Às vezes o conteúdo que você procura não está na primeira página. Seja um paleontólogo no Ikessauro e procure aqui o conteúdo que deseja!



sábado, 12 de abril de 2008

Quetzalcoatlus

© Vlad Konstantinov


© Big Bend National Park

Você não quer conhecer a história da descoberta deste réptil alado? Vamos lá então, começando pelo primeiro achado, que ocorreu em 1971, quando Douglas A. Lawson ainda era um estudante universitário de geologia e procurava fósseis no Big Bend National Park. Em uma busca na Formação Javelina, datada do Maastrichtiano, ele fez uma interessante descoberta. Ali jazia um osso fino e longo, pertencente à asa de um animal extinto, cujo fóssil ali estava preservado, contendo ainda ossos do antebraço. Lawson acabara de encontrar os primeiros fósseis de um animal desconhecido, segundo seu professor que estava supervisionando o trabalho, seria um réptil alado, formalmente chamado pterossauro. Eles nem imaginavam que este bicho tornaria-se muito famoso pelo seu tamanho, pois na época ainda não podiam calcular seu tamanho pela falta do esqueleto completo.
Lawson encontrou logo depois um segundo local bom para escavar, cerca de 40 quilômetros de distância do primeiro achado, e ali neste novo sítio ele e o Professor Wann Langston Jr. do Texas Memorial Museum desenterraram pelo menos mais 3 esqueletos, incompletos e pertencentes a indivíduos menores entre 1971 e 1974.
Os pequenos exemplares foram estimados em 5,5 metros de envergadura e a partir das proporções destes esqueletos calcularam também a medida do primeiro fóssil, tendo sido na época estimado em mais de 10 metros de envergadura, com medidas variando de 11 a 21 metros. A medida intermediária proposta na época era de 15,5 metros e foi adotada como medida oficial do maior exemplar da espécie. Atualmente temos um melhor conhecimento sobre a família Azhdarchidae, a que pertence este animal, e podemos estimar seu tamanho com mais precisão em torno de 11 metros.
Quetzalcoatlus northropi, Homem e Girafa: ele era bem grandinho
©
Mark Witton

Sabia que um animal recém descoberto no registro fóssil não recebe um nome já de cara? Sim, a nomeação ou batismo é demorada, pois é necessário um estudo detalhado do fóssil para que ele receba uma classificação e um nome e foi isto que aconteceu com este pterossauro, que só recebeu um nome 4 anos após a descoberta, em 1975, num artigo publicado na revista Science. No artigo Lawson apenas publicou a descoberta dos fósseis, do maior e dos outros 3 esqueletos menores de pterossauros semelhantes que ele havia descoberto os últimos 5 anos e só em novo texto enviado à revista algum tempo depois, mas ainda em 1975, é que ele deu nome ao animal.
O maior fóssil, marcado no museu como TMM 41450-3, foi definido como o holótipo para um novo gênero de pterossauro, que Lawson chamou Quetzalcoatlus northropi com o primeiro nome, que é o de gênero, baseado no nome de um deus asteca chamado Quetzalcoatl, cujo corpo teria forma de uma serpente emplumada voadora.
Representação do deus asteca Quetzalcoatlus © Danny Staten
Já o segundo nome, northropi, que é o da espécie e homenageia John Knudsen Northrop, o fundador da Northrop Corporation, uma empresa especializada em produzir aviões e que estava interessado em um design de avião grande sem cauda, o que é parecido com a forma do pterossauro. O nome foi dado apenas ao animal maior, sendo que os menores ficaram sem nome definido.
Qualquer pessoa, inclusive você, poderia pensar que sendo menores, estes fósseis pertenceram a alguns exemplares que morreram jovens ou bem no início da vida adulta. É normal pensar isto quando se encontra dois animais aparentemente iguais, porém de tamanho diferente. E foi exatamente o que aconteceu, pensaram que tais pterossauros eram exemplares jovens de Q. northropi. A teoria só foi deixada de lado com o achado de restos mais completos, que levam todos a acreditar que se trata de uma espécie diferente, porém ainda existem dúvidas.
Embora os exemplares da espécie menor sejam mais completos, incluindo até 4 crânios fragmentados, foi difícil definir se é a mesma espécie, Q. northropi, ou se trata-se de nova espécie, por isso em 1996, um estudo feito pelo brasileiro Alexander Kellner e Langston nomeou os fósseis apenas provisoriamente, com o nome Quetzalcoatlus sp., apresentando corpo menos robusto.
© Keiji Terakoshi
Posteriormente outros fósseis parecidos foram encontrados, como em 1995, quando um esqueleto parcial de um azhdarchídeo juvenil foi descoberto no Dinosaur Provincial Park, provavelmente um Quetzalcoatlus ou um outro pterossauro da mesma família. A carcaça tinha sido devorada por um pequeno dromaeossaurídeo, Saurornitholestes, e sabe-se disso porque ele quebrou um dente ao morder um dos ossos da asa, ficando ali o dente preso, que posteriormente se fossilizaria junto com o réptil voador.
Descobertas mais recentes em Hell Creek, precisamente em 2002, renderam restos de um azhdarchídeo, que supõe os pesquisadores, tenha pertencido a um Quetzalcoatlus, mas é difícil dizer com certeza, uma vez que se trata de apenas uma vértebra do pescoço.
Outro fóssil, cuja marcação no museu é BMR P2002.2, foi encontrado por acaso, pois paleontólogos escavavam um tiranossaurídeo e envolveram em gesso um grande bloco de rocha com os restos do carnívoro, mas a surpresa veio ao abrir a rocha e encontrar junto com os ossos do terópode um esqueleto parcial de pterossauro. Embora os fósseis tenham ficado juntos, não há indícios de que o dinossauro devorou o bicho alado, dizem os cientistas, apesar de alguns retratarem a cena, como na imagem a seguir.
Tyrannosaurus rex se alimenta de um Quetzalcoatlus
© David Peters
Acredito que ocorreu exatamente o contrário, que o pterossauro desceu para devorar a carniça do tiranossaurídeo e morreu ali por algum motivo, ficando preservado junto com o dinossauro.
Você deve estar imaginando como era exatamente o Quetzalcoatlus e além de lhes mostrar com as imagens, que explicam melhor do que qualquer texto, tentarei descrever o animal com palavras.
Sendo um pterossauro, ou réptil voador, este vertebrado é bem semelhante aos demais conhecidos, mas ao mesmo tempo é diferente. Seu pescoço é mais longo que os de outros pterossauros e o crânio é bem fino e longo, com crista aparentemente pequena. Suas asas eram feitas de uma membrana finíssima de pele que se estendia do corpo e pés traseiros ao 4º dedo da mão, que é muito alongado. Ao contrário das asas de morcegos, em que todos os dedos são ligados pela membrana, as asas de pterossauros tinham todos os outros dedos livres e dotados de garras, talvez para pegar presas ou agarrar-se em penhascos.
Segundo algumas pesquisas, Pterossauros possuíam escamas modificadas em forma de fibras que recobriam as asas e provavelmente partes do corpo. Devem ter evoluído desta forma para ajudar a manter a temperatura corporal do animal, o que induz cientistas a pensar que eram endotérmicos, ou seja, tinham sangue quente.
Há algum tempo o Quetzalcoatlus era retratado com um bico mais largo e de ponta arredondada, mas essas características estavam incorretas, pois de alguma forma, talvez no armazenamento dos fósseis em algum depósito, restos da mandíbula de um pterossauro diferente, possivelmente de um tapejarídeo ou com parentesco próximo, se misturaram aos do gigante voador, e causaram a má interpretação da forma do bico do animal.
Mas os novos fósseis da espécie Q. sp. permitiram observar o crânio em detalhes e ver sua forma real, que é bem pontuda e afiada, além da presença de uma crista na parte de trás da cabeça, embora não tenha sido possível definir a forma e tamanho exatos desta devido ao estado de conservação.
Observe o bico pontudo do bicho
©
Todd Marshall

Seu tamanho chama muito a atenção e por muitos é considerado o maior dos répteis alados, embora outros possam ter sido ainda maiores, como um outro azhdarchídeo chamado Hatzegopteryx. Há ainda outros destes animais que chegavam a tamanho semelhante, como o Ornithocheirus que é quase do mesmo tamanho e o Pteranodon, pouco menor.

Quando se fala de um animal voador espera-se que ele tenha características favoráveis ao voo, como um corpo aerodinâmico, tamanho adequado e peso leve, que são indispensáveis para sair do chão. Os pterossauros compensam o tamanho grande com ossos leves e ocos, como as aves atuais e tem um corpo com design próprio para voar. As estimativas de massa corporal para o Quetzalcoatlus, que é grande, variam bastante porque cada especialista tem seu ponto de vista e calcula a seu modo. Um estudo de 2002 sugeriu que o animal teria entre 90 a 120 quilos, enquanto que novos cálculos elevaram esta estimativa, com alguns propondo um peso de 200 a 250 quilos.
Os debates sobre o tamanho do Q. northropi focam no tamanho máximo que um animal pode ter e ainda assim conseguir voar. Um animal grande demais teria problemas para decolar e pousar e tudo mais e por isso os estudiosos pensam que se existe um limite de tamanho para animais voadores, o Quetzalcoatlus chegou a esta marca.
Pra que você tenha uma ideia de quão grande este réptil foi, imagine um pequeno avião, daqueles de apenas dois lugares e terá o tamanho do pterossauro. Ela tão colossal que alguns duvidam que ele tenha mesmo voado, pelo menos não na maior parte do tempo, como anunciaram num estudo em 2008 os paleontólogos, especialistas em pterossauros, Darren Naish e Mark Paul Witton, no seu artigo sobre hábitos alimentares e ecologia dos azhdarchídeos, o grupo ao qual pertence o pterossauro foco desta postagem. Eu inclusive postei aqui no Blog do Ikessauro sobre esta pesquisa, e sugiro que confira para ter mais detalhes, clicando aqui.

Segundo os dois, a maior parte destes répteis voadores foram encontrados em rochas que estão muito longe de qualquer oceano ou grande depósito de água e que no Cretáceo o local onde viveram também não tinha nenhum mar ou grande lago por perto, o que provaria que não eram animais pescadores. Afirmam também que a anatomia do bico, pescoço e mandíbula são bem diferentes da dos pterossauros pescadores, outro indício de que deveriam comer várias coisas, não somente peixes, pois as fontes de água locais não teriam uma quantidade tão grande deste animais.
Mas estes não foram os primeiros a duvidar desse hábito pescador do Quetzalcoatlus, pois o próprio descobridor do bicho, Lawson, rejeitou a teoria de que este réptil era piscívoro já em 1975. Ele sugeriu que este era um carniceiro, como algumas espécies de aves atuais. Você deve estar pensando o que o levou a imaginar isto, e com certeza vou contar como ele chegou à esta teoria. Ele disse que deviam alimentar-se de restos de Saurópodes como os titanossaurídeos Alamosaurus, pois quando buscava por restos desses dinossauros ele encontrou ossos destes pterossauros gigantes junto com os dos grandes herbívoros.
Em um documentário do Discovery Channel, "Quando os Dinossauros Reinavam na Terra", foi demonstrada a teoria da alimentação com base em carniça, pois há uma cena em que o animal pousa para devorar uma carcaça de Triceratops.
Quetzalcoatlus prepara-se para o banquete
© Discovery Channel

Outro documentário do Discovery Channel, "Dino Planet", sugere no episódio "Das: O Caçador", que os animais desta espécie viviam em montanhas, de onde saltavam planando para alçar voo e seguir voando até o grande mar interior que havia no meio da América do Norte na época para pescar, afinal, com todo aquele tamanho seria fácil percorrer grandes distâncias. Esta teoria no entanto parece bem improvável.
Quetzalcoatlus na Montanha em Dino Planet © Discovery Channel

Em 1996, Thomas Lehman e Langston rejeitaram a hipótese de que o animal fosse carniceiro, pois perceberam que a mandíbula inferior é curvada para baixo e até mesmo quando o bico era fechado completamente sobrava um espaço de mais de 5 centímetros entre as mandíbulas, o que é bem diferente do observado em aves carniceiras atuais.

Eles sugeriram novamente a teoria de alimentação a base de peixes, porque acreditavam que com suas vértebras cervicais longas e mandíbulas longas e sem dentes, o Quetzalcoatlus alimentava-se como as modernas gaivotas, que voam sobre a água usando o bico para pegar peixes na superfície.
A teoria foi largamente aceita, mas não foi provada cientificamente, até que uma pesquisa publicada em 2007 mostrou que era impossível um comportamento deste tipo para grandes pterossauros porque o gasto de energia necessário para tal objetivo seria muito alto, o que só comprovou o que Lawson pensava e no futuro viria a servir para Naish e Witton como base de sua proposta.

Witton e Naish acreditam que os pterossauros azhdarchídeos usavam as asas na maior parte do tempo como pernas, andando no chão em postura quadrúpede e que se alimentavam de pequenos vertebrados, assim como fazem as cegonhas atuais, complementando a dieta com pequenos peixes capturados em córregos mais modestos.
Outra teoria interessante é a de que os membros destes pterossauros eram proporcionalmente semelhantes aos mamíferos de casco atuais, que são corredores. Isso provaria que o Quetzalcoatlus passava a maior parte do tempo caminhando no chão e voava só em certas ocasiões.

Mas se ele não voava, não era por incapacidade, porque estudos provaram que o Quetzalcoatlus poderia ter se impulsionado e alçado voo sozinho, sem precisar saltar de certa altura, mas uma vez que estava no céu deve ter preferido "ficar de boa", planando tranquilamente na maior parte do tempo, o que gasta menos energia. No entanto alguns discordam e afirmam que não teria força muscular suficiente para correr e impulsionar-se, nem esqueleto e músculos adaptados para um constante bater de asas, que supostamente o manteria no ar.
Ainda alguns afirmam que poderia ficar em penhascos para saltar e iniciar um voo planado ou ainda aguardar que o sol aquecesse o solo até criar correntes de ar quente ascendentes, que seriam usadas para dar o primeiro impulso. Outra teoria é a de que esperando pela brisa certa ele daria apenas um impulso com as pernas e com uma única batida de asas estaria no ar.
Em comparação com pássaros, ele poderia pousar até que suavemente devido ao tamanho das asas que ajudavam a diminuir a velocidade da descida, mas só pousariam no solo, pois sua anatomia, tamanho e pés traseiros fracos não permitiriam um hábito arborícola.

Para testar a capacidade de voo deste vertebrado, um programa patrocinado por Johnson Wax envolveu a construção de um modelo mecânico que voava. Era mais ou menos a metade do tamanho do Q. northropi, aproximadamente o tamanho de Q. sp. e tinha um computador simples funcionando como piloto automático. O experimento funcionou e o modelo voou pelo céu com uma combinação de planagem e bater de asas. O modelo agora está guardado no Museu do ar e espaço, no Smithsonian Institute.

Durante o período Cretáceo, o clima do Texas era similar ao clima de áreas tropicais costeiras, perto de charcos e lagoas, estendendo-se ao longo do mar interno que cortava a América do Norte. Ossos de animais relacionados são também conhecidos do Dinosaur Provincial Park de Alberta - Canadá.
Tendo sido encontrado em camadas levemente mais velhas que a extinção do Cretáceo - Terciário, o Quetzalcoatlus provavelmente foi extinto junto com os dinossauros no Evento K-T, pois o clima estava mudando, o mar interior estava secando e o ambiente não tolera a má adaptação, então este gigantesco azhdarchídeo e outros pterossauros acabaram extintos, se não pela falta de adaptação, pela extinção em massa, supostamente causada por um meteorito gigante.

O marco da "carreira artística" do Quetzalcoatlus foi o filme da IMAX de 1986 chamado "On the Wing" (Na Asa), pois ele é assunto principal nesta produção, que mostrou um modelo mecânico sendo construído e testado com sucesso, conseguindo voar. Também apareceu no episódio 6 da série Caminhando com os Dinossauros. Além destes, aparece nos documentários já citados do Discovery Channel e em Animal Armageddon.
Em Dinotopia o Quetzalcoatlus é usado como um animal de montaria para voo e patrulha, recebendo o nome ficcional Skybax.
Skybax
© James Gurney

Existem até lendas no Texas, de que pterossauros foram vistos na região, vivos e atacando carros e animais. Porém nunca foi provado que qualquer animal pré-histórico, nem o Quetzalcoatlus, esteja vivo atualmente e tais histórias devem ser consideradas apenas mitos, gerados a partir das descobertas de fósseis de grandes répteis alados naquela região

Fontes

3 comentários :

lps e mlp carterlot disse...

oi, o quetzal aparece no jogo ark no jogo pode se construir uma casa em cima dele ,você já jogou ou ouvio falar de ark survival evolved é um jogo legal , lá tem muitos dinossauros e animais pré-históricos ,acho que você iria gostar de joga-lo .O jogo é para PC(computador).meu nome é Gabriel

Patrick disse...

Oi Gabriel, obrigado pela dica. Eu até já tenho o Ark no PC, mas não consigo jogar porque a placa de vídeo é fraca demais.

★ʝѳcɛʆɱɑ รɑɳt´ ɑɳɑ★ disse...

essa imagem é minha 1 tatoo