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quinta-feira, 21 de maio de 2009

Ophthalmosaurus

Ophthalmosaurus
© Gabriel Lio
O Ophthalmosaurus, cujo nome significa "Lagarto Olho" recebe esta designação porque era um animal com olhos enormes. Este animal era um ictiossauro, ou seja, pertencia a um grupo de répteis que viviam na água, mas que tinham aparência de peixes, com corpo hidrodinâmico, também semelhante ao dos golfinhos. Este vertebrado media em torno de 6 metros de comprimento e tinha uma mandíbula alongada, com pequenos dentes. Sua mandíbula era bem adaptada para capturar presas como lulas e peixes pequenos, além de outros moluscos.
Esqueleto de Ophthalmosaurus
© Keith Schengili-Roberts
Fósseis deste réptil foram encontrados na Europa, especificamente no Reino Unido e na América do Norte. Um animal bem parecido achado na Argentina inicialmente foi considerado como membro desse gênero, porém hoje é classificado como sendo um gênero novo, Mollesaurus. As rochas onde os fósseis do Ophthalmosaurus foram achadas datam do final do período Jurássico Médio e quase todo o Jurássico Superior.
Muitos outros animais parecido com o "réptil olho" foram nomeados com diferentes gêneros ou dentro do gênero Ophthalmosaurus, sendo que hoje alguns são considerados sinônimos da espécie Tipo, Ophthalmosaurus icenicus, enquanto outros receberam confirmação de pertencerem a outro gênero. Confira abaixo as espécies válidas e aquelas cuja classificação ainda é confusa

Ophthalmosaurus icenicus: espécie Tipo, válida;
Ophthalmosaurus natans:  espécie válida encontrada nos Estados Unidos;
Ophthalmosaurus saveljeviensis: espécie válida, encontrada na Rússia;
Ophthalmosaurus yasikovi: espécie válida, encontrada na Rússia;
Ophthalmosaurus chrisorum: considerado como um novo gênero, Arthropterygius;
Baptanodon: foi considerado como sinônimo júnior de Ophthalmosaurus;Apatodontosaurus: foi considerado como sinônimo júnior de Ophthalmosaurus;
Ancanamunia: 
foi considerado como sinônimo júnior de Ophthalmosaurus;
Undorosaurus: considerado como um gênero válido;
Yasykovia: gênero de validade indeterminada;

Paraophthalmosaurus:‎ tudo indica que é um gênero válido;


Como outros ictiossauros, ele tinha filhotes na água, e, para impedir que morressem afogados ao nascer, a primeira parte do corpo que saía era a cauda. Então mal nasciam, já subiam à superfície e tomavam ar, pois sendo répteis não possuem brânquias, respiravam por pulmões. Tais ideias surgiram a partir de fósseis onde nota-se claramente o filhote nascendo.

Fóssil onde nota-se o filhote nascendo© Retirado da revista Dinossauros - Editora Globo
Esqueletos de filhotes foram encontrados em fósseis de mais de 50 fêmeas, que tinham ninhadas que variavam de 2 a 11 filhotes cada.
O corpo do Oftalmossauro tem uma forma de gota de lágrima e a barbatana caudal é em forma de meia lua, o que colabora para uma boa velocidade na hora de locomover-se na água, tendo uma locomoção bem similar à dos tubarões modernos.
Seus membros dianteiros eram mais desenvolvidos do que os traseiros, o que sugere que as nadadeiras frontais eram responsáveis por definir a direção em que o animal queria ir, literalmente um "volante" natural, enquanto a cauda serviria para dar propulsão e velocidade.
A fama do Oftalmossauro vem de seus olhos, que eram enormes, cerca de 22 centímetros de diâmetro, o que é grande comparado ao tamanho do seu corpo. Tais olhos ocupavam a maioria do espaço do crânio, além de serem protegidos com placas ósseas pequenas que foram um anel esclerótico, uma espécie de círculo de osso que ficava em volta do olho para protegê-los de danos causados pela pressão da água.
Crânio de Ophthalmosaurus, detalhe do anel esclerótico
© Hrvoje Crvelin
O tamanho dos olhos e dos anéis escleróticos sugerem que o Oftalmossauro caçava em grandes profundidades, em águas onde a luz era pouca ou nenhuma ou então ele caçava à noite quando as suas presas estavam mais ativas, sendo elas moluscos principalmente. Em ambientes escuros, olhos grandes são bons, pois captam mais luminosidade e seriam igualmente úteis em ambientes de águas turvas.
Ophtalmosaurus e Amonites, suas possíveis presas
© 
Dmitry Bogdanov
Muitos fósseis foram encontrados sem os dentes na boca, porém espécimes bem preservados mostram cerca de 160 dentes pequenos e cônicos nas mandíbulas, mostrando que o animal possuía uma ferramenta eficaz na captura de moluscos e pequenos peixes. Estudos indicam que este ictiossauro poderia ficar cerca de 20 minutos ou até mais submergido, sem precisar voltar à superfície para respirar.
Paleontólogos estimaram, que a velocidade do Oftalmossauro seria de 2.5 metros por segundo (2.5 m/s) ou maior, mas geralmente a velocidade mais adotada em descrições é de 1 m/s, pois os pesquisadores preferem ser mais cautelosos e não exagerar. Mesmo se locomovendo a 1m/s, o Ophthalmosaurus seria capaz de mergulhar a 600 metros de profundidade e voltar para respirar na superfície em menos de 20 minutos.
Esse é um dos ictiossauros mais bem conhecidos pela ciência, pois mais de 300 espécimes são conhecidos. Claro, nem todos estes esqueletos estão completos, mas juntando partes de um e de outro é possível conhecer detalhadamente todos os ossos do corpo desse réptil tão carismático. Muitos desses ossos foram bem preservados tridimensionalmente nas rochas da Formação Oxford Clay, um tipo de rocha formada por argila que hoje se preserva na região de Oxford, na Inglaterra.
Reconstrução do esqueleto
© McGowan e Motani (2003)
Alguns esqueletos deste animal apresentavam ossos das juntas tortos, curvados, causados por descompressão, talvez acarretados por movimentos rápidos de esquiva, pois sabe-se que algumas baleias modernas acabam ficando com estas curvas quando se esquivam rapidamente para escapar de um predador. Falando em predadores, o mar do período Jurássico era repleto deles, inclusive era morada de um dos mais famosos predadores marinhos conhecido, o Liopleurodon. Além deste, haviam plesiossaurídeos como o Cryptoclidus, tubarões pré-históricos entre outros perigos.
Liopleurodon atacando Ophthalmosaurus, ao fundo Cryptoclidus caçam peixes© Todd Marshall
Não se sabe com certeza se o Oftalmossauro conseguia saltar para fora d'água como os golfinhos, tubarões e baleias atuais, mas, analisando a forma de seu corpo e seus hábitos, é bem provável que fosse capaz disso, tanto que este comportamento foi mostrado em Caminhando com os Dinossauros. Porém nem tudo o que aparece em documentário é absolutamente certo, visto que nessa série da BBC o Ophthalmosaurus foi retratado como um animal banguela.
Ophthalmosaurus saltando
© BBC
O Oftalmossauro não é tão famoso quando os dinossauros, mas ainda assim tem seu espaço na mídia. Em "Walking with Dinosaurs" (Caminhando com os Dinossauros), este réptil aquático aparece no episódio 3, intitulado Mar Cruel. Ele aparece dando a luz e caçando, além de precisar fugir de predadores como tubarões e do exageradamente enorme Liopleurodon.
Ophtalmosaurus de Walking with Dinosaurs 
© BBC
Ophtalmosaurus de Walking with Dinosaurs© BBC

Quando a série da BBC foi lançada, a empresa Toyway produziu um boneco desse réptil para a coleção oficial lançada junto ao programa. Hoje é um item colecionável bastante procurado e razoavelmente caro de ser adquirido.
Boneco de Ophtalmosaurus da Toyway© Patrick Król Padilha
No filme de desenho animado "The Land Before Time IX: Journey to Big Water" (Em Busca do Vale Encantado 9: Jornada para a Grande Água), um Oftalmossauro é retratado com o nome "Mo".
O Oftalmossauro chamado Mo de The Land Before Time
© Mim - Wikia

2 comentários :

Tomy disse...

É difícil acreditar que o Oftalmossauro foi carnívoro, pois não possuia dentes afiados o bastante para triturar a carne.

Ikessauro disse...

Olá Tomy
Obrigado por comentar e dividir sua opinião.
Bem, na verdade o Oftalmossauro não precisava triturar carne, mesmo porque a boca dele era muito longa e estreita, se ele triturasse a carne, ela escaparia da boca. Os dentes de animais marinhos carnívoros geralmente tem uma única função, que é AGARRAR/PRENDER a presa. Principalmente porque peixes e moluscos são lisos demais.
Espero ter deixado claro.