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sábado, 4 de abril de 2009

Pronto para Partir

Vou postar um fanfic sobre o filme O Mundo Perdido – Jurassic Park (1997). Para quem não sabe, fanfics são histórias amadoras que se passam dentro de um mundo pré-determinado, seja o universo de um filme, de um livro, uma série de TV, uma história em quadrinhos, etc e cujo autor é um fan de tal mundo ficcional. Neste caso o autor é fan de Jurassic Park obviamente.
Por exemplo, se algum de vocês resolvesse escrever uma história do Harry Potter encontrando o Gandalf, ou do Darth Vader enfrentando o Predador, isso seria um fanfic. O fanfic em questão foi escrito por Mario Carneiro Junior, do Blog de contos de terror A Lua Mortal. Para saber mais sobre isso e ler o fanfic, que não é tão longo, basta clicar para expandir a postagem.

Trata-se de uma história que tenta explicar um dos grandes mistérios do segundo filme da série Jurassic Park: o que aconteceu com a tripulação do navio que levava o T.Rex até San Diego? Afinal, o Tiranossauro ficou preso no porão o tempo todo, e nunca mostraram as criaturas que dizimaram os marinheiros. Portanto, essa história é a versão do Mario para o que teria acontecido. Antes da história, fica a sugestão para quem quiser ler mais contos do autor: o banner do seu blog está logo ali abaixo, junto com os demais parceiros do Blog do Ikessauro. Ele também tem um blog chamado O Trem Fantasma, onde de vez em quando fala sobre criaturas extintas. Sem mais, segue o conto sem nenhuma alteração feita por mim:
PRONTO PARA PARTIR
O navio avançava pelo mar escuro quase na velocidade máxima, como se estivesse ansioso em deixar algum perigo para trás. Alguém vendo a situação de fora poderia até pensar que isso era verdade, pensou o Capitão Steve Newall, porém a explicação era bem mais trivial: tinha um horário a cumprir. Ripley informava as coordenadas de um modo pomposo, cada informação soando como a descoberta da cura do câncer. Era novo no posto de imediato, e estava excitado. Que diabos, pensou o capitão, a tripulação inteira estava! Esboçou um sorriso enquanto observava os marujos cumprindo suas funções, cada um deles fazendo o máximo de esforço para se concentrar; uma batalha perdida, afinal, algo que habitara seus sonhos de garotos havia escapado do mundo onírico e invadido a realidade.

Todos eram novamente crianças, brincando de caçadores de criaturas extintas, exploradores de vales perdidos e selvas paleozóicas!
- Como está nosso passageiro? – perguntou o capitão, referindo-se ao motivo de todo o alvoroço. - Vou checar, senhor! – gritou um marujo, descendo as escadas de dois em dois degraus. Crianças de fato, todos eles! Assim como eu - pensou o comandante.
Era o bravo explorador, levando sua carga preciosa para um mundo estupefato. Lembrou de King Kong, filme que o encantara em sua infância. Até o nome de seu navio, Venture, era uma homenagem ao barco da história. Steve não era o descobridor da criatura, não iria levar qualquer crédito pela façanha, mas se deu ao luxo de imaginar que sim. Saiu da cabine e respirou o ar gelado da noite, e o cheiro do oceano era tão intenso que quase podia sentir o gosto de sal. Jamais enjoaria daquilo.
– Capitão, capitão! – berrou o marinheiro que havia descido.
– O veterinário disse que o grandão parou de respirar agora pouco, daí eles injetaram um pouco de, de... Esqueci o nome...
– Desembucha, garoto! – gritou o Capitão, alarmado. – Não interessa o nome da porra do remédio, só diga se o bicho está bem!
- Sim senhor, ele está melhor agora! Respirando que é uma beleza! A equipe em terra já foi informada da situação!
- Bom, bom... Pode ir brincar com os outros.
- Senhor? - Esquece, foi uma piada. Volte ao seu posto.
- Sim, senhor! Steve retornou à cabine, reassumindo o leme. Não precisava fazer isso, é claro, entretanto gostava de fazê-lo. O piloto aproveitava essas folgas de bom grado, normalmente para fumar ao ar livre, mas esta noite foi correndo para o quarto em busca de sua câmera, antes de descer até o porão. Sem problemas, hoje tudo era permitido. Lembrava agora do ceticismo com que recebera a notícia sobre o tal Jurassic Park. Bem, não tinha como acreditar até ver a coisa, e quando vira, rapaaaaz, era de tirar o fôlego! Deus do céu, dinossauros vivos! O maravilhoso animal que transportava era um milagre da engenharia genética, e pelo que seu contratante dissera, havia muitos outros por lá. Talvez até mesmo espécies desconhecidas, coisas que nunca haviam sido catalogadas pelos paleontólogos! Bem, bem, as ilhas Sorna e Nublar seria explorada em breve, e todos os seus mistérios seriam revelados. Pensava nisso quando teve a impressão de ver algo correndo lá embaixo, no convés. Parecia um vulto, talvez fosse apenas uma impressão. Mesmo assim, ia perguntar ao imediato se também havia visto algo, quando vieram os gritos pelo rádio do circuito interno.
- Capitão, um dos homens viu algo no corredor, câmbio! – disse uma voz assustada e cheia de estática.
- Você quer dizer no convés? Câmbio.
- Não senhor, foi no corredor mesmo e... Espere... Não...
- Marujo? – Steve perguntou ansioso, obtendo um grito histérico como resposta. Logo em seguida vieram outros berros, não apenas pelo rádio, mas de toda parte. E alguns daqueles gritos não eram humanos.
– Ripley, o que está acontecendo? O imediato não respondeu. Apenas apontou para algo atrás de Steve, com expressão confusa e aterrorizada. O capitão virou o pescoço de forma lenta, e de início não entendeu nada; afinal, só havia o céu escuro por trás da porta aberta, que dava na escada do convés. Mas no instante seguinte, conseguiu enxergar aquilo assustava seu subordinado: Dois olhos ávidos pareciam flutuar no céu noturno, encarando os homens encurralados.
- Que droga é essa? – gemeu o comandante. Então, uma fileira de dentes afiados surgiu logo abaixo daquelas pupilas reptilianas, lembrando o gato de Alice no País das Maravilhas. Um Alice no País das Maravilhas do inferno.
- Ah meu Deus, ah meu Deus... – repetia o imediato, numa ladainha apavorada. Steve ia mandar que se calasse quando os olhos misteriosos entraram na sala, e seu cérebro continuou tendo problemas para registrar a cena; era como se a própria noite tivesse assumido a forma de um réptil bípede, tão alto quanto um ser humano, e agora se aproximasse com propósitos malignos. Só então o comandante compreendeu o porquê de sua confusão inicial: a pele do dinossauro era tão escura que o deixava perfeitamente camuflado contra o manto da madrugada. Mais gritos de desespero vieram do lado de fora, alguns acabando de forma abrupta. Os marinheiros estavam em perigo, Steve precisava fazer alguma coisa! Tentou sacar seu revólver, mas o réptil atravessou o recinto numa velocidade estonteante.

Os gritos de Ripley preencheram e foram amplificados pela cabine, como se o lugar fosse uma concha acústica. O capitão foi arremessado para trás, ainda consciente. Viu o réptil calando os gritos do imediato com um corte certeiro no pescoço. Quase dava vontade de agradecer, pensou o comandante, mais uma vez levando a mão até o coldre na cintura. A única coisa que conseguiu encontrar foi a mucosa pegajosa de seu intestino grosso.
Então é verdade que não se sente dor – pensou enquanto olhava para o abdômen aberto, lembrando das histórias de homens eviscerados no campo de batalha, mas que continuavam lutando. Arrastou-se e agarrou a alavanca do acelerador, tentando se colocar em pé. Uma garra em forma de foice decepou sua mão na altura do pulso, fazendo com que caísse mais uma vez. A dor lancinante se espalhou do braço para o corpo com intensidade e, concluindo que aquela história de ausência dor não era bem assim, Steve perdeu os sentidos. Nunca mais os recobraria. Lá fora, o caos assumia seu trono, revelando-se um tirano em seus desmandos.
Ian Malcom daria um sermão sobre isso se estivesse presente, ou então teria sido morto como todos os outros. A segunda alternativa era mais provável, mas para sua sorte ele estava a quilômetros dali, ainda sem saber da aventura que o aguardava. O macho alfa emitiu o sinal de chamado e a maior parte do grupo se reuniu na popa, as garras e presas ensangüentadas maculando o negro quase total de suas peles. Fizeram gestos com a cabeça, informando que toda a área estava limpa. Todos estavam mortos, com exceção do grande predador lá embaixo, que dormia. As três fêmeas restantes chegaram logo depois. Haviam eliminado os últimos homens e averiguado tudo, desde a sala de máquinas até o convés. Obviamente, não sabiam o significado de palavras como “sala de máquinas” ou “convés”. Não eram espertos a tal ponto. Sua inteligência se baseava em duas coisas: alimentar-se e passar despercebido.

Há 70 milhões de anos, quando havia inimigos gigantescos por toda parte, não ser visto representava uma enorme vantagem, e a evolução os aperfeiçoara nesse ponto; a cor preta os tornava praticamente invisíveis em seus hábitos noturnos; seus hormônios e secreções eram inodoros, e sua bagagem genética ordenava que eliminassem qualquer coisa que por azar os avistava. Mesmo se o maior Spinosaurus visse um deles, todos os membros do grupo tentariam eliminar a criatura, sem se importarem com a possibilidade de morrerem na tentativa. Felizmente, a situação era muito mais tranqüila agora; satisfeitos pela lauta refeição, brincavam e lutavam entre si de forma amigável. Neurônios ancestrais se ativaram no cérebro do líder, os mesmos que davam ordens para cuidar da prole, os mesmos impulsos que provocavam vontade de também entrar na brincadeira.

Sentiam-se como filhotes, todos eles, filhotes! Mas não era hora para isso. O animal soltou um silvo grave e o bando o encarou, os mesmos olhares de dúvida e ansiedade daqueles primeiros mamíferos esquisitos, que vira logo no momento do nascimento. Não viu mais nenhum deles depois da grande tempestade, que libertara o bando da prisão eletrificada. Isso mudou poucos dias atrás, quando invadiram seu lar, fazendo barulho e prendendo as outras espécies em jaulas. A vida, antes controlável, era agora confusa e perigosa. Sentiram necessidade de abandonar o habitat, então entraram escondidos no grande objeto que se movimentava na água. Até o momento, a decisão parecia acertada; aqueles seres bípedes eram fáceis de matar, além de bastante saborosos. A energia recém ingerida seria útil na próxima etapa da viagem. Precisariam nadar. Eram muito bons nisso. O grande líder já podia sentir o cheiro de terra firme, matéria orgânica e caça abundante. Não compreendia as luzes que vinham da enorme ilha lá na frente, mas não ia vacilar. Os outros o acompanharam até ali, não podia decepcioná-los agora.

Saltaram sobre a amurada de forma quase idêntica à dos Velociraptores, seus primos ligeiramente menores e menos inteligentes, e olharam para San Diego com curiosidade. Logo descobririam que a metrópole tinha excelentes esconderijos, e os desaparecimentos ocasionais aumentariam bastante nos próximos meses, para desespero das perplexas autoridades. O macho alfa soltou um rugido, em tom de desafio. Estava pronto para partir.

5 comentários :

Mario Carneiro disse...

Hii, Patrick, tou malz de comentários, hein? Acho que talvez seus leitores não curtam muito esse tipo de história (ou então não gostaram da minha, hauahau). Abraços!

deck disse...

eae Patrick,adorei a fic,muito boa,otima narraçao,detalhes,bela pontuaçao,etc
o mario vc é muito bom nisso:)

Lucas disse...

eu digo que o misterioso animal é um deinonico,muito boa patrick,um grande tom de suspense.

murillo disse...

E ai Patrick, beleza.
O Mario ta de parabens, muito boa a historia, essa parte do filme eu sempre ficava imaginando como que a tripulação teria morrido.
Pelo tiranossauro, que não poderia ser pq ele tava preso la embaixo, e mesmo que tivesse escapado, nao iria conseguir matar o pessoa dentro da cabine, logicamente ele nao iria voltar la pra baixo e se trancar sozinho.
muito boa essa hipotise.

E parabens pelo blogue.
Abs

Mundo dos bichos disse...

Só fica difícil descobrir qual é o dino pra quem não leu o arquivo da InGen, né? Foi spino que devorou todo mundo no barco. Acho que ele nessa hora não tinha matado as outras femeas. Adorei a post e Mario é muito bom fic. Abraço!