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quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Torosaurus

© Sergio Pérez



Esqueleto de Torossauro 
© Salvat
Veja quando viveu o Torosaurus!© Patrick Król Padilha!
O Torossauro foi descoberto em 1891 por John Bell Hatcher no Wyoming e depois batizado por Othniel Charles Marsh, seu patrão, um dos mais famosos paleontólogos da "Bone War" (Guerra dos Ossos). Assim ficou conhecido este tão impressionante dinossauro, a partir de dois crânios encontrados na América do Norte, que foram nomeados como a espécie Torosaurus , vindo do grego Toreo = perfuração/abertura + Sauros = Réptil/Lagarto, ou seja, o nome significa "Lagarto Perfurado", pois no seu enorme escudo ósseo, abaixo da pele haviam fenestras (aberturas) enormes, responsáveis pela leveza da cabeça. Existem muitas traduções erradas do seu nome e a principal delas é que Torosaurus significa Lagarto Touro, pois a palavra TORO, lembra a palavra do latim TAURUS que realmente significa touro.
©Dorling Kindersley
Inicialmente os crânios foram denomidados Torosaurus latus e Torosaurus gladius, espécies que agora são consideradas uma só, sendo ambos os espécimes aceitos como T. latus. A terceira espécie, Torosaurus Utahensis foi descrita e nomeada originalmente como Arrhinoceratops Utahensis em 1946 por Gilmore, porém foi revisada e renomeada por Sullivan em 2005 e recebeu o nome em questão, T. utahensis.
Atualmente o T. gladius e T. Utahensis são considerados exemplares de T. latus, sendo sinônimos do mesmo.
Torossauro é um dinossauro da família dos Ceratopsianos, dinossauros com bico de papagaio, escudo ósseo no pescoço e chifres. Pertence à subfamília dos Chasmosaurinae, dinos de escudo maior e com aberturas maiores. Seu crânio é um dos maiores conhecidos, para não dizer o maior, superando em tamanho até o do seu parente mais famoso, o Triceratops, medindo em torno de 2,6 metros de comprimento com chifres de até 1 metro.

© Kingfisher publishing
Existem teorias diversas sobre as aberturas cranianas dos escudos deste dinossauro e também o porque de o seu parente Triceratops não possuir nenhum buraco, por mais pequeno que fosse, no escudo que é totalmente maciço, levando em consideração que ambos os animais são bem parecidos.
Jack Horner, famoso paleontólogo americano, afirmou que o Torossauro seria a versão adulta de um Triceratops, pois não existem registros fósseis de jovens Torossauros e 50% de todos os Triceratops juvenis encontrados têm no escudo marcas correspondentes ao local exato das fenestras dos Torossauros adultos. Também não se conhece bem o resto do corpo do Torossauro, pois seus fósseis mais bem conservados são crânios e poucos ossos do corpo, suficientes apenas para deduzir que eram muito parecidos com os outros dinos de chifre. A teoria é que todos os Triceratops tinham escudos sólidos, mas quando atingiam a maturidade sexual um dos sexos desenvolvia um escudo diferente para mostrar ao sexo oposto como atrativo, então se o escudo aumentasse ele seria mais pesado, e para compensar o peso surgiam buracos (as fenestras) nos escudos dos ceratopsianos.

Veja como era grande o escudo do bicho
©
Paleoguy/JWK/Dinoraul
Por mais que esta teoria explique algumas coisas, como a raridade de Torosaurus jovens fossilizados ou o porque da ausência ou presença de fenestras em alguns ceratopsianos, ela ainda não é aceita totalmente pela comunidade científica, embora John Scannella tenha apresentado um artigo na conferência da Sociedade de Paleontologia de Vertebrados que ocorreu em Bristol no Reino Unido em 2009. Scannella estava sendo orientado por Horner em seu trabalho com os ceratopsídeos e isso leva muitos a desacreditar esta teoria, uma vez que a especialidade de Horner são os Hadrossauros. Horner diversas vezes propôs teorias revolucionárias, como a de que o Tyrannosaurus rex era um carniceiro e não predador ativo, o que faz parecer que quer apenas chamar a atenção para si mesmo.

O Torossauro como os outros dinos de chifre e escudo ósseo era herbívoro e se alimentava de plantas como samambaias, coníferas e cicadáceas muito abundantes no Cretáceo e para isso vivia utilizando seu bico afiado no trabalho de arrancar ou picar folhas e galhos para caberem na boca.
Observe o bico córneo do Torossauro
©
Paleoguy/JWK/Dinoraul
Possivelmente vivia em bandos de adultos e filhotes, proporcionando maior proteção aos indivíduos pequenos caso houvesse um ataque de um predador, como acontece com outros ceratopsídeos, embora não haja indícios concretos de tal comportamento. No documentário Caminhando com os Dinossauros, da BBC, o Torossauro aparece convivendo em bandos e machos batalham usando chifres para definir o líder do bando e também quem fica com a fêmea. Dois Torossauros iniciam uma batalha no episódio, mas um deles acaba tendo o chifre quebrado e foge, mostrando que talvez seu chifre fosse fraco e servia mais como adorno visual para assustar ou impressionar.
Velha ilustração de um bando de Torossauros© Retirado de DeCourten, Frank; 1998, p. 300© Assim deveriam ser as lutas entre os Torossauros© Salvat
Neste mesmo episódio um filhote é morto por carnívoros, que não conseguem um ataque bem sucedido durante o dia e resolvem atacar durante a noite, conseguindo abater a presa desejada. Talvez os adultos formassem uma barreira protetora em torno dos filhotes, mostrando a cabeça imponente ao predador, apontando os chifres para o mesmo, provavelmente no intuito de desencorajar o ataque em vez de querer ferir o atacante.
Outra utilidade para seus adornos, principalmente o colar ósseo, seria a de atrativo sexual, funcionando como um chamariz para o sexo oposto na época de acasalamento, o que deve ter ocorrido com alterações de padrões de cor no escudo. Há ainda a hipótese de que a gola do Torossauro servia como regulador térmico, fazendo o sangue passar na região de pele mais fina assim refrescando o mesmo ou aquecendo-o, de acordo com a necessidade. Só o fato de aceitarmos a ideia de que os dinossauros tiveram sangue quente diminui a credibilidade da teoria de regulação térmica, pois um animal de sangue quente não precisa de fatores externos para aquecer o corpo. Apesar de sempre atribuirmos estes hábitos aos ceratopsídeos, devo lembrar que na maior parte dos casos é tudo especulação sem provas fósseis de que isso ocorreu, principalmente na teoria da coloração, pois a fossilização não preserva pigmentos que dão cor à pele.
O escudo adquiria cores mais vivas na época do acasalmento?
© Paleoguy/JWK/Dinoraul
Uma curiosidade a respeito deste dinossauro é que em 1930 o Doutor Roy L. Moodie examinou o escudo de um crânio encontrado e percebeu a presença de marcas no osso indicando não um ferimento, mas uma doença interna semelhante a um tumor que afetava o osso do animal, igual às marcas encontradas em índios pré-históricos.

Além da aparição neste documentário o Torossauro não tem muito reconhecimento em filmes como o Triceratops, embora em outras mídias apareça, como no jogo Jurassic Park Operation Genesis. Na coleção Descobrindo o mundo dos Dinossauros, editora Salvat, lançada no Brasil por volta de 2001, este dinossauro é mostrado em um dos fascículos e ainda uma miniatura do mesmo acompanha como brinde o fascículo explicativo. Existem muitos bonecos em miniatura deste dinossauro, mas a maioria de marcas vendidas nos Estados Unidos e ainda pouco populares no Brasil, talvez devido à falta de revendedores de tais marcas por aqui.
Uma enorme estátua em tamanho real do Torossauro foi feita para o Yale Peabody Museum nos Estados Unidos, em um bela pose imponente, ficando em uma base de granito no jardim do museu, onde haverá uma espécie de reconstrução do Cretáceo Superior para representar o ambiente do animal.
Torosaurus e o filhote feitos em CG para o Walking with Dinosaurs
© BBC
Os Torossauros de Caminhando com os Dinossauros no habitat natural
©
BBCTorossauro da revista Salvat: nota-se a clara influência de WWD

© Salvat

Fontes

2 comentários :

Murdock disse...

Parece que essa controvérsia entre tricerátops e torossauro foi resolvida e o primeiro era realmente a versão jovem do segundo: http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-1299666/Triceratops-really-existed.html

Patrick disse...

Oi Murdock

Não acho que acabou não. Está só no começo. Se simplesmente mudarem os Torossauros para o gênero Triceratops ficará um trabalho bem mal feito!

Essa notícia eu publiquei aqui no blog há algum tempo!
http://ikessauro.blogspot.com/2009/10/triceratops-e-torosaurus-o-mesmo-animal.html

Continuo vendo ambos como animais diferentes, ou vão em dizer que um animal crescia até ter 9 metros e depois diminuía pra uns 7 na velhice? Ainda preciso ver mais evidências para concordar com isso...