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sexta-feira, 18 de abril de 2008

Carnotaurus

© Vlad Konstantinov


Descubra quando viveu o Carnotaurus!
© Patrick Król Padilha!

© Jaime A. Headden

Este dino foi descoberto por na província de Chubut na Argentina, na área da Formação Colonia cujas rochas imaginava-se pertencer ao final do Cretáceo Inferior e início do Cretáceo Superior, mas que posteriormente foi comprovada datar do Maastrichtiano, ou seja, cerca de 70 a 65 milhões de anos de idade. Imaginou-se que o Carnotaurus viveu durante as idades Albino e Cenomaniano, entre 112 e 93 milhões de anos, mas hoje o animal é considerado como pertencente ao Maastrichtiano.
Seus fósseis são mantidos no Museu Argentino de Ciências Naturais Bernardino Rivadavia, com a numeração MACN - CH 894, além de uma réplica do esqueleto ter sido confeccionada e montada em um salão da instituição.
O Carnotaurus viveu na Patagônia - Argentina, onde era um dos maiores predadores do Cretáceo. Medindo cerca de 7,5 metros de comprimento era imponente e o que lhe torna distinto de outros carnívoros é o fato de que tem acima dos olhos um par de chifres como os de um touro, o que levou o paleontólogo José Bonaparte a basear seu nome na palavra latina Carne = carne e na palavra grega Tauros = touro, que juntas dão o significado "Touro Carnívoro" ao bicho.
A partir da sua semelhança anatômica com outro terópode sul-americano, o Abelisaurus, o animal foi integrado à família Abelisauridae, porém não havia um grupo específico para ele dentro desta família.
Por isto foi criada uma nova subfamília chamada Carnotaurinae, que posteriormente incluiria além do animal que dá nome ao grupo, o Aucasaurus, também da América do sul e o Majungasaurus encontrado em Madagascar, assim como o Rajasaurus da Índia. De modo geral, a classificação do vertebrado fica assim: Saurischia > Theropoda > Abelisauridae > Carnotaurinae > Carnotaurini > Carnotaurus.

Além dos cornos, outras características marcantes do Carnotauro são seu focinho curto como o de um buldogue e olhos voltados para frente, junto com bracinhos minúsculos, mais ainda que os do Tyrannosaurus rex, deixando sua aparência meio bizarra. Seus braços eram absurdamente pequenos, dotados de 4 dedos sem garras, dos quais só os dois centrais são mais longos, restando um vestigial e outro em forma de espora, todos enrijecidos, incapazes de serem flexionados.

Tudo no Carnotauro garante a ele uma vaga na galeria dos dinos estranhos, incluindo seu pescoço, cuja diferença está no comprimento, pois era mais longo do que o dos outros abelissaurídeos, terminando naquela pequena e curta cabeça, com um crânio profundo e uma mandíbula estreita e rasa, uma combinação um tanto incomum.
Alguns dizem que seu crânio ficou mais curto durante a evolução, outros afirmam que na realidade, o crânio não tornou-se mais curto e sim cresceu na altura, expandindo-se para cima no decorrer da evolução dos ancestrais deste dinossauro e por isso dá a impressão de que seu crânio é tão curto. Na verdade até é curto em relação ao corpo dele, porque é como se um dino menor evoluisse seu crânio em tamanho apenas para cima, e seu corpo também aumentasse, ficando com essa aparência desproporcional. Não posso garantir que uma teoria está mais correta do que outra, o que posso fazer é expor tais suposições e fica a seu critério acreditar na que mais lhe parecer plausível.
Cabeça do Carnotauro
©
Jorge Blanco

Por outro lado o Carnotauro não tinha só aparência diferente, tinha uma importante vantagem para um predador, que é a localização dos olhos na frente do crânio de forma a permitir o uso de visão binocular. Quando os dois olhos conseguem focar um mesmo ponto ao mesmo tempo as imagens dos dois se combinam no cérebro, tornando-se uma única imagem mais nítida, o que permite ótima percepção da profundidade. Geralmente predadores bem adaptados apresentam este tipo de visão para poder calcular com exatidão a distância em que se encontra a presa, sabendo assim o quão longe deve saltar ou morder para pegar a vítima. Nós humanos também temos visão assim, como outros primatas, porém a maioria dos herbívoros atuais possui visão lateral, em que olhos se situam ao lado da cabeça e permitem ver em todas as direções, para evitar um ataque surpresa de predadores que aproximem-se pelas costas. Imagine a cena seguinte: Cretáceo Inferior, Argentina - O Carnotauro dispara correndo atrás de um Chubutiasaurus, saindo de trás de pequenas árvores e começa a preparar o ataque ainda em movimento e tendo a visão binocular, calcula exatamente a distância e "nhoc", era uma vez o infeliz animal, que jaz com o pescoço quebrado entre os dentes do caçador.
E pode ficar certo de que ele corria bem, pois tinha pernas longas e finas, adaptadas para corrida, o que o coloca em vantagem em comparação aos pesados e desajeitados herbívoros que serviam de presas, além de superar outros predadores maiores e/ou mais lentos que ele, pois sendo mais veloz, podia capturar mais presas e caçar por maiores territórios.
Estudos mostraram que os músculos que fechavam as mandíbulas eram importantes para reduzir o estresse ou impacto no crânio durante as mordidas, que era mais fraca, aproximadamente 300 quilos, até menos que a de um leão, porém mais rápida que a de outros terópodes como o Allosaurus, capacitando o animal para dar cabeçadas na presa com o intuito de derrubá-la. Em uma pesquisa cientistas afirmam que a mandíbula do Carnotauro tem adaptações semelhantes às das cobras atuais, com uma espécie de juntas em ossos da mandíbula, o que permitia que o animal engolisse pedaços grandes de carne de uma única vez. Por isso é de se imaginar que o Carnotauro preferia comer animais pequenos, que caçava usando sua boa velocidade, terminado por engolir o bicho inteiro.
Muitos cientistas acham improvável que usasse os chifres em lutas, pois poderia machucar-se seriamente.
Carnotaurus com chifres coloridos seriam mais "atraentes"?
©
Gabriel Lio

Tais defensores desta hipótese afirmam que a função dos adornos era a exibição, talvez apresentando cores vivas, para atrair o sexo oposto ou afugentar rivais, fazendo o animal parecer mais perigoso do que é realmente. Por outro lado algumas propostas indicam que seus chifres serviriam de arma para luta em disputas sociais, sendo usados em combates entre os Carnotauros, segundo eles dando cabeçadas, como fazem os rinocerontes hoje.
Grupo de Carnotaurus em luta de marradas: seria possível?
© Luis Rey

Talvez os Carnotauros fossem animais sociais, que se reuniam e usavam os adornos da cabeça para exibir-se, em rituais de acasalamento, com o indivíduo que melhor se exibisse conseguindo o prêmio, neste caso o direito de acasalar com a fêmea fértil. Caso a exibição não fosse suficiente para terminar com os impasses, iniciariam os machos uma luta de marradas, batendo cabeça com cabeça, com todo o impacto sendo absorvido pelos músculos do pescoço.
Carnotaurus acasalando
© Luis Rey

Mais estranho do que o uso dos chifres em lutas intraespecíficas é a teoria proposa para uso dos mesmos para caça de presas. Segundo uma pesquisa o chifre do Carnotauro é semelhante ao dos bovídeos e em vida deve ter sido recoberto com uma camada queratinosa que aumentava o tamanho de toda a estrutura, permitindo que os chifres adotassem a clássica forma curvada para cima, criando uma forma de "U" na cabeça do animal. Tendo cornos assim o Carnotauro os usaria para ferir as vítimas com os mesmos, o que seria único entre dinossauros carnívoros, uma vez que nunca se provou que um animal caçasse assim. Na verdade esta hipótese no Carnotauro é um pouco especulativa e não existem provas concretas de tal comportamento.
Tudo isso foi descoberto em análises de apenas um esqueleto deste dinossauro, o único descoberto até hoje. Porém o fóssil está em excelente estado de preservação, porque a lama que o envolveu formou um casulo de rocha bem mais dura do que a que foi depositada mais tarde, permitindo a conservação de detalhes, incluindo impressões de pele. É considerado o mais bem preservado terópode de todo o hemisfério sul e um dos mais completos de todo o mundo.
© British Natural History Museum
Este esqueleto estava articulado, ou seja, todo montado como era no animal em vida e isso ajudou muito a entender sua anatomia, assim como as impressões da pele demonstram que ele era um dinossauro escamoso e não emplumado como alguns outros que viveram mais ao fim do Cretáceo.
Sua pele possuía escamas e fileiras de calombos desde a cabeça até à cauda, que eram maiores perto da coluna vertebral e sobre o dorso, por isso sempre é retratado com grandes calombos e chega às vezes a ser considerado um terópode "blindado", embora muitas vezes com exageros.
Carnotauro blindado: imagem legal, mas talvez exagerada
©
Damir G. Martin
Ouvi rumores de que a pele do Carnotaurus era listrada, com listras de cores meio rosa arroxeado, segundo o que paleontólogos deduziram baseados na pele fossilizada. No entanto não encontro fontes definitivas sobre essa afirmação e não posso garantir a veracidade da informação, uma vez que na época de descobrimento do animal não se podia descobrir a cor da pele deste pois não havia método que fosse eficaz neste objetivo. Hoje existe um método que permite verificar cores de penas de animais extintos, mas não sei se seria possível aplicá-lo à impressões de pele. Tal padrão de cor seria útil para camuflagem em meio à floresta e permitiria que o animal atacasse de surpresa um pequeno bicho que aparecesse sem notar que ali havia um predador. Essa teoria justifica a grande quantidade de desenhos retratando este animal com um padrão de cor listrado e em cores semelhantes à citadas.
Será que este animal era listrado como um tigre?
©
Federico Combi

Carnotauro é um dinossauro relativamente novo, sua descoberta data de 23 anos atrás, e durante esse tempo ele apareceu muito na mídia, o que o deixou famoso, além do fato de ser um dos dinossauros mais bem conhecidos do hemisfério sul. No livro O Mundo Perdido de Michael Crichton, ele é retratado como um dinossauro camaleão, ou seja tem a capacidade de mimetizar (imitar) tão bem as cores de um objeto ou ambiente que chegava a ser invisível, quase transparente como retratado no desenho abaixo. Sua capacidade de se camuflar só era afetada pela luz que evidenciava seu contorno e desestabilizava o ambiente, dificultando a copia das cores. Infelizmente para os fãs da franquia Jurassic Park, o bicho não foi retratado em nenhum dos filmes da série.
No filme Dinossauro, da Disney o dito Carnotaurus é retratado muito maior do que realmente é, chegando a mais de 10 metros de comprimento e era muito alto, uma clara tentativa de adequar seu tamanho ao de predadores como o T.rex e Giganotossauro, conhecidos por serem recordistas em tamanho dentre os carnívoros. Ambas as teorias, de tamanho exagerado e poder de camuflagem são falsas, então não acreditem nisso, que não passa de ficção para tornar a história mais atraente.
Carnotaurus Invisível© Vladimir Nikolov Carnotaurus "invisível
© Alvaro Jelsin

Este dinossauro também apareceu recentemente no anime Dinossauro Rei (Dinosaur King), que esta fazendo muito sucesso entre as crianças e jovens de várias partes do mundo. Em documentários o Carnotauro infelizmente não foi privilegiado, pois não há grandes produção do gênero retratando este animal, somente um documentário intitulado "Gigantes da Patagônia", exibido no Brasil pelo Discovery Channel, que mostrou uma animação do bicho.

Réplicas do esqueleto deste dinossauro estão espalhadas por diversos museus de vários países, incluindo no Brasil. Este dino já existe até em forma de brinquedo, sendo que as melhores réplicas são: Carnotaurus Battat, do Museu de Ciência de Boston, coleção produzida na década de 90 e o Carnotaurus Carnegie, sendo o primeiro fora de produção e o último disponível em duas cores, fabricado. Ainda temos o Carnotaurus da Sega, inspirado no personagem do desenho Dinossauro Rei e o Carnotauro da Toyway, feito para a coleção do Museu Britânico de História Natural e o agora fora de produção, Carnotaurus Schleich.
Carnotaurus Battat
©
Battat?

Recentemente a empresa Sideshow lançou um modelo de maquete retratando o Carnotauro, talvez o melhor modelo produzido em escala até hoje, no entanto é bem caro, custa mais de 200 dólares e tem uma quantia de peças limitada, fazendo parte da coleção Dinosauria. Outros brinquedos que retratam o "Touro Carnívoro" são os bonecos da franquia Jurassic Park e os bonecos que retratam os personagens do fime Dinossauro da Disney.
© Sideshow© Sideshow© Sideshow

Fontes

4 comentários :

lore disse...

Parabéns Patrick, ótimo post, falou bem do carnotauros, q é um dos meus dinos preferidos.

Flavia Santos disse...

Parabéns pelo excelente post, mais não concordo em uma coisa com você. No filme Jurassic park 3 aparece em um momento um Carnotauro sim. Pode procurar. (Caso eu esteja errada por talvez não ser um carnotauro ficaria feliz em que me responder corrigindo se eu estiver cometendo algum erro em minha observação).
Carnotauro é um dos meus dinos favoritos.

Flavia Santos disse...

Olá Patrick, ótimo post, falou bem sobre um dos meus favoritos.
Discordo em uma coisa com você, o Carnotauro aparece sim no Jurassic Park, mais no terceiro da franquia.
( Caso eu esteja errada sobre minha observação ficaria feliz em uma correção sua ).

Patrick disse...

Flavia

Obrigado pelo comentário. Bem posso esclarecer sua dúvida. O dinossauro que aparece em jurassic park 3 é um Ceratosaurus. Ele aparece logo depois que os personagens centrais se sujam todos de fezes do espinossauro em busca do celular de satélite. É o único predador com chifres do filme e é um Ceratossauro e não Carnotauro.