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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Ardipithecus: Descobrindo Ardi

© Discovery Channel
Este é um longo documentário do Discovery Channel a respeito do nosso ancestral denominado Ardipithecus ramidus, que recentemente ganhou grande reconhecimento na mídia e passou a ser conhecido pelo apelido "Ardi". Este primata foi descoberto há muitos anos, em 1992-1993, em um local na Etiópia, por uma equipe liderada pelo paleontólogo Tim White e foi nomeado em 1994, em uma publicação da revista científica Nature, porém os fósseis conhecidos eram apenas alguns poucos dentes e não havia expectativa de encontrar algo mais completo, tanto quanto o esqueleto de Lucy, o Australopithecus afarensis que era considerado o ancestral do homem mais antigo já descoberto. Para saber mais sobre a história de Ardi, como é contada no documentário, clique para expandir a postagem e leia o texto completo, acompanhando algumas imagens também!
No filme do Discovery Channel nós aprendemos, como já descrito antes, quando, como, onde e por quem foi descoberto o Ardipithecus e quais eram as expectativas de se encontrar um fóssil bem completo deste animal. Sabia-se que era antigo, que era um primata, mas não havia nenhuma hipótese nem teoria detalhada sobre o animal devido à falta de material.

No filme, vemos que Lucy por algum tempo era considerada um fóssil transicional entre hominídeo e símio, mas posteriormente notaram que era um mamífero bípede, o que a definiria como um hominídeo. As origens da postura bípede novamente voltavam a ser um mistério e não havia um outro exemplar mais antigo de primata que pudesse esclarecer tudo.
© Discovery Channel

Tim White e sua equipe haviam ido à Etiópia, no Vale do Médio Awash, a leste do rio, porém nada encontraram que pudesse ser vestígio de hominídeos, somente plantas e outros animais. No entanto, nativos da região entraram em conflito com outros povos locais e os pesquisadores acabam mudando o local de escavação, para o lado oeste do rio, onde desta vez, no dia 17 de dezembro, finalmente encontram um vestígio de hominídeo, que nada mais era do que um dente molar. A partir daí, outra expedição foi feita no mesmo local e novos fósseis foram surgindo, porém com dificuldade, mas os poucos dentes serviram para nomear a espécie no artigo na revista Nature, como mencionado.
Em 1994, Tim retorna ao Médio Awash com a equipe para procurar mais, sendo que após incansável procura um dos membros do grupo encontra um ossinho da mão de um hominídeo, o que reflete a raridade dos ossos deste tipo de animal, pois estes eram mais inteligentes que os demais e raramente morriam em locais favoráveis à fossilização e quando morriam, logo eram devorados por predadores, carniceiros.
No dia seguinte, novos ossos surgem, incluindo da perna, mas devido à composição do solo e suas características, o fóssil era muitíssimo frágil, e precisou ser fixado com produtos químicos parecidos com cola, que fixa o osso, impedindo que se quebre facilmente.
© Discovery Channel
Porém alguns dias depois chuvas torrenciais impedem que os paleontólogos continuem a busca, mas depois que esta acaba e o solo seca um pouco, a escavação recomeça. Ao todo foram 15 anos escavando os ossos, que no fim resultou em um conjunto de 90 ossos, dentre os quais estavam a pélvis, ossos do tornozelo, do pé, a base do crânio, mandíbula inferior, braços e pernas, tudo incompleto e bem frágil, necessitando de extremo cuidado.
Ao fim da coleta, o material que havia sido acumulado era excelente para os padrões de fósseis de hominídeos, porém ainda faltava o principal para determinar a aparência do animal, o crânio. Não demorou muito e os sortudos cientistas encontraram diversos fragmentos cranianos do mesmo indivíduo do qual haviam recuperado os demais ossos. Agora sim eles tinham em mãos uma coleção de peças que poderia dar uma noção de como era o animal, mas ainda precisavam saber a idade exata.
Os fósseis não tinham a composição química necessária para a datação, então foram usadas rochas formadas de cinzas vulcânicas, das camadas de cima e de baixo da camada onde estavam os ossos e a idade aproximada foi estimada em 4,4 milhões de anos atrás, bem mais antigo que o fóssil de Lucy.
© Discovery Channel
A partir do estudo da dentição e análises por tomografia computadorizada de alta tecnologia, realizada no Japão, além de pesquisas no resto dos ossos, foi possível determinar que o exemplar era uma fêmea, jovem, porém já adulta, de cérebro pequeno e postura bípede, mas que ainda tinha traços primitivos, como polegares pequenos nas mãos e um dedão preênsil em cada pé para agarrar galhos de árvores, como em macacos. Mas não tinha costume de andar apoiada nos nós (juntas) dos dedos da mão, como gorilas e chimpanzés atuais. Analisando a fauna e flora do local onde Ardi viveu, os cientistas afirmam que ali não existiam planícies vastas, mas sim uma floresta densa e assim derrubaram algumas teorias da origem da postura bípede.
Com todos os dados, um renomado paleoartista especializado em hominídeos foi convidado para retratar Ardi, tanto seu esqueleto, musculatura e uma versão com pele, ainda inédita.
© Discovery Channel

Com este trabalho finalizado, o último passo foi dado pela equipe do Discovery Channel, que usando todos os dados e ilustrações, elaborou uma animação do animal em 3D em seu ambiente natural, unindo arte e ciência.
© Discovery Channel

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