e procurar fontes diferentes para comparar a mesma notícia, observando possíveis erros na tradução ou por falta de atenção dos jornalistas, mas nem sempre é possível fazer algo perfeito. Espero que sempre busquem informações nas fontes mais confiáveis, de preferência livros e artigos oficiais. Se você curtiu esse artigo do Ikessauro comenta aí dizendo o que pensa e compartilha para que mais gente fique por dentro das novidades paleontológicas.



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