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quinta-feira, 3 de abril de 2008

Sauropoda

Da esquerda para a direita: Plateosaurus, Diplodocus, Mamenchisaurus, Brachiosaurus e Jobaria
© Sergio Pérez
Dinossauros estão presentes na vida de praticamente todo mundo atualmente, e não adianta dizer que nunca viu um desenho de um ou um brinquedo durante a infância ou até mesmo que nunca viu um filme sobre o tema. Sem dúvida, entre os dinossauros há um grupo que ganha atenção especial, pois seu porte e formato corporal os tornaram queridos por crianças do mundo todo, e também por adultos. Falo deste grupo chamado Sauropoda, que tem o nome originário do Grego, nome este dado por Othniel Charles Marsh em 1878 e que significa "Pés de Lagarto" ou "Pés de Réptil". Não sabe de quem falo? Quem nunca ouviu falar do dinossauro "Pescoçudo" hein? Para saber mais sobre estes bichões você precisa somente expandir a postagem e ler o conteúdo completo.

Todos sabem quem são eles, os maiores animais que pisaram no planeta Terra, há milhões de anos atrás. Eles eram como os Terópodes, dinossauros saurisquianos, ou seja, que têm bacia semelhante à de um réptil, característica que os faz pertencer à ordem Saurischia, agrupados na infraordem chamada de Sauropoda ou em bom e velho português, Saurópodes.
O ísquio do Apatossauro é virado para frente, por isso o animal é considerado um saurisquiano, assim como todos os saurópodes e terópodes
© Scott Hartman
Eles são notáveis pelo enorme tamanho em algumas espécies, e o grupo inclui muitos dos maiores animais terrestres que já viveram, dentre os quais, os gêneros mais conhecidos são provavelmente Apatosaurus, Brachiosaurus e Diplodocus.
Evolução: surgimento e fim dos dinos de pescoço longo
Saurópodes apareceram primeiramente no final do período Triássico, época em que tomavam forma como o grupo Prosauropoda, que provavelmente é o ancestral dos grandes Saurópodes, mas que naquele período ainda não cresciam tanto. Estes animais não são considerados realmente como saurópodes verdadeiros, que fazem parte do grupo Eusauropoda. Os Prosauropodes eram animais mais basais, primitivos, com tamanho reduzido, até 10 metros, com pescoço longo e uma garra afiada nos membros dianteiros para defesa, sendo herbívoros e semiquadrúpedes, andando em posição bipedal quando queriam. Acreditava-se que eram ancestrais dos verdadeiros saurópodes, mas hoje são considerados por alguns pesquisadores como uma linhagem paralela, com parentesco próximo, definindo assim a Infraordem Prosauropoda. Com o fim do Triássico e começo do Jurássico, a maioria dos prossaurópodes mais basais foram extintos. Uma pequena variedade deles sobreviveu, mas extinguiu-se pouco depois.
Comparação entre um Prossaurópode (Massospondylus) e um Eusaurópode (Brachiosaurus)
© Gabriel Lio(Massospondylus) e Isis (Brachiosaurus)

No Jurássico Superior, cerca de 150 milhões de anos atrás, os eusaurópodes estavam espalhados e bem desenvolvidos em todo o mundo, principalmente os diplodocídeos e braquiossaurídeos. No Cretáceo Superior foram substituídos por outro grupo de saurópodes, chamados Titanossauros, distribuídos praticamente por todo o globo. Como os demais dinossauros não-avianos, os saurópodes foram extintos no evento K-T (Cretáceo - Terciário). Restos fossilizados destes animais foram achados em todos os continentes, exceto na Antártica.
A História dos Titãs
Os primeiros fragmentos fósseis agora reconhecidos como sendo de um saurópode foram encontrados na Inglaterra e foram originalmente interpretados de diferentes modos, menos como sendo de um dinossauro saurópode. Só muito tempo depois, um saurópode foi reconhecido e descrito como deveria, a partir de um dente descrito como Rutellum implicatum, ainda usando uma nomenclatura não lineana. Esse fóssil foi descrito por Edward Lhuvd em 1699, mas não foi reconhecido com um réptil pré-histórico gigante no mesmo ano. Richard Owen só publicou um estudo descrevendo saurópodes em 1841, nomeando Cetiosaurus e Cardiodon, porém sem saber que eles eram mesmo dinossauros. O Cardiodon foi descrito com base em somente 2 dentes, que tinham forma de coração, daí o nome dado ao bicho, animal este que não se sabe exatamente qual era, se era mesmo um réptil.
Já o Cetiossauro foi descrito como um réptil marinho de aparência similar a de uma baleia, daí o nome que significa "Réptil Baleia". Um ano depois Owen criou o nome Dinosauria, mas não incluiu os dois animais citados neste grupo.
Em 1850, Gideon Mantell reconheceu que os ossos do Cetiossauro eram realmente de dinossauros, pois os ossos da perna tinham cavidades medulares, característica de animais terrestres. Mudou o nome do animal para o gênero Pelorosaurus e agrupou o mesmo dentro do grupo de animais considerados dinossauros.
Os próximos fósseis de saurópodes descritos foram estudados por Harry Seeley em 1870 e novamente identificados incorretamente, como qualquer outra coisa que não foi um dinossauro, tudo baseado poucas vértebras de um animal.
Seeley determinou que os ossos eram leves, construídos para serem leves em comparação ao seu tamanho, contendo sacos de ar no seu interior. Tais sacos aéreos eram até então somente conhecidos em pássaros e pterossauros, então, Seeley considerou que a vértebra pertenceu a um pterossauro. Ele nomeou este animal com o nome Ornithopsis, que quer dizer "Rosto de Pássaro".
Quando um espécime mais completo do Cetiossauro foi descrito por Phillips em 1871, ele finalmente reconheceu que o animal era um dinossauro relacionado ao Pelorossauro, porém isto não aconteceu antes das descobertas de saurópodes novos e quase completos nos Estados Unidos, como Apatossauro e Camarassauro, no mesmo ano em que foi feita a primeira imagem de um saurópode completo.
Representando um Camarassauro com anatomia meio bizarra, um esqueleto foi desenhado por John A. Ryder e publicado pela primeira vez em 1877. O animal foi retratado com a anatomia totalmente incorreta, devido à falta de conhecimentos que só seriam adquiridos mais tarde com estudos sobre a biomecânica dos saurópodes.
O Camarassauro: primeiro esqueleto de saurópode desenhado
©
John A. Ryder

Também em 1877, Richard Lydekker nomeou outro relativo do Cetiossauro, o Titanosaurus, baseado em uma vértebra isolada. Em 1878, o saurópode mais completo já encontrado até então foi nomeado por Othniel Charles Marsh como Diplodocus.
Com este achado, Marsh também criou um novo grupo contendo Diplodocus, Cetiosaurus e seus parentes, para diferenciar os mesmos dos outros grupos de dinossauros. Marsh nomeou o grupo como Sauropoda, que deriva de termos Gregos, Sauro = Réptil e Podos = Pés, que interpretamos como "Pés de Réptil", isto em 1878.
O. C. Marsh: criador do termo Sauropoda
© Domínio Público
Como se classificam os Saurópodes?
A classificação dos saurópodes se estabilizou bastante nos últimos anos, apesar de ainda existirem alguns dados inconclusivos, como a posição do Euhelopus, Haplocanthosaurus, Jobaria e Nemegtosauridae dentro da árvore genealógica.
A seguir existem duas classificações alternativas recentes. Os esquemas de classificação às vezes variam, de acordo com o pesquisador que o montou, principalmente com as descobertas de novos gêneros. Em alguns casos, famílias como Vulcanodontidae, Cetiosauridae e Omeisauridae não são incluídas porque elas são consideradas parafiléticas, ou até mesmo, como no caso de Camarasauridae, polifilética.

Abaixo você confere uma classificação taxonômica que se baseia nos dados de Wilson & Sereno 1998, Yates 2003, Galton 2001 e Wilson 2002, Benton, 2004.

Infraordem Sauropoda
  • Ammosaurus
  • Anchisaurus
  • ?Isanosaurus
  • Kotasaurus
  • Lessemsaurus
  • Família Blikanasauridae
  • Família Melanorosauridae
  • Família Vulcanodontidae
  • Família Cetiosauridae
  • Família Omeisauridae
  • ? Família Tendaguridae
Clado Turiasauria
Divisão
Neosauropoda
  • Haplocanthosaurus
  • ?Jobaria * (veja nota ao fim do esquema)
Super Família Diplodocoidea
  • Família Rebbachisauridae
  • Família Dicraeosauridae
  • Família Diplodocidae
Subdivisão Macronaria
  • Família Brachiosauridae
  • Família Camarasauridae
  • Família Euhelopodidae
Superfamília Titanosauroidea


* Nota sobre Jobaria - (Doulgal Dixon em seu The Illustrated Encyclopaedia of Dinosaurs (2006, p. 167), aponta que Jobaria é, na realidade uma "quimera". Em outras palavras, dois animais diferentes teriam sido fossilizados juntos e Werner Janensch, paleontólogo alemão (1878 - 1969), teria erroneamente considerado como uma única e nova espécie. )

Cladograma simplificado dos Saurópodes
© Wikimedia/Wilson, 2002
Já se tratando dos primitivos Prossaurópodes, podemos classificá-los da seguinte maneira:
Classificação a partir de Yates (2003) e Galton (2001)

Subordem Sauropodomorpha
  • ?Azendohsaurus
  • Saturnalia
  • Thecodontosaurus
  • Efraasia
  • Panphagia
Infraordem Prosauropoda
  • ?Yimenosaurus
  • ?Mussaurus
Família Riojasauridae
  • Eucnemesaurus
  • Riojasaurus
Plateosauria
Família Plateosauridae
  • Plateosaurus
  • Sellosaurus
  • Unaysaurus?
Família Massospondylidae
  • Coloradisaurus
  • Lufengosaurus
  • Massospondylus
  • Yunnanosaurus
  • Jingshanosaurus
Como eram os saurópodes?
Os Saurópodes eram animais herbívoros, em sua maioria quadrúpedes, portando um longo pescoço e cabeça pequena, com uma boca dotada de dentes em forma de espátula, além do corpo enorme, pesado, com caudas longas e finas servindo de contra peso para o pescoço. Suas pernas eram grossas como colunas que sustentam peso extremo, terminando em pés largos com 5 dedos cada.
Achados de saurópodes quase nunca resultam em esqueletos completos. Muitas espécies, especialmente as maiores, só são conhecidas a partir de ossos isolados e desarticulados. Muitos esqueletos mais completos geralmente estão sem a cabeça, ponta da cauda e membros, mas mesmo assim há material suficiente para sabermos como eles eram.
A característica mais marcante dos saurópodes foi o tamanho. Veja a seguir alguns dados interessantes sobre os maiores, menores e ainda mais alguns recordes estranhos destes bichos.

Os maiores saurópodes
Abaixo você confere uma lista dos dados de comprimento, peso ou altura de saurópodes recordistas nestes quesitos, encontrados à disposição na internet. Atenção: as medidas são aproximadas, pode haver divergências entre diversas fontes devido à falta de restos fósseis completos. Foi levado em consideração apenas o comprimento do animal nesta lista, ou seja, seu tamanho total medido da cabeça à cauda. Além do mais, a lista abaixo foi montada a partir de 4 fontes, o livro The Illustrated Encyclopaedia of Dinosaurs de Dougal Dixon, o site Wikipedia (versão americana) e o site DinoDatabase, além de consultas ao site DinoData.
Comparação entre os maiores: clique na imagem para ver os nomes de cada espécie
©
Matt Martyniuk
  • Amphicoelias = 58 metros de comprimento (restos fósseis nulos, não deve ser considerado como o maior devido à falta de provas fósseis. A única vértebra encontrada era incompleta e foi perdida, só restou um desenho da mesma.
  • Seismosaurus = 36 a 54 metros de comprimento (dados inconclusivos devido aos fósseis serem muito fragmentados e raros. Devemos duvidar das medidas do Seismossauro até encontrarem um exemplar bem completo).
  • Andesaurus = 40 metros de comprimento (dados inconclusivos, pois foram encontrados apenas alguns ossos da perna e algumas vértebras).
  • Antarctosaurus = 40 metros de comprimento (embora o esqueleto encontrado seja quase completo, há dúvidas que pertença mesmo a este gênero).
  • Futalognkosaurus = 35 metros de comprimento (relativamente bem completo, pode ser o maior saurópode já encontrado com bom material fóssil).
  • Puertasaurus = 35 metros (pouco material fóssil, a estimativa é mera especulação, por isso pode sofrer redução).
  • Bruhathkayosaurus = 34 metros de comprimento (inconclusivo, poucos fósseis foram achados, ainda não foram propriamente descritos. Por isso toda estimativa deste dino é somente especulação).
  • Argentinosaurus = 32 metros de comprimento (considerado o maior saurópode, pois seus restos são relativamente mais completos que os dos outros).
  • Supersaurus = 30,5 metros de comprimento (Conhecido a partir de material muito fragmentário, o tamanho é especulativo enquanto não houverem novos achados deste animal).
  • Ultrasauros = 30,5 metros de comprimento (Considerado agora como sinônimo de Supersaurus, ou seja, a mesma espécie).
  • Sauroposeidon = 30,5 metros de comprimento (Tamanho duvidoso, afinal o animal provavelmente mantinha o pescoço alto, por ser um Braquiossaurídeo, reduzindo o tamanho em comprimento).
  • Hudiesaurus = 30 metros de comprimento
  • Turiasaurus = 30 metros de comprimento
  • Paralititan = 30 metros de comprimento
  • Barosaurus = 27 metros de comprimento
  • Diplodocus = 27 metros de comprimento
  • Brachiosaurus = 25 metros de comprimento
  • Apatosaurus = 25 metros de comprimento
  • Mamenchisaurus = 22 metros de comprimento (a maior espécie chegou a 25 metros, porém não tem tanto material preservado como este exemplar menor).
  • Giraffatitan = 21,8 m *(Veja nota ao fim da lista)
  • Haplocanthosaurus = 21.9 metros de comprimento
  • Alamosaurus = 21 metros de comprimento
  • Omeisaurus = 20 metros de comprimento
  • Bothriospondylus = 20 metros de comprimento
* Nota sobre Giraffatitan - (Alguns pesquisadores dizem ser sinônimo de Brachiosaurus, mas outros dizem que é uma espécie diferente e que é menor, por isto inseri separadamente na lista. Segundo Dougal Dixon, (The Illustrated Encyclopaedia of Dinosaurs, 2006, p. 136) o esqueleto famoso de um suposto Brachiosaurus em exposição no Museum Humboldt - Berlim, seria na verdade composto de fósseis de 5 indivíduos diferentes de Giraffatitan).

Outros saurópodes detêm recordes diferentes, como os braquiossaurídeos, que foram os mais altos, com ombros mais altos e pescoços bem longos. O Sauroposeidon é provavelmente o mais alto, chegando a cerca de 18 metros de altura.
Sauroposeidon: vivia com a cabeça nas nuvens
© Vladimir Nikolov
O título de pescoço mais longo em relação ao tamanho do corpo é do Mamenchisaurus, com 11 metros só do pescoço, ou seja, metade do corpo. Não sei ao certo se isso é possível, mas pode ser que o Sauroposeidon com toda aquela altura ganhasse do Mamenquissauro em tamanho de pescoço.
Mamenchisaurus: seu pescoço gigante era útil para comer
© Jan Sovak/Dover Publication, Inc

O recorde de cauda mais longa em relação ao corpo é do Diplodocus, com cerca de 14 metros só de cauda.
Diplodocus: em matéria de cauda era campeão
© Sergio Pérez


O mais pesado é também o Argentinossauro, com cerca de 99 toneladas, seguido do Seismossauro com 90 toneladas.
Argentinossauro: seu tamanho combina com a mania de grandeza dos "hermanos"
© Vladimir Nikolov
Um outro titanossauro gigantesco e mais pesado foi encontrado, mas as evidências são poucas, só alguns poucos fragmentos. Seria ele o Bruhathkayosaurus, com cerca de 190 a 240 toneladas, medidas que acredito serem excessivas. Caso encontrem mais restos deste dino indiano, penso que seu tamanho e massa corporal será revisto e com certeza reduzido.
Os menores titãs
Por outro lado, enquanto alguns animais deste grupo eram gigantescos, outros eram até "normais" se comparados aos outros dinossauros, de outros grupos.
Observe abaixo a lista com os menores saurópodes já descobertos. As informações foram tiradas de RICHARDSON, Hazel (Dinosaurs and Prehistoric Life), de DIXON, Dougal (The Illustrated Encyclopaedia of Dinosaurs) e da Exposição Dinos na Oca (São Paulo):
  • Anchisaurus = 2,4 metros de comprimento
  • Ohmdenosaurus = 4 metros de comprimento
  • Blikanasaurus = 5 metros de comprimento
  • Magyarosaurus = 5,3 metros de comprimento
  • Europasaurus = 6 metros de comprimento
  • Vulcanodon = 6,5 metros de comprimento
  • Isanosaurus = 6 metros de comprimento (O espécime não é adulto)
  • Camelotia = 9 metros de comprimento
  • Tazoudasaurus = 9 metros de comprimento
  • Antetonitrus = 8-10 metros de comprimento
  • Shunosaurus = 10 metros de comprimento
  • Brachytrachelopan = 10 metros de comprimento
  • Amazonsaurus = 10 metros de comprimento
Anchisaurus: com só 2,4 metros pode ser considerado o menor saurópode
© Dorling Kindersley

A estatura pequena em alguns animais era normal, mas em alguns dos citados na lista, provavelmente foi causada devido aos bandos destes saurópodes terem vivido em ilhas, o que resultou na diminuição do tamanho. As ilhas, por representarem um território limitado, restringem o crescimento de plantas e quanto menos plantas, menos animais grandes conseguem sobreviver, assim os maiores tendem a adaptar-se, diminuindo sua estatura.
Pode ser também que a vida em um local isolado funcionasse como nas ilhas, por exemplo, em um vale pequeno sem acesso ao exterior devido à geografia, que pode ser montanhosa demais ou cercado por grandes, íngremes e altos penhascos que impedem a saída, os animais, presos, tendem a adaptar-se ao ambiente.

Voltando a falar da aparência geral dos saurópodes, podemos dizer que o formato do corpo não variava muito do de outros dinossauros, embora em tamanho eles variassem bastante, sendo alguns extremamente longos, outros mais "curtos" e uns mais altos, outros mais baixos. Todos tinham os pés situados abaixo do corpo, igual aos outros dinossauros e todos tinham caudas igualmente posicionadas, paralelas ao solo, não arrastando as mesmas como se pensava antigamente. A diferença grande ficava no pescoço e na cabeça, pois o primeiro era sempre longo, como nunca se viu em um terópode ou hadrossauro, assim como na maioria dos outros dinos e a cabeça pequena ainda tinha narinas no alto do crânio.
Como eram quadrúpedes com grande massa corporal, os saurópodes desenvolveram membros especializados em suportar este peso. Particularmente, se comparados com os pés de outros animais, os pés dianteiros dos saurópodes eram incomuns, pois em vez de apoiar-se nos dedos espalhados para os lados para formar uma base larga e estável, os dedos dos membros dianteiros eram reduzidos e ficavam dispostos verticalmente. Somente alguns saurópodes mais primitivos tinham os pés com dedos mais longos e "espalhados", e como exemplo podemos usar o Vulcanodon.
Os pés dianteiros eram modificados nos eusaurópodes (só saurópodes verdadeiros, não os prossaurópodes), sendo que os dedos não eram vistos individualmente em vida, pois o pé formava uma estrutura parecida com o pé do elefante, porém menos "acolchoada".

A disposição dos ossos formava uma estrutura de colunas semicircular, por isso pegadas de saurópode mais parecem ferraduras. Os elefantes atuais têm uma camada de carne, parecida como uma almofada, situada abaixo do pé, o que impede machucaduras e absorve o impacto do peso do animal, no entanto os saurópodes parecem não ter possuído tal adaptação, então os pés deles eram côncavos na parte da sola.
A única garra visível na maioria dos saurópodes é a do primeiro dedo do pé, mas não se sabe exatamente sua utilidade. A garra era maior em diplodocídeos, mais alta e achatada lateralmente, enquanto os braquiossaurídeos possuíam a garra menos desenvolvida, sendo que alguns devem ter perdido a mesma, como indicam evidências de trilhas de pegadas.
Titanossaurídeos também perderam esta garra completamente, com exceção dos primeiros titanossauros, como o Janenschia. Além das garras, titanossaurídeos mais desenvolvidos perderam também os dedos e se apoiavam somente em curtas estruturas parecidas com cascos, formados pelos ossos metacarpais.
Reconstrução do pé esquerdo de um Titanossauriforme
Se era um Titanossauro, devia ser primitivo pois tem garras

Andrey Atuchin
Trilhas de saurópodes encontradas em Portugal, provavelmente de brachiossaurídeos, mostram que a parte de baixo e os lados dos pés traseiros eram cobertos com pequenas e pontudas escamas, que deixaram marcas nas pegadas.
Em titanossauros, o fim dos ossos metacarpais que tinham contato com o solo eram largos. Restos preservaram tecidos moles destes animais, mostrando que algum tipo de tecido revestiu esse osso formando uma proteção, como os elefantes possuem, característica citada anteriormente. Portanto, esta é uma das diferenças entre os titanossaurídeos (que têm a "almofada" na pata) e diplodocídeos (que não possuem a "almofada" na pata).
Como outros dinossauros saurisquianos, os saurópodes tinham um sistema de sacos aéreos, evidenciados por buracos e espaços vazios na maioria de suas vértebras.
Todos os saurópodes apresentam ossos com espaços ou cavidades vazias, no pescoço, dorso e na cauda, portanto tinham ossos chamados de pneumáticos, com intuito de deixar o esqueleto mais leve. Há muito tempo já haviam identificado ossos de saurópodes com suas cavidades, mas certas vezes ocorriam interpretações erradas, como a do Ornithopsis, um saurópode descoberto no século 19 e que se imaginou ser um pterossauro, devido aos poucos fragmentos e aos ossos ocos. Provavelmente estes ossos com cavidades ocas tornavam o animal mais leve, facilitando a sua locomoção.
Proteção
Alguns saurópodes tinham uma "armadura" protetora. Alguns tinham osteodermas como os Titanossaurídeos, espalhadas nas costas. Este tipo de proteção não era como nos Anquilossauros, (cobrindo todo o corpo, bem grossa e grande), mas formada de pequenos calombos ósseos espalhados nas costas, com espaços entre eles. O único saurópode que conheço que teve uma camada mais densa de osteodermas, inclusive de formas diversas, é o Ampelosaurus, da França.
Titanosaurus (renomeado Isisaurus): observe as osteodermas nas costas
© Paleoguy/JWK/DinoraulAmpelosaurus
© Vladimir Nikolov

Outros possuíam clava na cauda, como o Shunosaurus, assemelhando-se aos Anquilossauros, que também possuíam no fim da cauda uma clava feita de osso puro, que talvez fosse usada para bater nos agressores. A "arma" do Shunosaurus tinha pequenos espinhos, como se nota na imagem.
Shunosaurus: observe a clava na cauda
© Isis
Mas a galeria de bizarrices não para por aqui não, pois existem outros dinos estranhos que provavelmente usavam suas características incomuns em defesa. Dois que posso citar são o Amargasaurus, cujas vértebras se prolongavam pescoço afora, formando uma espécie de vela dupla, desde a nuca até o meio do corpo e o Agustinia, cujo corpo era coberto por espetos ósseos, desde o pescoço até à cauda.
Amargasaurus
© Lucas E. Fiorelli Agustinia
© Lucas E. Fiorelli

Outro costume que deve ter facilitado a vida dos dinossauros de pescoço longo é a possível ajuda de um suposto bando. Sobre os hábitos sociais destes dinos escrevi mais abaixo, mas podemos dizer aqui que seria de grande valia na hora da defesa o fato de viverem em grupos, podendo assim defender uns aos outros, especialmente os filhotes.
Bando de Diplodocus é atacado por dupla de Allosaurus
© Greg S. Paul

Outra boa arma de alguns saurópodes, especificamente dos diplodocídeos, é a cauda fina e extremamente longa. Como citado anteriormente, o Diplodocus e seus parentes são os dinos que portam as caudas mais longas. Segundo pesquisas com modelos computadorizadas das caudas, estas poderiam funcionar como um chicote. Uma experiência elaborada pelo paleontólogo Philip J. Currie junto com Nathan P. Myhrvold, um empregado da Microsoft que gosta de dinossauros, trouxe um resultado surpreendente. Com os modelos virtuais de Nathan, feitos com base em dados trazidos pelo paleontolólogo sobre as caudas dos diplodocídeos, mostraram que elas poderiam ser usadas para chicotear o inimigo, mas ainda mais que isso, para assustá-lo com barulho. Com caudas finas e longas, podiam movimentá-las rapidamente como um chicote e assim criar uma onda sonora forte e rápida o suficiente para quebrar a barreira do som e fazer um ruído bem alto, que afugentaria carnívoros que estivessem pensando em atacar. Confira o vídeo abaixo retirado do documentário Caminhando com os Dinossauros, para ter uma ideia de como seria o uso da cauda para bater no atacante.
Diplodocus defendendo-se de Allosaurus
© BBC
video

No documentário "When Dinosaurs Roamed America" do Discovery Channel, o Apatosaurus que é um diplodocídeo, espanta um Alossauro com um ataque da cauda, usando-a para chicotear o predador.
Apatosaurus defendendo-se de Allosaurus
© Discovery Channel
video

Outros saurópodes mais altos, como o Braquiossauro, poderiam talvez usar as patas dianteiras para pisotear ou chutar os predadores, que minúsculos não resistiriam ao enorme impacto. Como este grupo de herbívoros têm as pernas dianteiras mais longas que as traseiras, fica mais fácil mover as mesmas rapidamente para chutar ou ainda levantar a uma altura maior que a dos predadores.
Brachiosaurus tentando espantar dois Ceratosaurus
©
Greg S. Paul

Finalmente podemos imaginar a cena que muitos pesquisadores já imaginaram e sonharam em ver e que diversos paleoartistas retrataram por meio da ilustração e escultura. A batalha em questão é o esmagamento literal de um predador por parte de um enorme diplodocídeo. Geralmente a imagem é composta nas ilustrações, pelo saurópode Barosaurus, que tendo seu filhote ameaçado, empina todo o corpo apoiando a cauda no solo formando uma base em tripé, para então tentar com o tamanho espantar o predador, um Allosaurus, e, se necessário soltar o corpo todo sobre o carnívoro para matá-lo instantaneamente. Esta cena foi reproduzida com réplicas do esqueleto dos animais no Museu Americano de História Natural.
Barosaurus defende seu filhote de Allosaurus
© John Gurche

Vida Social: eram gigantes solitários ou viviam em bandos?
Muitas evidências, tanto de fósseis quanto de trilhas de pegadas, indicam que os saurópodes formavam bandos. Porém a forma dos bandos variava de espécie para espécie. Alguns sítios fossilíferos, como os da Argentina, indicam que os saurópodes formavam bandos com indivíduos de idades diversas. Algumas trilhas de pegadas de outros sítios indicam que muitos saurópodes viajavam em bandos, organizados por idade, com os jovens agrupados separadamente dos adultos.
Isso acontecia em diversas espécies e não em uma só, além de que alguns parecem ter criado estratégias de organização. Estudos indicam que em algumas espécies os filhotes andavam separados dos adultos porque se alimentavam de forma diferente. Os filhotes precisavam buscar comida diferente e isso era mais fácil se o bando fosse só de jovens, porque o grupo seguiria um mesmo objetivo. Isso foi baseado na diferença dos dentes dos filhotes para os adultos e na diferença de tamanho. Isso foi representado em Caminhando com os Dinossauros, no episódio 2, Time of Titans. Vários Diplodocus haviam posto ovos em ninhos cobertos de terra no meio de uma densa floresta de coníferas. Feito isto, a fêmea saía da floresta e reunia-se ao bando, seguindo viagem. Os filhotes nasciam, agrupavam-se e ficavam vivendo na floresta, onde predadores maiores não os encontravam facilmente. Ali podiam esconder-se entre folhas e samambaias e encontrar comida mais mole, de fácil digestão.

Segundo os paleontólogos que analisaram este comportamento, os filhotes se separavam logo que nasciam. Por outro lado, os saurópodes que viviam em bandos de idades misturadas devem ter cuidado dos filhotes por um grande período, antes de alcançarem a maturidade.
O problema é descobrir quais grupos (titanossauros, diplodocídeos, braquiossaurídeos etc.) viviam em bandos de idades diversas e quais grupos viviam com idades separadas.
Mas sem dúvida a vida em sociedade é bem útil para herbívoros, afinal, um pode proteger o outro, em época de acasalamento machos e fêmeas estão próximos o que facilita o encontro para que procriem em vez de ter de procurar exaustivamente por um parceiro.
A procura por comida também fica mais fácil em bandos, pois se um encontra comida, pode avisar aos demais com chamados característicos de cada espécie, de que há uma fonte boa de alimento em determinado local, o que vale igualmente para água.
Saurópodes conseguiram ficar em pose bípede ou tripodal?
Desde os primórdios de seus estudos, cientistas como Osborn especulam que saurópodes podem ter "empinado" o corpo se apoiando só nas pernas traseiras, com a cauda apoiada no solo formando um tripé. Como já dito antes nesta postagem, uma réplica do esqueleto do Barosaurus lentus nesta posição está no Museu Americano de História Natural, que serve como exemplo para a teoria. A pose em tripé, também pode ser chamada pose tripodal.
Em 2005, um artigo de Carpenter e Tidswell afirmou que se às vezes os saurópodes adotavam esta postura, poderia ser provado com fraturas de stress (excesso de carga, força) que se formaria nos osso dos pés dianteiros dos animais, pois ao soltar o corpo para voltar à posição normal, os pés sofriam grande pressão com toda a massa corporal do animal. Estas fraturas seriam uma espécie de trinca muito fina no osso. Eles examinaram diversos esqueletos e não encontraram nada, nenhuma destas fraturas que comprovasse a hipótese. Heinrich Mallison foi o primeiro a estudar a fundo o potencial físico de vários saurópodes para determinar se a pose de tripé é mito ou pode ter ocorrido.
Seismosaurus em pose "tripé": seria realmente possível?
©
Tuomas Koivurinne
Mallison encontrou algumas características inicialmente ligadas a adaptações para se levantar nas pernas traseiras, mas ele resolveu analisar a fundo para saber se tais características ajudavam mesmo ou atrapalhavam a pose de tripé. Por exemplo, os titanossauros tinham uma coluna vertebral bem flexível, o que causaria instabilidade na postura de tripé e poderia impor muita tensão nos músculos. Do mesmo modo, ao contrário do que mostrou Jurassic Park, é improvável que os braquiossaurídeos adotassem tal postura, pois seu centro de gravidade é situado em uma parte do corpo diferente da dos titanossauros e diplodocídeos, o que tornaria a "empinada" muito perigosa, provocando talvez um tombo para trás devido ao fato de as pernas traseiras serem mais curtas que as dianteiras.
Diplodocídeos parecem ter sido bem adaptados para levantar-se assim, em pose tripodal. O centro da massa corporal dos diplodocídeos se situa nos quadris, dando um grande equilíbrio nas duas pernas traseiras. Seus pescoços eram os mais móveis dentre os saurópodes, seu cinturão pélvico era bem musculoso e as vértebras caudais tinham forma especial que permitiam apoiá-la no solo com peso sobre ela. Mallison concluiu que diplodocídeos eram melhor adaptados para elevar-se assim que os elefantes, os quais somente o fazem ocasionalmente na natureza. Diplodocídeos, no entanto, parecem ser os únicos saurópodes a fazer isto.
Pescoço alto ou baixo?
Existem controvérsias sobre como os saurópodes mantiveram suas cabeças, se preferiam manter o pescoço na pose vertical ou mais estendido horizontalmente.
Saurópodes diplodociformes provavelmente mantinham a cabeça baixa, enquanto os braquiossaurídeos e titanossaurídeos as levantavam a uma altura mais elevada, em um ângulo maior.
Acreditava-se que o longo pescoço era usado para comer nas árvores altas, mas de um tempo para cá, isto vem sendo questionado, pois com base no gasto de energia e de pressão arterial necessária para elevar o sangue até a cabeça, alguns acham improvável que mantivessem a cabeça no alto.
Tais cálculos sugerem que poderiam ter gasto metade de suas energias só para tal tarefa. Além disto, para suprir a cabeça com sangue seria necessário uma pressão arterial enorme e um coração muito grande, cerca de 15 vezes maior do que o coração de uma baleia de tamanho similar.
Isto sugere que saurópodes de pescoço mais longo os mantinham a maior parte do tempo em posição horizontal, o que permitia a eles comer plantas de uma grande área sem caminhar, o que era uma grande economia de energia para um animal de 30 a 40 toneladas. Em defesa disso, reconstruções do Diplodocus e do Apatosaurus mostram que eles basicamente mantinham o pescoço baixo, com um suave declínio para orientar a cabeça ao solo, em uma postura neutra, sem mais articulações.
Algumas pesquisas em animais modernos sugerem que os saurópodes mantinham o pescoço erguido com uma curva em forma de "S", como vemos claramente no famoso Braquiossauro de Jurassic Park.
Observe o pescoço em forma de "S"
© Universal Pictures
Se essa postura em "S" realmente era possível, provavelmente só se adaptou a alguns poucos braquiossaurídeos, pois o tamanho das vértebras do pescoço dos outros e a forma em que se encaixam não permitiriam que curvassem o pescoço assim.

Reprodução
A reprodução destes animais ainda é um mistério para os paleontólogos, afinal, a probabilidade de encontrar material preservado com tecido dos genitais e sistema reprodutivos dos animais é praticamente nula, imaginem encontrá-los fossilizados em posição de pleno ato de acasalamento!
Só podemos supor como seria a cena de um acasalamento entre um casal de saurópodes, mas nunca afirmar algo com certeza. Tal ação não devia ser das mais graciosas, uma vez que os animais eram enormes, pesados e com um corpo bem estranho, desajeitado.

O acasalamento pode ter ocorrido da seguinte maneira: como os elefantes fazem, o saurópode macho apoia-se com as patas dianteiras nas costas da fêmea encaixando assim os genitais para o coito. Mas temos aí um empecílio que os elefantes não têm, que é a enorme cauda atrapalhando. Podemos imaginar que a fêmea desviaria a cauda para o lado facilitando o trabalho do macho. Observe a imagem abaixo, a ilustração é de Fabio Pastori, que retratou um casal de Diplodocos durante o acasalamento.
Diplodocus acasalando
©
Fabio Pastori
Para os braquiossaurídeos deve ter sido mais fácil o acasalamento, uma vez que as pernas dianteiras são mais longas que as traseiras o que facilitaria o alcance do macho ao órgão da fêmea, porém se levarmos em consideração o fato mencionado sobre sua capacidade de empinar o corpo, o centro de gravidade do corpo seria situado na frente e assim a fêmea acabaria suportando obrigatoriamente um peso muito grande, o que talvez, suponho eu, fosse amenizado por ossos bem resistentes na bacia.
Uma outra ideia especulativa apenas para responder à questão de como os saurópodes, assim como outros dinossauros acasalavam, é que seu ato sexual ocorria em posição diferente, virando o corpo "de costas" um para o outro. Enquanto um dos animais virada a cauda para a esquerda e a levantava, o outro fazia o mesmo para a direita, formando assim um encaixe perfeito. Não consegui encontrar uma imagem representando esta hipótese, pelo menos não com saurópodes. Mas na verdade, relato aqui esta hipótese porque me baseei na imagem do ilustrador Vladimir Nikolov, que tinha uma dúvida de como os estegossaurídeos acasalavam com todos aqueles espinhos. Sabendo muito bem desenhar ele elaborou uma imagem de dois Dacentrurus, pequenos estegossauros da Europa, acasalando da forma descrita acima, o que segundo ele, é uma teoria própria, sem base em dados científicos. Mesmo assim, achei muito interessante esta concepção e resolvi relatar tudo aqui, pois se para dois dinossauros espinhentos já é plausível, para saurópodes não seria ao contrário.
Dacentrurus acasalando: será que os saurópodes usavam o mesmo método?
© Vladimir Nikolov
Porém, mais importante que o ato da cópula em si, é a conquista do parceiro ou parceira, afinal, sozinho não há meio de reproduzir-se a não ser que seja um ser de reprodução assexuada. Com certeza não era o caso dos saurópodes não é? E como os saurópodes conquistavam seu par? Será que a fêmea exalava um cheiro para atrair machos? Será que os machos batalhavam pelas fêmeas? Mudavam de cor para chamar a atenção? Não sabemos, pois este tipo de coisa não fica preservado no registro fóssil. Não tinham chifres, golas, cristas e afins para exibir, com exceção de alguns como o já citado Amargassauro que tinha uma "vela" dupla no pescoço.
Como visto em alguns documentários, como Caminhando com os Dinossauros da BBC e "Dino Planet" do Discovery Channel, podemos ver saurópodes machos se enfrentando, usando a pose de tripé para impor respeito, tentando talvez intimidar o rival que disputa o direito de acasalar. Outro método usado nestes filmes para demonstrar a disputa é o costume de dar empurrões com o corpo ou pescoçadas uns nos outros, como mostrado no episódio "O Ovo de Alpha" em Dino Planet, com base no ritual de acasalamento das Girafas. Veja abaixo dois vídeos que são trechos de documentários citados que mostram um possível habito destes animais no período de reprodução.
Ritual de acasalamento dos Diplodocus
© BBC
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Machos Saltasaurus lutando pela fêmea
© Discovery Channel
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Depois de ter os ovos fecundados, a fêmea precisava fazer um ninho e pôr todos os ovos ali, para que chocassem. Mas como elas botavam os ovos sem quebrar nenhum com a queda de uma altura grande, afinal sua cloaca, abertura por onde saem os ovos, ficava bem longe do solo. Talvez conseguissem ficar agachados, aproximando a cloaca do solo para botar, ou, como muitos já leram por aí, talvez usassem uma "tromba" cloacal, como a que as tartarugas marinhas têm, que seria um tubo de pele ligado à cloaca, que quando estava em uso, poderia esticar, estendendo-se até perto do chão, o que permitiria que deslizasse o ovo por dentro de tal estrutura em segurança, sem choques ou maiores traumas.
Saurópode botando ovos agachado
©
Nathan HaleSaltasaurus botando ovos por uma "tromba cloacal"
© Discovery Channel
Sabemos que os ovos dos dinossauros não eram enormes, nem tinham a casca muito grossa. Se fossem gigantescos quebrariam sobre o próprio peso, se fossem "cascudos" demais, o filhote não teria força para quebrar a casca e sair e morreria dentro do ovo.
Então, devido a estas características, um ovo provavelmente não resistiria à queda, ao contrário do mostrado em Caminhando com os Dinossauros Especial: Terra de Gigantes e O Garra Gigante, documentário em que um Argentinossauro bota ovos sem maiores cuidados, soltando-os em queda livre ao solo. A forma como os ovos eram botados permanece um mistério, assim como outros hábitos destes animais. Será que eles cuidavam dos filhotes depois que nasciam? Alguns cientistas acreditam que os saurópodes mantinham o chamado cuidado parental com os filhotes, observando-os, protegendo-os de predadores e ensinando qual era a melhor comida e como se virar sozinho. Pessoalmente creio que a maioria, para não dizer todos, acompanhava os bebês dinos nos primeiros anos de vida, ensinando aos filhotes todas as leis da sobrevivência.
Diplodocus faz o primeiro contato com seus recém nascidos
© Mick Ellison
Também podemos lembrar que alguns cientistas dizem que os saurópodes viviam em bandos de faixa etária separadas. Os bandos eram formados somente de adultos, ou só de jovens ou só de filhotes. Como já mencionado, em Caminhando com os Dinossauros os Diplodocos adotam este tipo de convívio social. Os filhotes nascem dos ninhos soterrados como se brotassem do solo e se agrupam para viver sozinhos, como vemos na imagem abaixo, um pequenino bebê saindo de seu ovo.
Diplodocus bebê nasce de seu ninho subterrâneo
© BBC
Em Dino Planet, episódio "O Ovo de Alpha", os Saltasaurus botam ovos no local de nidificação e abandonam os ninhos até seu nascimento, deixando apenas alguns poucos adultos servindo de sentinela para evitar roubos de ovos. Ao eclodir, todos os filhotes correm juntos para a floresta, sem a proteção de adultos, que só os protegerão após chegarem à floresta. É quase uma seleção feita pelos Saltassauros, porque os fracos vão ficando para trás, atacados por predadores, embora seja cruel ver dessa forma, além de que esta técnica garante a perpetuação da espécie, afinal, em bandos grandes, acaba existindo mais presas que predadores conseguem comer e então é lógico que embora alguns sejam comidos, a maioria sobreviva.
Locomoção e Habitat
Trilhas de pegadas de saurópodes e um outro tipo de fóssil de pegadas, chamadas icnofósseis, também foram encontradas em diversos continentes em grande quantidade. Este tipo de fóssil ajuda a suportar a hipótese de que a biologia dos saurópodes é relativa à anatomia completa dos seus membros, precisamente falando, dos pés.

Geralmente, pegadas dos pés dianteiros são menores do que as dos pés traseiros, e muitas vezes têm forma crescente. Ocasionalmente os icnofósseis preservam marcas das garras, ajudando a confirmar quais grupos de saurópodes perderam as garras e até mesmo dígitos (dedos) de seus pés dianteiros. O costume é dividir as trilhas de pegadas em três categorias baseadas na distância entre as extremidades exteriores de membros opostos, ou seja, a distância entre o lado de fora de um pé e o lado de fora do outro pé, o que gerou grupos definidos de acordo com o tamanho ou espaço entre os pés, que nesta postagem chamarei de forma simplificada como:
  • Espaço estreito
  • Espaço médio
  • Espaço largo
Este espaço nas trilhas pode ajudar na estimativa da largura dos membros, a distância entre eles o que consequentemente colabora para entender seu modo de andar.
O pesquisador Day e alguns colegas publicaram um estudo em 2004 afirmando que encontraram um padrão geral entre grupos de diversos de saurópodes mais avançados. Segundo eles, cada família da infraordem Sauropoda pode ser reconhecida a partir de pegadas com determinados espaços. Eles acreditam que a alguns titanossaurídeos por exemplo, tinham um espaço estreito entre os membros, com fortes impressões de uma grande garra do pé dianteiro.
Já as impressões de espaço médio com impressões de garra do pé dianteiro acredita-se terem pertencido aos altíssimos braquiossaurídeos e outros titanossauriformes mais primitivos, os quais evoluíram para um corpo com maior espaço entre membros, mas ainda com garras nos pés dianteiros. Os titanossaurídeos verdadeiros não tinham a garra no pé, mas o espaço entre as extremidades de seus membros se desenvolveu, chegando à maior distância dentre todos os grupos de saurópodes, sendo então encaixados no grupo de espaço largo.
Todos hoje em dia sabemos que os saurópodes eram animais terrestres, que viviam em planícies e florestas da Era Mesozóica. Porém, por muito tempo acreditou-se que eles eram seres marinhos, que ficavam o tempo todo mergulhados com apenas a cabeça acima do nível da água. e a seguir você vai entender como isso ocorreu.
Nos primórdios da paleontologia os especialistas em fósseis classificaram os dinossauros como répteis e por este motivo os imaginavam de forma semelhate aos répteis atuais. As características que atribuíam as dinos era a ectotermia, o que quer dizer que imaginavam os dinos como animais de sangue frio, e devido a isso baixa taxa metabólica, pouca mobilidade, ou seja, seriam supostamente muito lentos e devido ao comportamento reptiliano seriam animais solitários, sem comportamento social complexo e o pior de tudo, seriam extremamente burros!
É verdade, os "paleontólogos" daquela época pensavam isto dos dinos. Um destes pesquisadores afirmou: "Os dinossauros de sangue frio eram por demais indolentes e estúpidos ..." (Andrews 1953). Observem que isso foi dito 56 anos atrás, nem é tanto tempo assim, comparado com a história paleontológica, que já tem mais de 100 anos.
Além disso, acreditavam que devido ao enorme peso associado ao metabolismo lento seriam incapazes de viver em terra e não teriam pernas suficientemente fortes para suportar um corpo tão grande e pesado. É o contraste: mamíferos seriam rápidos, tem sangue quente, metabolismo acelerado. Sendo os humanos um tipo de mamífero, então seres de sangue quente foram considerados superiores em agilidade, inteligência etc, enquanto os répteis eram considerados o oposto, lentos e sem inteligência. Mais uma frase de Andrews para demonstrar a que ponto eles imaginavam a capacidade de raciocínio dos dinos: "O cérebro (de um saurópode Brachiosaurus) pesava menos de 1 kg. Isso mostra que o animal era completamente estúpido e que, apenas, vivia" (Andrews 1953).
Assim, paleontologistas buscaram respostas para responder a questão: Como os saurópodes aguentavam tanto peso? Alguns dos mais famosos pioneiros da paleontologia como Marsh em 1884; Hatcher em 1901; Huene em 1922 e Wiman em 1929, afirmaram que os saurópodes tinham coberturas de grossas cartilagens nas pernas, o que tornaria uma locomoção terrestre muito desajeitada. Segundo estes cientistas, as juntas dos ossos não tinham emendas definidas como existem nos mamíferos hoje e para poder haver o encaixe, uma grande porção de cartilagem formava a ligação entre os osso, mas para uma vida terrestre isso seria inviável, pois o peso enorme dos animais seria muita carga para as frágeis cartilagens. Sendo assim, alguns propusem que eles não teriam vida na terra, mas sim um hábito aquático, o que seria aceitável para um réptil lento, burro e de porte colossal.
Para confirmar as suposições de que tais bichos eram aquáticos, os cientistas buscaram nos fósseis algumas características que pudessem colaborar com o processo. Um dos detalhes anatômicos usados foi o fato de a maioria dos saurópodes tinha as narinas situadas bem no alto da cabeça. Afirmaram então que por viverem na água, só a cabeça ficava fora da água e o corpo ao fundo do rio/lago/mar.
Outro fator foi a forma e constituição dos dentes, que de acordo com alguns estudiosos daquela época, eram frágeis demais para comer plantas duras e fibrosas, tendo eles que alimentar-se das moles, tenras plantas aquáticas semelhantes às algas. Algumas vértebras pré-sacrais teriam uma forma mais escavada, pneumática, o que supostamente seria útil para ajudar o animal a boiar com a parte superior do corpo, usando os membros como um peso para os manter equilibrados e dar impulso. Acredito que daí surgiu a ideia de que algumas pegadas de saurópode encontradas tenham sido feitas apenas pelos pés dianteiros enquanto o animal nadava e boiava com a parte traseira do corpo.
Paralititan nadando como na teoria apresentada anteriormente
©
Vladimir Nikolov
Segundo as pesquisas elaboradas sobre as pegadas de pés dianteiros dos "saurópodes nadadores", eles caminhavam com as pernas dianteiras tocando o solo do fundo rio, enquanto as pernas traseiras e cauda boiavam e por isto não deixavam marcas. As pegadas foram consideradas como deixadas desta forma porque eram rasas, quase apagadas e não eram acompanhadas de marcas dos pés traseiros. Mas pesquisadores posteriormente publicaram novos estudos para justificar as características estranhas destes icnofósseis. Tais pesquisadores, Lockley e Rice, publicaram um estudo em 1990, e Lockley volta a publicar outro em 1991, para cotrariar a teoria proposta por Bird (1944) de que as pegadas só das patas da frente são resultado de hábito natatório.
As patas dianteiras dos saurópodes são mais finas que as traseiras e analisando a distribuição de peso e a pressão causada pela sola das patas sobre o solo podemos ter uma ideia de como ocorreu o sumiço das pegadas dos pés (leia-se membros traseiros) e ficaram somente as pegadas das mãos (leia-se membros dianteiros).
Para testar a distribuição de pressão, você pode usar um simples teste caseiro que aprendi na aula de ciências na 5ª série e vou ensinar a você leitor. Você vai precisar de apenas um lápis bem apontado, destes comuns mesmo, sem borracha na extremidade superior, então basta seguir os passo seguintes:
Apoie a parte redonda superior do lápis contra seu braço ou palma da mão e pressione, lentamente, aumentando a pressão gradativamente e observe quanto tempo você aguenta sem sentir dor. Depois vire o lápis, apoie a ponta dele na pele e repita o procedimento. Você vai notar que quando a parte mais larga é forçada contra sua pele, a dor sentida é mínima ou nula, enquanto que a pressão exercida na pele pela ponta do lápis provoca dores e obviamente vai saber que se não pararmos de pressionar, podemos lesionar a pele e para notar isto nem precisaríamos fazer o teste, só com a explicação já conseguimos compreender.
Essa diferença existe porque a pressão oferecida pela força da mão empurrando o lápis é distribuída de forma diferente. Na parte redonda do lápis, a superfície é maior e a pressão se espalha por toda aquela superfície, e na ponta, por sua vez, a pressão fica concentrada em um único ponto pequeno. Por isso, sempre que precisamos espetar algo profundamente, usamos um objeto ponteagudo, como nota-se nos espetos, agulhas, estacas etc.
Comparemos agora as pernas dos dinos com o lápis. As "mãos" dos saurópodes seriam equivalentes à ponta, que mais finas, conseguem penetrar mais fundo no solo e fazer pegadas mais profundas e os "pés" dos saurópodes são equivalentes à outra ponta do lápis, ou seja, por serem mais largos, distribuem a pressão e fazem pegadas mais rasas. Segundo os especialistas, quando o saurópode caminhou, deixou pegadas de todos os membros, menos da cauda que não tocava o solo.
Imagine o solo como se tivesse várias camadas e abaixo da camada pisada pelo dino, haveria outra camada de solo ainda mole com marcas de ondas, pois teriam sido o leito dum rio ou lago bem raso e assim as ondulações da água criou marcas no solo. Com a depositação de sedimentos a camada ficou coberta completamente e foi nestes novos sedimentos que o herbívoro em questão pisou, deixando as marcas dos pés. Como as "mãos" provocam pegadas mais fundas, faziam com que a camada abaixo daquela, a que teria marcas de ondas, recebesse também a pressão formando uma sub-impressão de pegada, algo como uma pegada mais fraca.
Quando a camada de cima sumiu, desgastou-se pela erosão, o que restou foi a camada de baixo com marcas de pegadas só dos membros da frente e muito fracas, sem marcas dos pés, que por exercerem menos pressão não marcaram a camada de baixo. Além disso, Lockley e Rice afirmam que se o saurópode estivesse mesmo nadando ou boiando, as pegadas estariam quase paralelas, pois o animal em vez de dar passos normais, daria empurrões com os dois pés da frente ao mesmo tempo, deixando as marcas lado a lado e não alternadamente. Outro fato é que a trilha é reta, sempre na mesma direção, sem muitas variações de direção, algo bem regular, então se o animal estivesse boiando, a correnteza ou a força do impulso dado deveria arrastar seu corpo adiante ou para os lados, para trás, fazendo com que as pegadas tivessem um padrão irregular, o que não é observado nas trilhas, tanto na que fica na América do Norte, quanto em uma do Marrocos, onde existem marcas só dos pés da frente, fato este que faz muitos pesquisadores, senão a maioria, descartar a ideia dos saurópodes nadadores.
Além desta concepção aquática, outras foram elaboradas através da história paleontológica, como a teoria de que os saurópodes, por serem grandes e supostamente répteis de sangue frio, seriam desajeitados e viveriam como lagartos, teriam membros espalhados, ou melhor, dispostos na lateral do corpo, mantidos sempre flexionados em cerca de 90º, como os crocodilos atuais fazem. Hoje esta ideia parece absurda, mas sim, já foi muito levada a séria há décadas, por paleontólogos antigos que não dispunham ainda de muitos métodos e equipamentos que pudessem melhorar seu entendimento a respeito da anatomia dos gigantes herbívoros. O ilustrador Vladimir Nikolov gosta de retratar essa transição de modos de ver um animal através dos tempos e fez isto com o Diplodocus, mostrando-o nesta pose reptiliana, como vemos abaixo.
Diplodocus: retratado com pose de um lagarto
© Vladimir Nikolov

Temos logo abaixo as diversas concepções do Diplodocus, também ilustradas por Nikolov, transformações no modo de ver o animal de acordo com mudanças da paleontologia, pois cada melhoria tecnológico/científica permitia recriar um modelo mais fiel do animal. Repare que nas concepções antigas, o animal era geralmente visto com a cauda no solo, como crocodilos e lagartos, o que hoje sabemos ser um engano, pois a cauda permanecia no ar, contra-balanceando o pescoço longo. Temos ali, na segunda imagem, o animal representado em ambiente pantanoso, hipótese que embora possível, seja improvável. Um animal daquele porte evitaria regiões pantanosas, barrentas, evitando atolar-se no lodo, o que poderia prendê-lo e fazer dele uma presa fácil para predadores.
Diplodocus: mudanças de aparência através das décadas
© Vladimir Nikolov
Em suma, saurópodes de porte grande devem ter preferido viver em campinas, campos abertos com árvores espaçadas, pradarias onde encontrariam alimento nas árvores, provavelmente fonte de água e espaço suficiente para mover-se sem problemas. Proteção era desnecessária aos saurópodes adultos, só seu tamanho já inibia os predadores.
É bem improvável que vivessem em locais íngremes, como montanhas ou em locais de mata muito fechada, pois acabariam presos entre a vegetação densa. Podem ter vivido perto da costa também, em praias, embora a comida fosse, talvez, mais escassa naquele ambiente arenoso.
Porque eram tão grandes?
Muitos cientistas tentam descobrir porque saurópodes chegaram a tamanhos gigantescos. Desde o período Triássico os animais deste grupo cresciam bem mais do que animais de outras espécies, especialmente mais do que os predadores. Os cientista Kenneth Carpenter acredita que, seja qual for o fator responsável por esse gigantismo, já existia desde o surgimento destes herbívoros.
Estudos em mamíferos herbívoros que chegam a um tamanho grande, como os Elefantes, indicam que o tamanho enorme em animais herbívoros favorece uma digestão mais eficiente de toda a comida. O sistema digestivo de animais grandes é bem mais longo, o que faz com que a comida permaneça mais tempo em processo de digestão, o que permite aos animais sobreviver com fontes de comida de menor qualidade.
Isso ocorre especialmente em animais com um grande número de "câmaras de fermentação" ao longo do intestino, cujo interior abriga diversos micróbios benéficos, que criam grande fermentação que melhora a digestão.
Observa-se que por toda a história evolucionária dos saurópodes, encontramos estes animais em ambientes semi áridos, ecossistemas secos durante uma temporada e com uma queda de qualidade de comida correspondente durante a estação seca.
O ambiente dos saurópodes gigantes do Jurássico Superior era praticamente uma savana, similar aos ecossistemas áridos em que vivem mamíferos gigantes atuais, suportando a idéia de que uma comida ruim, com baixo valor nutritivo, em ambiente seco ajuda os herbívoros a crescer muito.
Carpenter diz que existem outros benefícios em se ter um tamanho grande, como imunidade a predadores, baixo gasto de energia e grande longevidade.
Alimentação e digestão
Como sabemos, os saurópodes comiam plantas, ou seja, eram herbívoros ou vegetarianos, como preferir denominar esse hábito alimentar. Quando a maioria deles viveu, no Jurássico, ainda não existia nenhum tipo de gramíneas, como grama, capim etc; e nem flores, que só surgiriam no fim do Cretáceo.
Eles tinham que comer folhas de árvores, como coníferos e arbustos pequenos, samambaias entre outros tipos de vegetais disponíveis. Sua dentição era ruim para mastigar, pois eram dentes em forma de cinzel ou espátula, outros em forma de folhas, que não serviam para triturar alimento, mas sim para arrancá-los dos galhos. Não tinham a mesma capacidade de mastigar que os Hadrossauros e Ceratopsianos desenvolveram, então engoliam tudo meio inteiro e isso não ajudava na digestão que era lenta e difícil.
Segundo estudos sobre o sistema digestivo de animais grandes atuais, tais animais tem um sistema digestivo maior e mais longo, característica possível devido ao corpo grande, e que isso permite que comam alimento de baixo valor nutritivo e de difícil digestão. Alguns pesquisadores supõem que isso acontecia com os dinossauros também e que assim era processado seu alimento, de forma lenta e primitiva, mas eficiente.
Outros pesquisadores acreditam que os saurópodes engoliam pedras para ajudar a triturar alimento no estômago, que era revestido por fortes músculos que contraíam-se, chocando uma pedra contra outra, e respectivamente contra a comida ingerida, moendo a mesma e facilitando a assimilação de nutrientes e o processo digestivo completo. Esta hipótese foi baseada em fósseis de dinossauros contendo pilhas de pedras polidas bem na região estomacal, pedras iguais às encontradas no estômago de alguns animais atuais, principalmente em aves e que tem esta função de ajudar na digestão.
Esta teoria já foi extremamente explorada em documentários, como na série "Parque Pré-histórico" (Prehistoric Park) da BBC, cujo tema, ficcional obviamente, são viagens no tempo feitas por Nigel Marven para capturar seres pré-históricos e montar no presente um zoológico com os mesmos. Em um dos episódios, os Titanossauros, saurópodes trazidos ao presente, recusam-se a ficar em paz em seus territórios pré-definidos e um funcionário do "parque pré-histórico" acaba descobrindo que eles sentem falta das pedras para engolir, pedregulhos que os paleontólogos e cientistas em geral chamam de gastrólitos.
Porém alguns cientistas discordam disso, dizem que não era por isso que haviam pedregulhos do estômago dos dinos e que provavelmente estes engoliam os mesmos por engano junto com a comida. Estes cientistas até mesmo fizeram experiências, dando pedras deste tipo, de composições variadas, para avestruzes engolirem, mas em vez de ajudarem na digestão, apenas eram defecadas algum tempo depois ou acabavam dissolvidas.
E geralmente as que eram expelidas, estavam todas corroídas, com a superfície rugosa em vez de ficarem lisinhas e polidas, como as achadas nos fósseis e por isso eles afirmam que não era do instinto do animal usar rochas para ajudar no processamento alimentar.
Alguns acreditam que só bactérias específicas já eram suficientemente capazes de fazer o serviço no sistema digestivo destes répteis grandalhões e isso levou cientistas a tentar reproduzir em laboratório a digestão de um saurópode. Usando certas plantas que acredita-se terem vivido na época dos dinos e que ainda hoje existem, com suco gástrico do rumem de um carneiro e algumas bactérias determinadas entre outros "ingredientes", eles fizeram uma mistura num recipiente de vidro e usando processos de laboratório, misturaram tudo tentando simular as características do corpo do dino e segundo eles, a digestão deu certo, mostrando que folhas de plantas como o Gingko já existente no Jurássico e que ainda hoje pode ser encontrado, eram digeridas até com mais facilidade do que gramíneas, que naquela época ainda nem existiam.

Esta postagem teve a contribuição de Jorge Gonçalves de Macedo.

Fontes

2 comentários :

Vinicius Ferreira disse...

Na Wikipédia americana consta que o maior Mamenchisaurus media 35 m, que eu saiba ele sempre foi parelho em comprimento com o Diplodocus, nunca menor, por mais que os estudiosos errassem nas medidas e etc.

http://en.wikipedia.org/wiki/Mamenchisaurus

Little Caio disse...

Bela matéria.