Às vezes o conteúdo que você procura não está na primeira página. Seja um paleontólogo no Ikessauro e procure aqui o conteúdo que deseja!



segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Stegosaurus

Stegosaurus stenops
© Todd Marshall



© Melissa Frankford
Veja quando viveu o Stegosaurus!
© Patrick Król Padilha
O Stegosaurus foi um dos dinossauros descobertos durante a famosa "Bone War" (Guerra dos Ossos), nas Formações ao Norte de Morrison - Colorado. Descrito primeiramente por Othniel Charles Marsh, em 1877, recebeu o nome de Stegosaurus armatus, nome que das palavras em Grego Stegos = Telhado + Saurus = Lagarto, significa "Lagarto Telhado", resultado da teoria de Marsh de que as placas ósseas de suas costas eram dispostas como as telhas de um telhado.
Hoje as principais espécies de Stegosaurus, dadas como válidas ao gênero, são 4, sendo duas bem descritas, uma delas com descrição regular e outra com descrição mais duvidosa. Confira abaixo as 4 espécies:
S. armatus - Significa "Lagarto Telhado Encouraçado", a primeira a ser descrita. Foi a primeira a ser descoberta na América do Norte, nomeada por Marsh em 1877, conhecida a partir de 2 esqueletos parciais e dois crânios parciais, além de restos bem fragmentados de 30 indivíduos. Tinha na cauda 4 espigões e placas relativamente pequenas, num corpo de aproximadamente 4 metros de altura, o que o faz o maior do seu gênero. Houveram suposições de que o Estegossauro poderia crescer até cerca de 12 metros de comprimento, mas atualmente 9 metros é tido como o maior comprimento estimado com alguma segurança. Originalmente um dos fósseis dessa espécie era o espécime Tipo (aquela usada como referência para criar o gênero), porém devido ao fóssil tipo estar bem incompleto e fragmentado, foi destituído deste posto em 2013 e considerado nomem dubium, possivelmente um sinônimo de S. ungulatus.

© Joe Tucciarone

S. stenops - Significa "Lagarto Telhado de Face Estreita", nomeado também por Marsh, mas em 1887, 10 anos depois do S. armatus. O fóssil Tipo desta espécie foi coletado por Marshal Felch em Garden Park, norte de Cañon City - Colorado, em 1886. É a espécie com melhor descrição, conhecida por mais de 50 esqueletos parciais de adultos e jovens, incluindo um crânio completo e 4 crânios parciais. Tinha placas maiores, no entanto foi menor que S. armatus, chegando a medir 7 metros de comprimento. Atualmente é considerado a espécie Tipo do gênero. Isso quer dizer que qualquer novo estegossaurídeo encontrado deve ser comparado com esta espécie para definir se é um Stegosaurus ou outro tipo de dinossauro. O novo esqueleto montado no Museu de História Natural de Londres, conhecido na mídia como Sophia, pertence a esta espécie e é o estegossauro mais completo já montado.
"Sophie" - O mais completo Stegosaurus  já encontrado
© Creative Commons
S. madagascariensis - Foi criado com base apenas em poucos dentes, hoje considerados de um anquilossaurídeo. 

S. longispinus - Foi renomeado como outro gênero, Alcovasaurus

S. marshi - Foi renomeado como outro gênero, Hoplitosaurus

S. priscus - Foi renomeado como outro gênero, Loricatosaurus.

S. "affinis" - Foi considerado como nomem nudum, não tem validade e os fósseis foram perdidos. 

S. duplex - Sinônimo de S. ungulatus.

S. sulcatus - originalmente considerado sinônimo de S. armatus, hoje é considerado uma espécie indeterminada. Porém diferenças em seus ossos e espinhos podem sugerir que a espécie é válida, como alguns paleontólogos sugerem, enquanto outros dizem ser um dinossauro de um gênero completamente diferente. O nome sulcatus deriva dos grandes espinhos com sulcos na base.

S. ungulatus - O "Lagarto Telhado Ungulado" foi nomeado por Marsh em 1879, a partir de vértebras e placas ósseas encontradas em Como Bluff - Wyoming. Alguns imaginam que este exemplar pode ser um espécime juvenil de S. armatus. Um outro esqueleto parcial foi encontrado em Portugal, acredita-se que pertença a esta espécie. Ao que parece, atualmente aceita-se esta como uma espécie válida de estegossauro. Originalmente reconstituída com 8 espigões na cauda, como na figura abaixo, porém hoje acredita-se que possuía somente quatro.
Stegosaurus ungulatus 
©
 Paul Carter

O Stegosaurus é o maior membro da família dos Stegosauridae e dá nome ao grupo, e até a Infraordem Stegosauria, que inclui outros dinossauros com placas ósseas.

É um dinossauro ornitísquio (que tem púbis de ave) e pertence a um grupo chamado Thyreophora, que abriga os dinossauros que tem algum tipo de armadura ou proteção óssea, como os Estegossaurídeos e os Anquilossaurídeos.
O Estegossauro é um dos mais populares dinossauros já descobertos, porque sua aparência é inconfundível, aquele corpanzil de 9 metros com duas fileiras de enormes placas ósseas percorrendo praticamente toda sua extensão, completando a aparência bizarra com 4 longos espigões dispostos na ponta da cauda, espigões estes que provavelmente serviam para defesa quando fosse atacado por um predador.
Este grande herbívoro era quadrúpede, possuía uma cabeça muito pequena em relação ao tamanho do corpo, mas mesmo assim era eficiente em comer plantas cortando-as com seu poderoso bico córneo que revestia a parte da frente da sua boca.
Possuía as pernas traseiras com 3 dedos, mais altas que as dianteiras com 5 dedos, o que lhe dá uma pose estranha, com os quadris sempre mais altos que a cabeça, que não ficaria a mais de 1 metro de distância do solo. A posição da cabeça somada ao bico sugerem que o Estegossauro era um dinossauro que comia na maioria do tempo a vegetação rasteira. Seus dentes eram pequenos e triangulares, com facetas desgastadas sugerindo que ele triturava muito a comida. Há uma hipótese de que o animal também possuísse bochechas para manter a comida na boca enquanto mastigava.
Segundo estudos a respeito do crânio do Estegossauro, este animal tinha um cérebro muito pequeno, do tamanho do de um cachorro ou menor ainda, baseando-se no tamanho da cavidade craniana onde o cérebro ficaria em vida. Isso vinha reforçando a ideia de que dinossauros eram animais estúpidos, que antigamente era perpetuada na comunidade científica. Hoje nós acreditamos que os dinossauros eram inteligentes, não eram estúpidos e conseguiam muito bem sobreviver procurando a própria comida, demarcando territórios e até mesmo com comportamento social.
Secção do crânio - área ocupada pelo cérebro em vermelho
© Frederick Berger/Domínio Público
A maior parte do que hoje sabemos sobre o Estegossauro vem de fósseis de animais adultos, mas recentemente houveram achados de animais jovens, o que pode nos dar uma pista sobre o comportamento social e parental destes animais.
Quando Marsh descobriu o Estegossauro, imaginou que ele fosse um animal bípede, devido à diferença de tamanho das pernas traseiras para as dianteiras. Somente em 1891 é que aceitou que ele realmente era quadrúpede porque seria pesado demais para caminhar somente nas patas traseiras. Bakker propôs que o animal ocasionalmente ficaria na pose bipodal para alcançar galhos de plantas altas se isso fosse necessário, mas foi contrariado por Carpenter.
A estrutura óssea do "Lagarto Telhado" mostra que não seria um animal ágil, não conseguiria correr muito porque as pernas da frente são muito menores que as de trás, então em uma corrida ele não passaria da velocidade de 6 a 7 quilômetros por hora, a velocidade de uma pessoa comum correndo.
Uma história curiosa a respeito do Estegossauro é que Marsh encontrou em um espécime alguns vãos, na partes lombar. Esse espaço vazio teria abrigado um segundo cérebro, disse Marsh, que afirmava com certeza de que este "cérebro" era responsável por reflexos da parte posterior do animal ou para dar uma ajuda na fuga frente a um ataque de predador, como se funcionasse como uma espécie de "bateria extra". Hoje esta teoria é tida como incorreta, pois Saurópodes também tem estas cavidades. A teoria mais aceita é a de que estes espaços ajudariam no transporte de substâncias como o Glicogênio, que é feito a partir da glicose e ajuda a manter a energia das células.

Mas se observamos uma reconstrução do Estegossauro, imediatamente suas placas prendem a atenção dos olhos, elas podem ter sido coloridas ou com cores sóbrias, mas independente de sua cor era incríveis. Muitos imaginam que elas se prendiam ao esqueleto do animal, no entanto estão enganados, pois elas eram apenas escamas osteodérmicas modificadas, sendo presas na pele grossa do grande herbívoro. Bakker propôs que as placas não eram tão rijas e podiam mover-se alguns graus para cada lado o que seria usado em defesa, impedindo que o atacante chegasse próximo o suficiente para morder a carne do dinossauro e também aumentando seu tamanho. Imagina-se que as placas também fossem recobertas do mesmo material que recobre chifres de animais atuais, porque assim como o osso de chifres de animais, a parte preservada em forma fóssil tem marcas bem semelhantes às encontradas no osso do interior do chifre de um touro por exemplo. Para sustentar a afirmação de que o dinossauro movia as placas para os lados do corpo, o paleontólogo diz que elas eram estreitas demais na base para ficar em pé sem que algo as sustentasse. Esse "algo" seriam músculos responsáveis pelos movimentos, que enquanto não estavam sendo usados para a defesa eles apenas sustentavam as placas em pé.
Segundo os paleontólogos as maiores placas se situavam sobre o quadril, mediam aproximadamente 60 centímetros. Pensava-se que o total seriam 17 delas, dispostas em duas fileiras paralelas no dorso, no entanto com as novas informações do espécime "Sophie" sabemos que poderiam haver mais, pois este exemplar possui 19 placas. Sua função ainda é duvidosa e gera debates em toda a comunidade paleontológica. Na época de sua descoberta imaginava-se que elas eram dispostas como telhas, para proteger o animal, formando uma carapaça parecida como a do Anquilossauro.
Mas depois descobrindo a verdadeira posição das placas esta teoria foi descartada e outra criada. Esta nova hipótese afirma que as placas seriam reguladores térmicos, usados para captar ou dispersar calor de acordo com a necessidade. Alguns duvidam desta suposição porque certa espécie de Estegossauro tinha placas estreitas e com pouca superfície aproveitável para obter ou dispersar calor, o que torna essa ideia de termoregulação duvidosa.
O objetivo das placas mais aceito é que serviam para defesa, aumentando o tamanho do animal frente à inimigos, para intimidar rivais da mesma espécie, além para impressionar o sexo oposto, no entanto estes adornos não diferenciam machos de fêmeas, porque ambos possuíam placas e não há diferenças entre elas de um sexo para outro.
Stegosaurus defende-se de um Ceratosaurus
© Julius Csotoniy
Algumas publicações sobre o Estegossauro debatem sobre a função de suas placas, sendo que alguns acreditam ser um elemento de reconhecimento entre indivíduos. Sendo assim cada indivíduo aparentava uma pequena diferença nas placas, talvez no formato ou tamanho, ou quem sabe coloração, o que diferenciava cada membro da espécie, permitindo o reconhecimento de membros do mesmo bando, parceiros ou filhotes.
Sempre se imaginou como as placas seriam dispostas no animal, sendo que primeiramente Marsh as imaginou como uma carapaça, como citado antes, depois disso em 1891 Marsh modificou sua opinião a respeito e apresentou a nova aparência do Estegossauro, com uma única fileira de placas nas costas. Mas logo caiu em desuso porque a comunidade em geral não compreendia como poderia ficar presas apenas na pele do animal.
Depois surgiu a concepção do animal com as duas fileiras de placas nas costas que permaneceu inalterada até 1960, quando descobriram que as placas ficavam alternadas. Isso é indicado em um fóssil que continha as placas ainda na parte do esqueleto onde estiveram em vida, acima da coluna e dispostas alternadamente, no entanto não se sabe como e porque as placas evoluíram desta forma.
Em 1914 Gilmore afirmou que os espigões da cauda deste dinossauro foram também usados para exibição. Já Bakker, afirma que, por sua cauda não ter os tendões ossificados ,que muitos outros dinossauros tem, o Estegossauro poderia movê-la com facilidade e certa flexibilidade, tornando a cauda uma potente arma. Carpenter observou que as placas sobre as vértebras da cauda poderia limitar os movimentos. Bakker também sugeriu que o animal poderia "manobrar" a sua parte posterior do corpo, apoiando as patas traseiras num ponto fixo ele usaria as dianteiras para caminhar lateralmente. Simultaneamente usaria a cauda para defender-se, talvez balançando a mesma para os lados. Mesmo que o atacante tentasse "dar a volta" no dinossauro, bastaria ele mover suas pernas dianteiras novamente para o lado que melhor surtisse o efeito desejado, repelindo novamente o predador. Esse movimento pode ser comparado ao movimento de um compasso, aquele pequeno objeto que usamos hoje para traçar círculos perfeitos no papel.
Um estudo elaborado por McWhinney e alguns colegas mostra que os ossos da cauda do Estegossauro tinham marcas de traumas e danos, provando que foram usados em lutas, além de um Allosaurus encontrado com a cauda perfurada, sendo que o espigão do herbívoro encaixa perfeitamente no orifício do osso machucado.
Os espigões mediam entre 60 e 90 centímetros de comprimento e eram quatro na espécie S. stenops. S. armatus foi descrito com 8 espigões por Marsh, mas recentes análises provaram que também tinha só 4 destes "espinhos" fixados na pele da cauda. Geralmente se retratava o "Lagarto Telhado" com estes espinhos voltados para cima, mas há indícios de que teriam os mesmos dispostos horizontalmente nos lados da cauda.
Cauda com os tagomizers montados
© Wikimedia Commons
Todos os dinossauros do grupo Stegosauria eram herbívoros, mas ao contrário de outros dinossauros herbívoros que possuíam baterias de dentes e movimentos de mandíbula que proporcionavam uma mastigação primitiva, o Estegossauro tinha movimentos limitados e dentes pequenos com forma diferente da dos Hadrossaurídeos por exemplo.
Durante o fim do Jurássico os Estegossaurídeos foram se diversificando em espécies e distribuição por várias partes do planeta, tornando-se um grupo relativamente bem sucedido na evolução. Deviam alimentar-se de musgos, samambaias, coníferas, cicas, cavalinhas e talvez até de frutos.
Toda essa variedade de comida era diferida no estômago com ajuda de gastrólitos, pedras engolidas propositalmente que moíam o conteúdo do estômago, facilitando a digestão, já que os dentes não conseguem triturar a alimentação do animal. O Estegossauro era impedido de comer capim e gramíneas rasteiras mesmo se quisesse, não porque algum animal o impedia, mas porque na época dele ainda não existia grama nem plantas deste tipo. Então só poderia comer plantas baixas, até mais ou menos 1 metro do solo, mas se o que Bakker propõe, de que se levantava nas patas traseiras, se confirma, ele pode ter usado esta estratégia para comer plantas e frutos de plantas sem flores a até 6 metros de altura.
Algumas pegadas sugerem que o animal andava em bandos com indivíduos de idades variadas. Ele é tão conhecido que virou o Dinossauro do Estado do Colorado - EUA no ano de 1982, além de ser tema de vários livros e estudos. Várias vezes é citado em livros de ficção sobre dinossauros, como The Lost World (O Mundo Perdido) de Sir Arthur Conan Doyle e também Jurassic Park de Michael Crichton, onde aparece doente. Ambos os livros tornaram-se adaptações no cinema, mas em Jurassic Park o animal não foi mostrado, substituído pelo herbívoro Triceratops, aparecendo somente na continuação do filme, quatro anos depois.

Stegosaurus do filme The Lost World
© Universal Pictures
Vários outros filmes antigos o retrataram, bem como os documentários mais recentes que tentam reconstruir o planeta na era Mesozoica. Entre eles é mostrado em When Dinosaurs Roamed America (Quando os dinossauros reinavam na América) do Discovery Channel e também em Caminhando com os Dinossauros, episódio 2, Time of Titans (Tempo de Titãs). No Especial Caminhando com os Dinossauros A Balada de Big Al, aparece tanto vivo quanto morto, atolado em um poço de lama, talvez areia movediça que se acumulou no fundo de uma lagoa.
Além destas aparições é frequentemente usado como personagem de desenhos animados ou como modelo para criação de brinquedos. Entre as empresas de brinquedos ou colecionáveis atualmente no mercado, praticamente todas possuem um modelo desse dinossauro, podendo citar aqui empresas como Safari, Papo, Collecta (inclusive em forma de carcaça), Schleich, Bullyland, Battat, entre outras. Caso tenha interesse em comprar colecionáveis desse dinossauro procure na Dino Loja

Carcaça de Stegosaurus de brinquedo
produzida pela Collecta
A Editora Salvat dedicou um dos fascículos da coleção Descobrindo o Mundo dos Dinossauros ao Estegossauro e de brinde distribuía um boneco do mesmo. Além de tudo, o Estegossauro foi inspiração para a criação de um dos mais famosos monstros gigantes da ficção, o Godzilla, o qual herdou sua aparência de três dinossauros. Sua postura veio do Iguanodon, dentes, garras, pés e dieta copiadas do Tyrannosaurus rex, com exceção de algumas aparições em filmes em que o monstro come peixe, alimento que não se encontrava na dieta do "Rei dos dinossauros". A parte do monstro que vem do Stegosaurus, são as placas, copiadas e inseridas no monstro como espinhos nas costas e cauda.




1 comentários :

Jeff hardy disse...

O estegossauro tem um dos meios de defesa + fortes que eu ja vi;D