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sábado, 26 de abril de 2008

T-rex era só uma galinha crescida?

Tyrannosaurus Rex
© Scott Hartman
Recentemente paleontólogos americanos realizaram testes e comprovaram uma teoria antiga, as aves descendem dos dinossauros da classe Theropoda. Além disto, conseguiram definir que um dinossauro tem parentesco maior com uma ave bem comum e também a relação entre alguns paquidermes. Veja tudo sobre isto expandindo a postagem.

Neste grupo, Theropoda, estão praticamente todos os dinossauros carnívoros como o Tyrannosaurus rex que foi o "objeto de estudo em questão". Os cientistas retiraram de um fêmur fossilizado a proteína conhecida como colágeno, comum nos ossos, mas rara em fósseis.
Fêmur de T-rex usado nos testes
© Science/Divulgação
De posse desse material coletado do T-rex e de um Mastodonte coletaram também os mesmos materiais de 21 animais atuais, inclusive do homem. Os testes e comparações comprovaram que realmente o Mastodonte (Mammut americanum), uma espécie de elefante extinto é realmente parente do atual Elefante Africano (Loxodonta africana) e mais precisamente de um primo do elefante, também habitante da África, conhecido por Tenrec, que mais parecem ratos do que elefantes.

Já o objetivo principal de eu postar aqui sobre esta notícia é que os testes do colágeno do T.rex é bem próximo do colágeno de duas aves atuais, a avestruz e "pasmem" a galinha! Sim as teorias de que as aves tem parentesco com os dinossauros estão se concretizando em fatos, mas aí surge a questão de quem é mais próximo do T.rex, a galinha ou a avestruz?
Isso ainda ninguém pode afirmar com toda certeza, pois para se detalhar mais esses parentescos seriam necessárias amostras do DNA do dino em questão e por enquanto isso só é possível nas telonas dos cinemas em filmes como Jurassic Park. Essa proteína, o colágeno, dá uma ideia de como seria o DNA do dino, mas somente um esboço, nada muito exato. Mas as análises com o colágeno já permitiu definir que a nossa conhecidíssima galinha é mais próxima do rex na árvore genealógica. Poderíamos até dizer figurativamente que o T.rex é uma galinha crescida ou que as galinhas são minidinossauros.
T.rex e a galinha: você vê semelhanças?
©
Luis Rey
Agora sabemos que o rex é parente mesmo da galinha, mais próximo ainda do que da avestruz, mas o trabalho ainda está iniciando. O fêmur do T.rex somente rendeu 89 aminoácidos, mas nada de DNA, então o "diagnóstico" definitivo deve vir nos próximos anos, com novos estudos.
O trabalho dos pesquisadores de Harvard e da Universidade Estadual da Carolina do Norte foi publicado esta semana na edição da revista Science.

Fonte

domingo, 20 de abril de 2008

Pterossauro à venda: a triste realidade dos fósseis brasileiros

Crânio do Pterossauro em questão
© Paleodirect
Venho por meio desta postagem, infelizmente, dizer ao pessoal que adora dinossauros e outros animais pré-históricos que o nosso patrimônio está virando produto comercial. Este mês a notícia de que num site americano um fóssil de pterossauro brasileiro ainda desconhecido pela ciência está à venda por US$ 700.000 (setecentos mil) dólares foi publicada pela Folha de São Paulo. Para saber mais sobre este ultraje para com o nosso patrimônio fóssil, clique para expandir a postagem.

O fóssil consiste num crânio em excelente estado de conservação, contando inclusive com crista, mandíbula e por incrível que pareça as partes internas do osso, ou seja, tecidos moles de dentro do crânio, de difícil preservação, mas que foram fossilizados, sendo substituídos por minerais de fosfato que mantiveram o material em boas condições.
Crânio: os tecidos moles estão marcados com círculos nº 1 e 2
©
PaleodirectDetalhe dos tecidos: círculo nº 1
©
PaleodirectDetalhe do tecido do interior do bico: círculo nº 2
© Paleodirect

O site Paleodirect está vendendo o fóssil que provém da Formação de Santana, provavelmente do Ceará, onde foram encontrados diversos fósseis de pterossauros no Brasil, e que é um dos maiores sítios fossilíferos de répteis alados do mundo. No site, o dono do fóssil diz que este mesmo item foi comprado de um colecionador alemão, hoje já falecido, que possuía a peça em sua coleção particular. O dono do site crê que 700 mil dólares é um preço barato por uma peça tão rara e conservada, e diz que prefere que o fóssil seja comprado por um museu qualquer, permitindo uma descrição adequada e exposição à comunidade científica. Mas atenção, ele também anuncia que se nenhum museu der os 700 mil pedidos e aumentará o valor e colocará a peça no mercado de colecionadores que compram sem pestanejar peças assim para aumentar suas coleções particulares. Paleontólogos ficaram "babando" ao ver o espécime e alguns dizem que provavelmente nenhum museu tem dinheiro suficiente para comprar a peça.
O site anuncia este tesouro natural como uma raridade, peça única e como uma descoberta que só ocorre uma vez em várias vidas, o que não é de se espantar, pela condição da peça.
Muitos vão perguntar, que se estão vendendo uma peça rara dessas por um preço tão alto porque se preocupar já que não temos grana pra bancar uma maravilha dessas? A questão é que no Brasil, a venda ou qualquer comércio de qualquer tipo de fóssil nacional é proibido por lei. Mas então se é proibido por lei, como podem estar vendendo o fóssil que é de propriedade brasileira por direito? Com certeza, se ele houvesse tentado pegar o fóssil diretamente do Brasil, seria barrado e teria que devolver a peça e pagar multas, mas como ele adquiriu a peça fora daqui, ele diz que ele agora é dono e pronto.
Se a peça saiu do Brasil ilegalmente não podemos pedir repatriação do fóssil? Sim podemos, mas não é bem assim, ir lá e dizer " dá aqui o fóssil porque é nosso" e trazê-lo ao Brasil. O dono que está vendendo diz que o fóssil foi retirado do país antes de 1942, ano em que começou a valer a lei contra a venda de fósseis no Brasil, e foi levado para a Alemanha por estudiosos de lá que vieram ao nosso país numa expedição. Como o rapaz não tem documentos que provem essa data o Brasil quer repatriar o fóssil, mas também não se pode provar que foi contrabandeado depois de 1942, por isso o caso virou um "chove e não molha" que chega a dar dó. Sem provas do contrabando fica difícil repatriar e sem prova da legalidade do fóssil o rapaz não fica em paz. As autoridades brasileiras no ramo da paleontologia estão tentando repatriar o fóssil, mas tudo depende da legalidade/ilegalidade da retirada do fóssil do Brasil e pelo visto vai ser difícil provar algo. Temos mais chances de recuperar o tão raro pterossauro se o estado onde o fóssil está , neste caso a Flórida, tiver leis de repatriação de patrimônio estrangeiro, mas na minha opinião sem querer ser pessimista, esse fóssil não vem para nosso país muito logo não. Paleontólogos brasileiros concordam, o fóssil saiu sim, ilegalmente do país, assim como muitos outros já saíram, tanto dinossauros, quanto crocodilos, pterossauros e peixes, devido à falta de fiscalização pelo governo.
Reconstrução do animal em vida
© Felipe Alves EliasOutra versão do animal vivo
© Folha de São Paulo
Fontes

sábado, 19 de abril de 2008

Álbum Marcante: Chocolate Surpresa Nestlé Dinossauros

Capa do álbum
© Ikessauro

Você lembra deste álbum? Não lembra? Não chegou a colecionar as figurinhas ou nem gostava de dinossauros naquela época? Que tal então conhecer a coleção? Se você sentiu-se interessado, acesse o restante da postagem expandindo-a no link abaixo e confira a minha história com a coleção, além de poder baixar o álbum completinho.

Bem pessoal, muitos amantes dos dinossauros começaram seu gosto pelos grandalhões pré-históricos começaram este gosto lendo livros e revistas, outros vendo filmes ou desenhos animados e ainda aqueles que aprenderam o que é um dinossauro brincando com bonecos dos mesmos. Mas ainda acredito que exista mais um fator que induz crianças a gostar destes animais e este fator é o colecionismo. Na infância, é inevitável que colecionemos algo, desde pedrinhas bonitas encontradas pelo caminho à brinquedos caros, claro dependendo do gosto do indivíduo e do seu (dos pais na verdade) poder aquisitivo. O tipo de coleção mais comum na infância, creio eu, é o de figurinhas, sejam de chiclete, de bala, cromos, cards e outros itens do gênero. Aposto que você lembra-se de alguma coleção de figurinhas que fez na infância, assim como eu lembro de ter colecionados os famosos Tazos da Elma Chips de diversos temas, figurinhas de chiclete, figurinhas daqueles álbuns que davam prêmios e ainda as figurinhas/cards do Chocolate Surpresa, que no meu caso foi uma das coleções mais marcantes que fiz na infância, talvez por ser a primeira.
O Chocolates Surpresa, era produzido pela empresa de alimentos Nestlé, vendidos em forma de uma barra simples de chocolate ao leite, delicioso por sinal, com um cartão/figurinha acompanhando o doce dentro da embalagem. Começaram a ser vendidos no Brasil na década de 1980 e o sucesso prosseguiu na década seguinte. As primeiras coleções eram de animais do mundo, da amazônia, do pantanal, seres marinhos, cachorros de raça entre outros. Com a dinomania ressurgindo no início dos anos 90, devido à grande exposição dos dinossauros na mídia, o lançamento do filme Jurassic Park (1993) e diversas outras coleções falando no assunto, a empresa não perdeu tempo, elaborou logo uma coleção sobre estes seres extintos, que incluía diversas espécies.
Eu conheci o chocolate indo ao supermercado que ficava no lado oposto da rua, lembro que eu e meu avô fomos ao mercado, e, fuçando entre os chocolates vi aquela barra, com uma embalagem de papel marrom (isso mesmo, papel e não plástico!) na prateleira, aquele T.rex bonitão na frente, me conquistou instantâneamente, mesmo eu nem sabendo o que era um dinossauro. Gostei, peguei um chocolate e levei, já que meu avô ia comprar um doce pra mim. Chegando em casa eu descobri a figurinha dentro da embalagem, só não lembro qual dinossauro era (dá uma folga hein, eu tinha uns 3 a 4 anos, não vou lembrar de tudo hehehe). Consegui com um amigo uma cópia digitalizada da embalagem, para matar minha saudade daquela época e claro, postar aqui para todos os que conheceram a coleção.

Embalagem do chocolate
©
Blog do ikessauro
A partir daquele dia eu comecei a me familiarizar com os dinossauros e obviamente que enchia a paciência de meus pais para que comprassem o chocolate, insistência que me rendeu praticamente duas coleções de figurinhas completas. Cada card tinha no verso as informações sobre o animal da figura e ainda uma curiosidade, que minha mãe lia para eu ouvir, afinal, eu ainda não havia aprendido a ler. Minha mãe resolveu me agradar e pediu pelo correio o álbum da coleção, enviando 4 embalagens por carta. Quando o álbum chegou, ela me mostrou e eu adorei, embora tenha ficado com medo de colar as figurinhas, pensando que a partir daí não haveria um modo de minha mãe ler o verso pra mim. Só descancei quando me explicaram que o álbum tinha escrito tudo o que estava no verso dos cards, então concordei e montei o álbum.
Infelizmente, meu álbum completinho sumiu... Não lembro se perdi, se roubaram, só sei que sumiu. Me restaram as figurinhas soltas, mas se um álbum some, vários cards soltos desaparecem com mais facilidade ainda não é ?
Com o passar dos anos, meu gosto por dinossauros foi ficando esquecido, embora sempre aflorasse cada vez que via um eheheh, mas o álbum nunca reapareceu. Anos depois, quando voltei a admirar os dinossauros, aprendi a usar a internet e obtive acesso a computadores com conexão, consegui comprar de um vendedor um álbum completo em bom estado de conservação. Imaginem a felicidade que senti ao ver o álbum em minhas mãos, parecia a mesma criança de 4 anos ahhaha.
Mas, falando do álbum e da coleção, posso dizer que é incrível, muito legal, pois reune 30 animais pré-históricos em figurinhas ilustradas com pinturas realistas e bem coloridas, além de que praticamente todos os animais foram retratados anatomicamente corretos, se comparadas às mais recentes reconstruções feitas pela ciência. O álbum contava sobre o surgimento, desenvolvimento e extinção dos dinossauros, dividindo as figurinhas em 3 grupos, de acordo com o período em que o animal viveu dentro da Era Mesozóica, também explicando cada período, Triássico, Jurássico e Cretáceo.
Abaixo você confere cada animal que foi inserido na coleção, em ordem numérica de acordo com o número que leva na coleção e dividos por período:
Triássico
1 - Cynognathus
2 - Staurikosaurus
3 - Shonisaurus
4 - Heterodonthosaurus
Jurássico
5 - Dilophosaurus
6 - Elasmosaurus
7 - Stegosaurus
8 - Apatosaurus
9 - Archaeopteryx
10 - Allosaurus
11- Brachiosaurus
12 - Othnielia
13 - Hypsilophodon
14 - Compsognathus
Cretáceo
15 - Baryonyx
16 - Deinonychus
17 - Oviraptor
18 - Iguanodon
19 - Tyrannosaurus rex
20 - Styracosaurus
21 - Parasaurolophus
22 - Ornithomimus
23 - Pachycephalosaurus
24 - Triceratops
25 - Spinosaurus
26 - Protoceratops
27 - Velociraptor
28 - Maiasaura
29 - Euoplocephalus
30 - Cearadactylus

Dos 30 animais do álbum, 5 não são dinossauros, embora o nome da coleção seja Dinossauros. São estes o Cinognathus, que é um réptil-mamífero, o Shonisaurus e o Elasmosaurus, que são répteis-marinhos, o Archaeopteryx, uma espécie de ave - réptil e o Cearadactylus, um réptil voador. Um detalhe é que alguns dados do álbum estão incorretos, como o Elasmossauro, que está entre os animais do Jurássico, mas que na verdade era do Cretáceo. Não que os dados foram mal interpretados, mas estão meio que ultrapassados, como a história do Oviraptor roubando ovos. Com o passar dos anos, novas descobertas ocorrem e alguns dados são revisados, alterados ou substituídos por interpretações mais conclusivas e com provas mais sólidas.
Voltando ao álbum, poderia descrevê-lo da seguinte forma: pequeno, do tamanho de um caderno destes pequenos, formato brochura (que não é capa dura), cuja capa você pode ver no início da postagem. Na contra capa há o resto da imagem do ninho, com um Triceratops, naturalmente a mãe, observando o filhote a sair do ovo. Durante a leitura, quem nos apresenta os textos e os dados é uma espécie de mascote, um dinossaurinho bem simpático que guia nossa viagem através do álbum. O material usado e qualidade dos textos e imagens é alto, pois foi editado pela Editora Abril, uma das melhores, do país para não dizer a melhor. Os desenhos, segundo o que diz no álbum, foram feitos por Rodrigo Leão e Brasilio T. Matsumoto, acompanhados pelos textos da escritora Elizabeth Loibl. Como dito, o álbum saiu no início dos anos 90, precisamente em 1993 se não me falha a memória.
Ao fim do álbum, na parte do interior da contra-capa, há um mini-pôster com todos os animais do álbum, organizados por período e com seu nome escrito ao lado das ilustrações. Percebendo a importância que este álbum teve na vida de muitos adoradores de dinossauros, resolvi escanear o álbum todo, editá-lo e postar aqui para que todos os interessados possam fazer o download e matar a saudade da coleção. 

O site Mediafire irá pedir uma senha. A senha é www.ikessauro.com


LINK ATUALIZADO/TESTADO PELA ÚLTIMA VEZ EM 02/09/15

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Carnotaurus

© Vlad Konstantinov


sábado, 12 de abril de 2008

Quetzalcoatlus

© Vlad Konstantinov


sábado, 5 de abril de 2008

Anatotitan

Anatotitan copei
© Eduardo (Karkemish00) Esqueleto de Anatosaurus:não encontrei um especificamente do Anatotitan
© Oyvind M. Padron

Nome científico: Anatotitan copei e Anatotitan longiceps.
Significado do Nome: Pato Gigante ou Grande Pato.
Tamanho: 12 metros de comprimento e 4 metros de altura.
Peso: 4 toneladas.
Alimentação: herbívora.
Período: Cretáceo.
Local: Estados Unidos e Canadá - América do Norte.


Clique no mapa e veja onde acharam o Anatotitan!
© Mapa modificado por Patrick Król PadilhaVeja quando viveu o Anatotitan!
© Patrick Król Padilha
O Anatotitan é um dinossauro bem interessante, mas que poucos conhecem a fundo devido à sua baixa popularidade na mídia em geral. Mas com esta postagem espero que possam compreender melhor a história deste dino, como e onde foi descoberto, porque tem este nome e como era em vida, além de uma ou outra curiosidade que eu descobri a respeito.
Começarei pelo começo, ou seja, pela descoberta do primeiro esqueleto deste bicho tão diferente e ao mesmo tempo belo, gracioso, que foi encontrado e coletado primeiramente em 1882 por dois homens, o Dr. J. L. Wortman junto com R. S. Hill, que estavam trabalhando como coletores de fósseis, pois haviam sido contratados por Edward Drinker Cope.
Naquela época, a "Guerra dos Ossos" estava ocorrendo na América e Cope e seu rival O. C. Marsh começaram a usar seu dinheiro e influência para contratar coletores de fósseis, cuja tarefa era encontrar os ossos, escavar e enviar ao patrão que o descreveria, tudo em segredo para não chamar a atenção dos rivais.
Wortman e Hill encontraram o esqueleto do Anatotitan nas rochas da famosa Formação Hell Creek, no nordeste da região conhecida como Black Hills no estado de Dakota do Sul, nos Estados Unidos.
Um fato interessante é que este espécime preservou-se por mumificação, preservando grande parte da pele do animal em forma de impressões perfeitas na rocha, mas em contra partida, outras partes faltavam no esqueleto, como uma grande porção da pélvis e parte da área do torso, talvez resultado da erosão causada no fóssil pelo curso do rio que ali passava.
© Josep Zacarias

O indivíduo encontrado ainda apresentava o bico córneo e o mais impressionante, com impressões de camadas de queratina que deveria revestir o bico do animal em vida, como ocorre com chifres. Para quem não sabe, queratina é a substância que forma nossas unhas, recobre o osso de chifres e garras nos animais e está presente em outras partes do corpo. Além disso era possível notar que a mandíbula superior e inferior apresentavam marcas que eram onde se prendiam os dentes do bicho.
O primeiro nome que o esqueleto recebeu, dado por E. D. Cope enquanto descrevia-o, foi Diclonius mirabilis, uma mistura de dois nomes já existentes, que eram Trachodon mirabilis, criado por Joseph Leidy com base em dentes de um dinossauro e outro nome era Diclonius, também baseado em dentes de hadrossauro, mas desta ver criado pelo próprio Cope.

Cope pensou que Leidy não interessava-se em manter o nome Trachodon, que havia abandona-o e por isso o usou em seu novo dinossauro. Leidy admitiu que seu Trachodon era baseado em fósseis de mais de um tipo de dinossauro e que isto era errado, portanto ele revisou o gênero, mas não publicou nada formalmente e por isso não poderia afirmar nada sobre o nome Trachodon ou mantê-lo como sendo do seu dinossauro.
Posteriormente o fóssil daquele dinossauro foi comprado pelo Museu Americano de História Natural em 1899 e ganhou a numeração AMNH 5730. Atualmente este espécime é considerado o holótipo de Anatotitan copei. A sigla indica o nome do museu onde está o fóssil (American Museum of Natural History) e o número provavelmente é o número da peça na coleção de fósseis do museu e holótipo é o termo que indica qual exemplar foi usado para criar o gênero a que a espécie é atribuída. Cope pretendia descrever o esqueleto assim como o crânio, mas seu estudo prometido nunca foi publicado.
Reconstrução do Trachodon feita na época © Charles R. Knight

Mas como já sabemos, naquela época houve a "Bone War" (Guerra dos Ossos), um tipo de competição entre os mais famosos coletores de fósseis para ver quem descrevia mais dinossauros. Cope era um dos grandes nomes, e seu maior e principal concorrente, era Othniel Charles Marsh.
Marsh também aparece na história da descoberta do Anatotitan, pois em 1889, na Formação Lance, John Bell Hatcher coletou uma mandíbula inferior do hadrossaurídeo em rochas do Condado de Niobrara, estado do Wyoming - Estados Unidos.
Hatcher que trabalhava para Marsh, entregou-lhe o fóssil que foi descrito como sendo de um animal que ele nomeou de Trachodon longiceps e que hoje é catalogado com o número YPM 626.
Os pesquisadores Lull e Wright observaram que havia semelhanças entre o exemplar de Cope e o de Marsh, pois ambos tinha uma espécie de saliência ou aresta atravessando toda a mandíbula, porém haviam diferenças de tamanho entre os exemplares. O de Marsh era bem maior, medindo cerca de 110 centímetros de comprimento enquanto o de Cope media apenas 92 centímetros.
Mas mesmo com o achado de Marsh, ainda havia pouco material fóssil de Anatotitan para estudo até que um novo fóssil foi achado, desta vez um esqueleto mais completo que foi descoberto em 1904 em Montana, nas rochas de um local chamado Crooked Creek, parte da Formação Hell Creek.
O descobridor foi Oscar Hunter, um fazendeiro local, que junto com um companheiro acabaram topando com ossos parcialmente expostos na rocha e intrigados, começaram a debater se eram restos de um animal recente ou se era mesmo um esqueleto petrificado.
Hunter resolveu testar a consistência do objeto, chutando o topo de uma vértebra e constatou que eram frágeis, quebravam facilmente, um ato que depois chegou ao conhecimento do paleontólogo Barnum Brown e que foi fortemente condenado, lamentado, afinal, não se deve quebrar um fóssil principalmente chutando o mesmo.
Hunter vendeu o fóssil a Alfred Sensiba, outro vaqueiro da região, que por sua vez revendeu o fóssil a Brown, que o escavou e o levou ao Museu Americano de História Natural em 1906, de onde não saiu até hoje, recebendo a marcação AMNH 5886.
A coluna vertebral deste exemplar estava quase completa e baseando-se nesta os cientistas puderam restaurar o Trachodon de Cope, que estava incompleto. Em 1907 foi criada uma exibição dos esqueletos no museu, com os dois exemplares lado a lado, sendo ambos nomeados como Trachodon mirabilis, ganhando muita notabilidade.
O Trachodon de Cope foi montado apoiado em quatro patas, com a cabeça baixa como se estivesse comendo plantas baixas, porque o crânio deste estava bem mais preservado, enquanto o indivíduo descrito por Brown foi posto apenas em duas pernas, com o crânio situado no alto, onde defeitos, como fraturas ou imperfeições não eram notadas facilmente.
O famoso Henry Fairfield Osborn, que nomeou o T.rex, descreveu a montagem como a representação de dois Trachodons comendo em um pântano, com um deles em pose de alerta frente à aproximação de um Tiranossauro rex. Foram adicionadas impressões de plantas e conchas na base onde estavam os esqueletos, baseados em fósseis de plantas como ginkgos, pinhas de sequóia e cavalinhas.
Os esqueletos no Museu Americano de História Natural
© Claire Houck

A classificação de um dinossauro permite que os cientistas tracem uma linha evolutiva do animal, sua árvore genealógica e ainda permite compreender muito sobre a relação do animal com seus parentes. A história taxonômica do Anatotitan não é fácil de compreender ou breve, mas vou tentar esclarecer um pouco a situação. Como podem perceber, diversas vezes escrevi Trachodon na postagem me referindo ao Anatotitan, porque era esse seu primeiro nome.
O problema em definir uma classificação exata para um animal é que muitas vezes diferentes cientistas tem diferentes pontos de vista a respeito de uma característica do animal que pode ser bem importante para definir sua classificação e isso só piora quando os animais são extintos, como dinossauros e seus fósseis não foram bem preservados.
Devido à falta de material fóssil completo de diversas espécies de hadrossauros, John Bell Hatcher realizou um estudo em 1902 agrupando a maioria deles, que tinha muito pouco fóssil conhecido, em um único gênero, para "facilitar" a classificação e o gênero Trachodon, que era o mais bem conhecido, recebeu a adição de diversos espécimes, entre eles Claorhynchus e até um dinossauro chamado Polyonax, que hoje acredita-se ter sido um dino de chifres.
Além destes, foram renomeados para Trachodon os Cionodon, Diclonius, Hadrosaurus, Ornithotarsus, Pteropelyx, Thespesius e ainda uma espécie nomeada por Marsh em 1892 como Claosaurus annectens.
Hatcher considerou que o Claosaurus de Marsh era a mesma espécie que Diclonius mirabilis, proposta por Cope, com pequenas diferenças. Esse acordo de nova classificação durou por algum tempo, até que por volta de 1910 encontrou-se novos fósseis no Canadá e em Montana, mas espécies novas e bem variadas, algo que já se imaginava, e que agora colocava a proposta de unificação do gênero dos hadrossauros em maus lençóis.

Charles W. Gilmore reavaliou a classificação dos hadrossauros em 1915 e recomendou que o Thespesius, naquele período atribuído ao gênero Trachodon de acordo com o estudo de Hatcher, fosse separado do gênero, pois era um hadrossauro das rochas da Formação Lance, e segundo ele o grupo dos hadrossauros deveria agrupar apenas os hadrossauros das formações rochosas mais velhas do Judith River. Além disto Gilmore percebeu que o gênero Trachodon era baseado em material inadequado e a partir daí deixaram de lado a classificação única de todos os dinos bico de pato e a diversidade de espécies que antes existia voltou a ser usada e nomes como Trachodon mirabilis, Trachodon annectens, claosaurus e Thespesius voltavam a ter validade.
Esta verdadeira anarquia taxonômica foi temporariamente resolvida em 1942 por dois cientistas, Richard Swann Lull e Nelda Wright, cuja publicação era uma monografia sobre os hadrossauros da América do Norte, continha uma organização taxonômica dos dinossauros bico de pato do Museu Americano e de outras espécies em um novo nome genérico.
O nome escolhido foi Anatosaurus, que significa "Pato Lagarto" ou "Lagarto Pato" como preferir, e usaram o exemplar de Marsh como espécime holótipo, denominando-o Anatosaurus annectens.

Neste gênero eles colocaram o Trachodon longiceps, o Diclonius mirabilis descrito por Cope e duas outras espécies antes incluídas no gênero Thespesius como um "Hadrossaurídeo da Formação Lance", sendo esta uma proposta de Gilmore. Estas duas espécies acabaram recebendo os nomes Thespesius edmontoni em 1924 nomeado por Gilmore e Thespesius saskatchewanensis em 1926, descrito por Charles M. Sternberg.
Mas Lull e Wright complicaram a coisa ao decidir tirar os espécimes do Museu Americano de dois gêneros, porque não havia nenhuma prova suficientemente convincente para classificar tais animais no gênero Diclonius e nem no gênero Trachodon. Os fósseis ficaram sem um nome oficial, então Lull e Wright os nomearam como espécimes do novo gênero, Anatosaurus copei, sendo que o nome da espécie foi uma homenagem a Cope.
O espécime que originalmente foi descrito por Cope, de número AMNH 5730, foi usado como holótipo da espécie, com o exemplar de Brown, AMNH 5886, sendo o plesiotipo, e assim ficou o gênero, com somente estes dois exemplares conhecidos.
Só na década de 1970 e 1980 é que a confusão taxonômica foi desfeita, com o trabalho de Michael K. Brett - Surman, que eram trabalhos de graduação, cujo objeto de estudo foi o material fóssil dos hadrossauros, que foram reexaminados. O resultado determinou que o holótipo do gênero Anatosaurus, ou seja, o exemplar de Cope, era na realidade um Edmontosaurus e ainda afirmaram que o outro exemplar era suficientemente diferente do Edmontosaurus para merecer um gênero próprio, ou seja, o a espécie Anatosaurus copei continuou existindo.
Como as teses e dissertações de graduação não foram consideradas como publicações oficiais pela Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica, a qual regula a forma de nomeação de organismos, a teorias apresentadas não eram oficialmente válidas, mas eram boas o suficiente para que diversos paleontólogos as adotasse em muitos trabalhos populares na época, o que de fato ocorreu.
Sugeriu-se em 1990 o nome Anatotitan copei para substituir o nome antigo, cuja publicação oficial na literatura científica ocorreu no mesmo ano, em um artigo escrito por Brett-Surman com Ralph Chapman. O nome Anatotitan é uma combinação do termo proveniente do Latim, anas = pato e do grego, Titan = grande, além de que o nome da espécie, como já mencionado, é uma homenagem a Edward Drinker Cope, usando seu sobrenome acrescido de I no final, formando a palavra copei, algo que significa "de Cope", o que no final, resulta no significado "Pato Grande de Cope".
Neste início da década de 90 já haviam desenterrado mais 3 exemplares de A. copei, sendo ao todo 5 exemplares, sendo que atualmente pelo menos 6 indivíduos são conhecidos.
Mas atualmente ainda continuam as discussões a respeito do Anatotitan, pois alguns paleontólogos, nomeadamente Jack Horner, David B. Weishapel e Catherine Forster, acreditam que todos os espécimes de A. copei são na verdade indivíduos de Edmontosaurus annectens, cujo crânio foi levemente quebrado e por isso é mais achatado e um pouco diferente.
Veja o estranho crânio do Anatotitan
©
Tuomas Koivurinne

Ainda há uma possível segunda espécie de Anatotitan, denominada A. longiceps, que foi adicionada ao gênero em 1991 pela primeira vez, por George Olshevsky.
Essa adição foi aceita pelo pesquisador Donald F. Glut (1997), mas novamente Horner e Weishampel vem contrariando os outros paleontólogos, dizendo que o A. longiceps é um sinônimo de A. copei e de acordo com eles, se A. copei é sinônimo de Edmontosaurus annectens, então logo A. longiceps é um Edmontosaurus também, como publicaram no seu estudo junto com Forster em 2004.
Enquanto não há um consenso a respeito da afirmação de Horner e seus colegas, o gênero Anatotitan é válido e eu como diversos amantes dos dinossauros vamos continuar vendo o Anatotitan como um dinossauro diferente de Edmontossauro.
A classificação atual deste dino, está da seguinte maneira de acordo com o site DinoData: Ornithischia > Ornithopoda > Hadrosauridae > Hadrosaurinae > Edmontosaurini > Anatotitan

Os restos do Anatotitan foram achados somente em rochas do final do Maastrichtiano, no estado de Dakota do Sul, onde fica a Formação Lance e na Formação Hell Creek também. Além deste local, a parte da Formação Hell Creek do estado de Montana também forneceu alguns fósseis do Anatotitan, porém em nenhum destes sítios foi encontrado um "cemitério" de Anatotitans, como ocorreu com o ceratopsiano Paquirrinossauro no Canadá ou com o prossaurópode Plateosaurus na Alemanha.
A partir dos seus restos foi possível determinar sua aparência que não varia muito da dos outros dinossauros bico de pato, pois o corpo é bem semelhante, mas não possuía cristas como a maioria dos animais do grupo, pois a sua era muito singela, pequena. Seu crânio era bem diferente, bem achatado e mais largo, com o característico bico na boca, revestido de queratina, como indicam os registros fósseis.
O parente mais próximo do Anatotitan é o Edmontossauro, e são muito similares, tanto que alguns acreditam que sejam o mesmo animal, como já dito antes nesta postagem.
Em questão de tamanho, a estimativa dada por E. D. Cope foi de 12 metros de comprimento, com um crânio de 1,18 metros, mas revisões posteriores baixaram a medida para 8,8 metros de comprimento, porém o esqueleto usado na medida estava incompleto, faltavam ossos do quadril, da vértebra e da cauda .
Um esqueleto atualmente exibido próximo ao holótipo é estimado em 9,1 metros de comprimento, com a cabeça situada a 5,2 metros acima do solo em pose bípede e a altura nos quadris é de 2,1 metros.
De acordo com o site DinoData, a estimativa atual é de 12 metros de comprimento, como afirmou Cope no início dos estudos sobre este animal e sua massa corporal deve ter sido de aproximadamente 3,3 toneladas. O crânio do Anatotitan é conhecido por seu longo e largo focinho em forma de bico. Já em seus estudos, Cope comparou isso com a vista lateral, de perfil do crânio de um ganso, e com a vista superior do crânio de um pássaro de bico curto, constatando que o crânio era mais longo e chato proporcionalmente que em qualquer outro hadrossaurídeo conhecido. A parte sem dentes da mandíbula anterior era relativamente mais longa que em outros dinossauros do mesmo grupo e havia ossos rodeando as fenestras, que estranhamente formavam depressões, orifícios em torno das aberturas cranianas.
Segundo algumas fontes, o termo "dinossauro bico de pato" surgiu com o Anatotitan na época de seu descobrimento e não é exagero, pois ele tem mesmo um bico estranho, como você pode notar na foto de uma réplica logo abaixo.
Réplica do crânio do Anatotitan
© American Museum of Natural History/Recast.com
Os ossos que suportam os olhos eram retangulares e mais longos do que altos, entretanto tais características devem ter sido aumentadas pelo esmagamento pós-mortem (depois que o bicho morreu). O osso chamado quadrado e que forma a articulação da mandíbula era bem curvado, além de que tinha a mandíbula longa e fina, sem curvatura para baixo como podemos perceber em outros hadrossauros. Outra peculiaridade do crânio é um tipo de aresta proeminente que cruza toda a mandíbula, o que provavelmente reforçava a estrutura aparentemente frágil da mandíbula.
Um osso, conhecido como pré-dentário, era largo e tinha forma de pá. A coluna vertebral do Anatotitan tinha mais de 60 vértebras, sendo 12 vértebras cervicais (do pescoço), 12 dorsais (do corpo/tronco), 9 vértebras sacrais (da parte da pélvis e início da cauda) e mais de 30 vértebras caudais.
Os membros possuíam ossos mais longos e leves que os dos hadrossaurídeos de tamanho parecido e a sua pélvis era bem distinta, permitindo a movimentação em duas ou quatro patas.

Era um dinossauro incrível, vegetariano, e provavelmente preferia comer apoiado em suas quatro pernas, mas correr com certeza seria mais fácil em duas pernas, principalmente para fugir dos predadores e como já mencionei, Henry Fairfield Osborn usou os esqueletos no Museum Americano de História Natural para representar as duas poses, bípede e quadrúpede lado a lado.

Falando em comer e fugir, não posso esquecer de mencionar algo importantíssimo sobre qualquer dinossauro, que é o ambiente em que viveu, que tipo de alimento encontrava disponível em tal local e quais os perigos dali.
O paleontólogo Dale Russel descreveu o ecossistema onde viveu o Anatotitan em um trabalho, que na verdade é a descrição do ambiente da Formação de Hell Creek durante aquele período, com foco na área de Fort Peck.
Segundo ele, o local era uma planície alagadiça com um clima subtropical relativamente seco que criava condições de vida para uma grande variedade de plantas, de árvores angiospermas a cedros e ciprestes, de fetos (samambaias) a ginkgos. Por falar em comida, o Anatotitan usava seu largo bico córneo para arrancar as plantas que gostava de comer e as mastigava! Sim, parece estranho dizer isso, mas a maior parte dos dinossauros não podia mastigar nem fazer qualquer tipo de movimento parecido, mas os hadrossauros eram especiais. Para mastigar, precisamos manter a comida na boca, mas em animais como crocodilos, dinossauros carnívoros entre outros, a comida acaba escapando para fora da boca por falta da bochecha, que nós mamíferos temos. Aparentemente ela não tem função, mas é pra isso que ela serve, manter a comida na boca enquanto mastigamos. Mas a mastigação do Anatotitan e de outros hadrossauros não era tão sofisticada como a nossa, mas já era uma evolução em relação aos demais dinos, o que só era possível graças a forma que seus dentes se agrupavam, em baterias com mais de 1000 deles, que juntos trituravam a vegetação quando o animal movia a mandíbula de forma a macerar as plantas, um movimento quase horizontal da mandíbula, que acabava processando as plantas que ele colheu do solo ou de árvores, usando a pose bípede, facilitando a digestão.
Bateria de dentes de um Edmontossauro: a do Anatotitan era praticamente igual © Vince Williams / Universidade de Leicester

Outros dinossauros também viveram por ali, entre estes o Thescelosaurus, um herbívoro hypsilofodontídeo, os ceratopsianos e Triceratops e Torosaurus, além do Edmontosaurus que é similar ao Anatotitan. Mas não acaba por aí, pois ali ainda viveram o Ankylosaurus, o Pachycephalosaurus e o Stygimoloch, enquanto os terópodes eram representados por Ornithomimus, Troodon e Tyrannosaurus rex.
O pobre Anatotitan é agarrado pelo Tiranossauro rex
©
Daisuke Komatsu

O paleoilustrador Luis Rey pintou uma cena interessante de uma família de T.rex alimentando-se de um cadáver do Anatotitan e um exemplar da espécie sendo perseguido na mesma imagem por dois "rexes" adultos.
Anatotitan: potencial presa do rei?
© Luis ReyAnatotitan sendo atacado por T.rex
© BBC
video

Acredito que mencionei anteriormente neste post que as fenestras e aberturas das narinas deste dinossauro tinham extensas depressões em seu redor. Provavelmente abrigavam uma espécie de bolsa inflável de tecido mole que talvez servisse para produzir sons, provavelmente usados para chamar ou alertar parceiros de bando ou somente para uso de exibição visual, neste caso sendo talvez uma espécie de bolsa inflada com ar que deveria ser colorida para atrair parceiros na época de acasalamento.
Anatotitan se comunicando em Caminhando com os dinossauros
© BBC
Quanto à reprodução deste dino, pouco ou nada se disse a respeito, mas é provável que fosse bem similar à dos outros hadrossauros, com machos tentando impressionar as fêmeas com sons ou adornos coloridos, dentre estes as cristas, que talvez tivessem ambas as funções. Provavelmente faziam ninhos e botavam ovos, mas não sabemos com certeza, porque nenhum material fóssil de ovos ou ninhos do Anatotitan foram descobertos.
Mas algo sabemos com certeza, que é a aparência, ou melhor, a textura da pele deste dinossauro, pois um de seus fósseis estava mumificado e preservou extensas áreas com impressões da pele, que era bem característica de um réptil, com escamas arredondadas, não sobrepostas, mas separadas por um área de pele mais fina entre cada uma. O tamanho das escamas variava de acordo com a localização dela no corpo, sendo áreas no dorso que tinham mais exposição ao sol e que eram mais afetadas por contato com o solo recobertas com escamas mais grossas e grandes, enquanto áreas como dobras, parte da barriga ou do lado interno da perna tinham escamas mais finas.
O Anatotitan era um animal terrestre, mas por muito tempo pensavam o contrário disto imaginando-o como um ser aquático ou anfíbio. Anfíbio não no sentido literal da coisa, mas para indicar que passava grande tempo na água e por vezes aventurava-se na terra firme.
A descrição de E. D. Cope no início dos estudos sobre este animal promoveu os hadrossauros como anfíbios, contribuindo para essa imagem tradicional. Cope dizia que os dentes da mandíbula inferior eram conectados de forma muito fraca e poderiam, segundo ele, quebrar se usados para comer comida dura como as plantas terrestres, além de que o bico, segundo Cope, seria fraco também, servindo apenas para comer apenas plantas moles, aquáticas.
Infelizmente para Cope, ele descreveu diversos ossos do crânio incorretamente, além de que as mandíbulas inferiores estavam incompletas, faltavam as paredes internas que seguravam os dentes, o que provaria que estes eram bem presos se o crânio estivesse inteiro, ou seja, a teoria dele estava errada, o que é possível verificar com muita precisão hoje com conhecimento mais aprofundado sobre o grande réptil, além de que os paleontólogos possuem técnicas modernas de análise.
Este dinossauro provavelmente andava em bandos com diversos indivíduos, pelo menos é o que dizem os paleontólogos, se baseando em comportamento de outros animais, vivos e extintos. Talvez pudessem cuidar um do outro se vivessem juntos e a busca por comida e parceiros para acasalar ficaria mais fácil.
Anatotitans de When dinosaurs Roamed America
© Discovery channel

O Anatotitan não é tão popular entre os leigos em matéria de paleontologia, pois raramente é usado em filmes ou brinquedos. Mas apareceu até que ocasionalmente na mídia, incluindo documentários como "Quando os dinossauros reinavam na Terra" (When Dinosaurs roamed America) do Discovery Channel. Também foi mostrado em Caminhando com os Dinossauros, no episódio final da série, intitulado "A morte de uma dinastia", no qual é representado como o último dos dinos bico de pato e como uma presa do Tiranossauro.
Anatotitan, documentário Walking With Dinosaurs
Episódio 6, A morte de uma dinastia
© BBC Anatotitan no habitat natural
© BBC Anatotitan de Quando os Dinossauros reinavam na Terra
© BBC
Em forma de brinquedo, acredito que apenas uma empresa realizou um boneco do Anatotitan, que é a empresa Safari Ltd., que criou uma miniatura do animal como parte da coleção Sue Field Museum, que é baseada na descoberta do maior esqueleto de Tiranossauro, apelidado de Sue e que hoje está no Field Museum de Chicago. O boneco é bem bonito, com uma cor laranja puxando para o amarelo queimado com listras avermelhadas, bem interessante, mas infelizmente o boneco é pequeno, medindo apenas alguns poucos centímetros.
Boneco do Anatotitan feito pela empresa Safari
© Safari Ltd.

Fontes

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Sauropoda

Da esquerda para a direita: Plateosaurus, Diplodocus, Mamenchisaurus, Brachiosaurus e Jobaria
© Sergio Pérez
Dinossauros estão presentes na vida de praticamente todo mundo atualmente, e não adianta dizer que nunca viu um desenho de um ou um brinquedo durante a infância ou até mesmo que nunca viu um filme sobre o tema. Sem dúvida, entre os dinossauros há um grupo que ganha atenção especial, pois seu porte e formato corporal os tornaram queridos por crianças do mundo todo, e também por adultos. Falo deste grupo chamado Sauropoda, que tem o nome originário do Grego, nome este dado por Othniel Charles Marsh em 1878 e que significa "Pés de Lagarto" ou "Pés de Réptil". Não sabe de quem falo? Quem nunca ouviu falar do dinossauro "Pescoçudo" hein? Para saber mais sobre estes bichões você precisa somente expandir a postagem e ler o conteúdo completo.

Todos sabem quem são eles, os maiores animais que pisaram no planeta Terra, há milhões de anos atrás. Eles eram como os Terópodes, dinossauros saurisquianos, ou seja, que têm bacia semelhante à de um réptil, característica que os faz pertencer à ordem Saurischia, agrupados na infraordem chamada de Sauropoda ou em bom e velho português, Saurópodes.
O ísquio do Apatossauro é virado para frente, por isso o animal é considerado um saurisquiano, assim como todos os saurópodes e terópodes
© Scott Hartman
Eles são notáveis pelo enorme tamanho em algumas espécies, e o grupo inclui muitos dos maiores animais terrestres que já viveram, dentre os quais, os gêneros mais conhecidos são provavelmente Apatosaurus, Brachiosaurus e Diplodocus.
Evolução: surgimento e fim dos dinos de pescoço longo
Saurópodes apareceram primeiramente no final do período Triássico, época em que tomavam forma como o grupo Prosauropoda, que provavelmente é o ancestral dos grandes Saurópodes, mas que naquele período ainda não cresciam tanto. Estes animais não são considerados realmente como saurópodes verdadeiros, que fazem parte do grupo Eusauropoda. Os Prosauropodes eram animais mais basais, primitivos, com tamanho reduzido, até 10 metros, com pescoço longo e uma garra afiada nos membros dianteiros para defesa, sendo herbívoros e semiquadrúpedes, andando em posição bipedal quando queriam. Acreditava-se que eram ancestrais dos verdadeiros saurópodes, mas hoje são considerados por alguns pesquisadores como uma linhagem paralela, com parentesco próximo, definindo assim a Infraordem Prosauropoda. Com o fim do Triássico e começo do Jurássico, a maioria dos prossaurópodes mais basais foram extintos. Uma pequena variedade deles sobreviveu, mas extinguiu-se pouco depois.
Comparação entre um Prossaurópode (Massospondylus) e um Eusaurópode (Brachiosaurus)
© Gabriel Lio(Massospondylus) e Isis (Brachiosaurus)

No Jurássico Superior, cerca de 150 milhões de anos atrás, os eusaurópodes estavam espalhados e bem desenvolvidos em todo o mundo, principalmente os diplodocídeos e braquiossaurídeos. No Cretáceo Superior foram substituídos por outro grupo de saurópodes, chamados Titanossauros, distribuídos praticamente por todo o globo. Como os demais dinossauros não-avianos, os saurópodes foram extintos no evento K-T (Cretáceo - Terciário). Restos fossilizados destes animais foram achados em todos os continentes, exceto na Antártica.
A História dos Titãs
Os primeiros fragmentos fósseis agora reconhecidos como sendo de um saurópode foram encontrados na Inglaterra e foram originalmente interpretados de diferentes modos, menos como sendo de um dinossauro saurópode. Só muito tempo depois, um saurópode foi reconhecido e descrito como deveria, a partir de um dente descrito como Rutellum implicatum, ainda usando uma nomenclatura não lineana. Esse fóssil foi descrito por Edward Lhuvd em 1699, mas não foi reconhecido com um réptil pré-histórico gigante no mesmo ano. Richard Owen só publicou um estudo descrevendo saurópodes em 1841, nomeando Cetiosaurus e Cardiodon, porém sem saber que eles eram mesmo dinossauros. O Cardiodon foi descrito com base em somente 2 dentes, que tinham forma de coração, daí o nome dado ao bicho, animal este que não se sabe exatamente qual era, se era mesmo um réptil.
Já o Cetiossauro foi descrito como um réptil marinho de aparência similar a de uma baleia, daí o nome que significa "Réptil Baleia". Um ano depois Owen criou o nome Dinosauria, mas não incluiu os dois animais citados neste grupo.
Em 1850, Gideon Mantell reconheceu que os ossos do Cetiossauro eram realmente de dinossauros, pois os ossos da perna tinham cavidades medulares, característica de animais terrestres. Mudou o nome do animal para o gênero Pelorosaurus e agrupou o mesmo dentro do grupo de animais considerados dinossauros.
Os próximos fósseis de saurópodes descritos foram estudados por Harry Seeley em 1870 e novamente identificados incorretamente, como qualquer outra coisa que não foi um dinossauro, tudo baseado poucas vértebras de um animal.
Seeley determinou que os ossos eram leves, construídos para serem leves em comparação ao seu tamanho, contendo sacos de ar no seu interior. Tais sacos aéreos eram até então somente conhecidos em pássaros e pterossauros, então, Seeley considerou que a vértebra pertenceu a um pterossauro. Ele nomeou este animal com o nome Ornithopsis, que quer dizer "Rosto de Pássaro".
Quando um espécime mais completo do Cetiossauro foi descrito por Phillips em 1871, ele finalmente reconheceu que o animal era um dinossauro relacionado ao Pelorossauro, porém isto não aconteceu antes das descobertas de saurópodes novos e quase completos nos Estados Unidos, como Apatossauro e Camarassauro, no mesmo ano em que foi feita a primeira imagem de um saurópode completo.
Representando um Camarassauro com anatomia meio bizarra, um esqueleto foi desenhado por John A. Ryder e publicado pela primeira vez em 1877. O animal foi retratado com a anatomia totalmente incorreta, devido à falta de conhecimentos que só seriam adquiridos mais tarde com estudos sobre a biomecânica dos saurópodes.
O Camarassauro: primeiro esqueleto de saurópode desenhado
©
John A. Ryder

Também em 1877, Richard Lydekker nomeou outro relativo do Cetiossauro, o Titanosaurus, baseado em uma vértebra isolada. Em 1878, o saurópode mais completo já encontrado até então foi nomeado por Othniel Charles Marsh como Diplodocus.
Com este achado, Marsh também criou um novo grupo contendo Diplodocus, Cetiosaurus e seus parentes, para diferenciar os mesmos dos outros grupos de dinossauros. Marsh nomeou o grupo como Sauropoda, que deriva de termos Gregos, Sauro = Réptil e Podos = Pés, que interpretamos como "Pés de Réptil", isto em 1878.
O. C. Marsh: criador do termo Sauropoda
© Domínio Público
Como se classificam os Saurópodes?
A classificação dos saurópodes se estabilizou bastante nos últimos anos, apesar de ainda existirem alguns dados inconclusivos, como a posição do Euhelopus, Haplocanthosaurus, Jobaria e Nemegtosauridae dentro da árvore genealógica.
A seguir existem duas classificações alternativas recentes. Os esquemas de classificação às vezes variam, de acordo com o pesquisador que o montou, principalmente com as descobertas de novos gêneros. Em alguns casos, famílias como Vulcanodontidae, Cetiosauridae e Omeisauridae não são incluídas porque elas são consideradas parafiléticas, ou até mesmo, como no caso de Camarasauridae, polifilética.

Abaixo você confere uma classificação taxonômica que se baseia nos dados de Wilson & Sereno 1998, Yates 2003, Galton 2001 e Wilson 2002, Benton, 2004.

Infraordem Sauropoda
  • Ammosaurus
  • Anchisaurus
  • ?Isanosaurus
  • Kotasaurus
  • Lessemsaurus
  • Família Blikanasauridae
  • Família Melanorosauridae
  • Família Vulcanodontidae
  • Família Cetiosauridae
  • Família Omeisauridae
  • ? Família Tendaguridae
Clado Turiasauria
Divisão
Neosauropoda
  • Haplocanthosaurus
  • ?Jobaria * (veja nota ao fim do esquema)
Super Família Diplodocoidea
  • Família Rebbachisauridae
  • Família Dicraeosauridae
  • Família Diplodocidae
Subdivisão Macronaria
  • Família Brachiosauridae
  • Família Camarasauridae
  • Família Euhelopodidae
Superfamília Titanosauroidea


* Nota sobre Jobaria - (Doulgal Dixon em seu The Illustrated Encyclopaedia of Dinosaurs (2006, p. 167), aponta que Jobaria é, na realidade uma "quimera". Em outras palavras, dois animais diferentes teriam sido fossilizados juntos e Werner Janensch, paleontólogo alemão (1878 - 1969), teria erroneamente considerado como uma única e nova espécie. )

Cladograma simplificado dos Saurópodes
© Wikimedia/Wilson, 2002
Já se tratando dos primitivos Prossaurópodes, podemos classificá-los da seguinte maneira:
Classificação a partir de Yates (2003) e Galton (2001)

Subordem Sauropodomorpha
  • ?Azendohsaurus
  • Saturnalia
  • Thecodontosaurus
  • Efraasia
  • Panphagia
Infraordem Prosauropoda
  • ?Yimenosaurus
  • ?Mussaurus
Família Riojasauridae
  • Eucnemesaurus
  • Riojasaurus
Plateosauria
Família Plateosauridae
  • Plateosaurus
  • Sellosaurus
  • Unaysaurus?
Família Massospondylidae
  • Coloradisaurus
  • Lufengosaurus
  • Massospondylus
  • Yunnanosaurus
  • Jingshanosaurus
Como eram os saurópodes?
Os Saurópodes eram animais herbívoros, em sua maioria quadrúpedes, portando um longo pescoço e cabeça pequena, com uma boca dotada de dentes em forma de espátula, além do corpo enorme, pesado, com caudas longas e finas servindo de contra peso para o pescoço. Suas pernas eram grossas como colunas que sustentam peso extremo, terminando em pés largos com 5 dedos cada.
Achados de saurópodes quase nunca resultam em esqueletos completos. Muitas espécies, especialmente as maiores, só são conhecidas a partir de ossos isolados e desarticulados. Muitos esqueletos mais completos geralmente estão sem a cabeça, ponta da cauda e membros, mas mesmo assim há material suficiente para sabermos como eles eram.
A característica mais marcante dos saurópodes foi o tamanho. Veja a seguir alguns dados interessantes sobre os maiores, menores e ainda mais alguns recordes estranhos destes bichos.

Os maiores saurópodes
Abaixo você confere uma lista dos dados de comprimento, peso ou altura de saurópodes recordistas nestes quesitos, encontrados à disposição na internet. Atenção: as medidas são aproximadas, pode haver divergências entre diversas fontes devido à falta de restos fósseis completos. Foi levado em consideração apenas o comprimento do animal nesta lista, ou seja, seu tamanho total medido da cabeça à cauda. Além do mais, a lista abaixo foi montada a partir de 4 fontes, o livro The Illustrated Encyclopaedia of Dinosaurs de Dougal Dixon, o site Wikipedia (versão americana) e o site DinoDatabase, além de consultas ao site DinoData.
Comparação entre os maiores: clique na imagem para ver os nomes de cada espécie
©
Matt Martyniuk
  • Amphicoelias = 58 metros de comprimento (restos fósseis nulos, não deve ser considerado como o maior devido à falta de provas fósseis. A única vértebra encontrada era incompleta e foi perdida, só restou um desenho da mesma.
  • Seismosaurus = 36 a 54 metros de comprimento (dados inconclusivos devido aos fósseis serem muito fragmentados e raros. Devemos duvidar das medidas do Seismossauro até encontrarem um exemplar bem completo).
  • Andesaurus = 40 metros de comprimento (dados inconclusivos, pois foram encontrados apenas alguns ossos da perna e algumas vértebras).
  • Antarctosaurus = 40 metros de comprimento (embora o esqueleto encontrado seja quase completo, há dúvidas que pertença mesmo a este gênero).
  • Futalognkosaurus = 35 metros de comprimento (relativamente bem completo, pode ser o maior saurópode já encontrado com bom material fóssil).
  • Puertasaurus = 35 metros (pouco material fóssil, a estimativa é mera especulação, por isso pode sofrer redução).
  • Bruhathkayosaurus = 34 metros de comprimento (inconclusivo, poucos fósseis foram achados, ainda não foram propriamente descritos. Por isso toda estimativa deste dino é somente especulação).
  • Argentinosaurus = 32 metros de comprimento (considerado o maior saurópode, pois seus restos são relativamente mais completos que os dos outros).
  • Supersaurus = 30,5 metros de comprimento (Conhecido a partir de material muito fragmentário, o tamanho é especulativo enquanto não houverem novos achados deste animal).
  • Ultrasauros = 30,5 metros de comprimento (Considerado agora como sinônimo de Supersaurus, ou seja, a mesma espécie).
  • Sauroposeidon = 30,5 metros de comprimento (Tamanho duvidoso, afinal o animal provavelmente mantinha o pescoço alto, por ser um Braquiossaurídeo, reduzindo o tamanho em comprimento).
  • Hudiesaurus = 30 metros de comprimento
  • Turiasaurus = 30 metros de comprimento
  • Paralititan = 30 metros de comprimento
  • Barosaurus = 27 metros de comprimento
  • Diplodocus = 27 metros de comprimento
  • Brachiosaurus = 25 metros de comprimento
  • Apatosaurus = 25 metros de comprimento
  • Mamenchisaurus = 22 metros de comprimento (a maior espécie chegou a 25 metros, porém não tem tanto material preservado como este exemplar menor).
  • Giraffatitan = 21,8 m *(Veja nota ao fim da lista)
  • Haplocanthosaurus = 21.9 metros de comprimento
  • Alamosaurus = 21 metros de comprimento
  • Omeisaurus = 20 metros de comprimento
  • Bothriospondylus = 20 metros de comprimento
* Nota sobre Giraffatitan - (Alguns pesquisadores dizem ser sinônimo de Brachiosaurus, mas outros dizem que é uma espécie diferente e que é menor, por isto inseri separadamente na lista. Segundo Dougal Dixon, (The Illustrated Encyclopaedia of Dinosaurs, 2006, p. 136) o esqueleto famoso de um suposto Brachiosaurus em exposição no Museum Humboldt - Berlim, seria na verdade composto de fósseis de 5 indivíduos diferentes de Giraffatitan).

Outros saurópodes detêm recordes diferentes, como os braquiossaurídeos, que foram os mais altos, com ombros mais altos e pescoços bem longos. O Sauroposeidon é provavelmente o mais alto, chegando a cerca de 18 metros de altura.
Sauroposeidon: vivia com a cabeça nas nuvens
© Vladimir Nikolov
O título de pescoço mais longo em relação ao tamanho do corpo é do Mamenchisaurus, com 11 metros só do pescoço, ou seja, metade do corpo. Não sei ao certo se isso é possível, mas pode ser que o Sauroposeidon com toda aquela altura ganhasse do Mamenquissauro em tamanho de pescoço.
Mamenchisaurus: seu pescoço gigante era útil para comer
© Jan Sovak/Dover Publication, Inc

O recorde de cauda mais longa em relação ao corpo é do Diplodocus, com cerca de 14 metros só de cauda.
Diplodocus: em matéria de cauda era campeão
© Sergio Pérez


O mais pesado é também o Argentinossauro, com cerca de 99 toneladas, seguido do Seismossauro com 90 toneladas.
Argentinossauro: seu tamanho combina com a mania de grandeza dos "hermanos"
© Vladimir Nikolov
Um outro titanossauro gigantesco e mais pesado foi encontrado, mas as evidências são poucas, só alguns poucos fragmentos. Seria ele o Bruhathkayosaurus, com cerca de 190 a 240 toneladas, medidas que acredito serem excessivas. Caso encontrem mais restos deste dino indiano, penso que seu tamanho e massa corporal será revisto e com certeza reduzido.
Os menores titãs
Por outro lado, enquanto alguns animais deste grupo eram gigantescos, outros eram até "normais" se comparados aos outros dinossauros, de outros grupos.
Observe abaixo a lista com os menores saurópodes já descobertos. As informações foram tiradas de RICHARDSON, Hazel (Dinosaurs and Prehistoric Life), de DIXON, Dougal (The Illustrated Encyclopaedia of Dinosaurs) e da Exposição Dinos na Oca (São Paulo):
  • Anchisaurus = 2,4 metros de comprimento
  • Ohmdenosaurus = 4 metros de comprimento
  • Blikanasaurus = 5 metros de comprimento
  • Magyarosaurus = 5,3 metros de comprimento
  • Europasaurus = 6 metros de comprimento
  • Vulcanodon = 6,5 metros de comprimento
  • Isanosaurus = 6 metros de comprimento (O espécime não é adulto)
  • Camelotia = 9 metros de comprimento
  • Tazoudasaurus = 9 metros de comprimento
  • Antetonitrus = 8-10 metros de comprimento
  • Shunosaurus = 10 metros de comprimento
  • Brachytrachelopan = 10 metros de comprimento
  • Amazonsaurus = 10 metros de comprimento
Anchisaurus: com só 2,4 metros pode ser considerado o menor saurópode
© Dorling Kindersley

A estatura pequena em alguns animais era normal, mas em alguns dos citados na lista, provavelmente foi causada devido aos bandos destes saurópodes terem vivido em ilhas, o que resultou na diminuição do tamanho. As ilhas, por representarem um território limitado, restringem o crescimento de plantas e quanto menos plantas, menos animais grandes conseguem sobreviver, assim os maiores tendem a adaptar-se, diminuindo sua estatura.
Pode ser também que a vida em um local isolado funcionasse como nas ilhas, por exemplo, em um vale pequeno sem acesso ao exterior devido à geografia, que pode ser montanhosa demais ou cercado por grandes, íngremes e altos penhascos que impedem a saída, os animais, presos, tendem a adaptar-se ao ambiente.

Voltando a falar da aparência geral dos saurópodes, podemos dizer que o formato do corpo não variava muito do de outros dinossauros, embora em tamanho eles variassem bastante, sendo alguns extremamente longos, outros mais "curtos" e uns mais altos, outros mais baixos. Todos tinham os pés situados abaixo do corpo, igual aos outros dinossauros e todos tinham caudas igualmente posicionadas, paralelas ao solo, não arrastando as mesmas como se pensava antigamente. A diferença grande ficava no pescoço e na cabeça, pois o primeiro era sempre longo, como nunca se viu em um terópode ou hadrossauro, assim como na maioria dos outros dinos e a cabeça pequena ainda tinha narinas no alto do crânio.
Como eram quadrúpedes com grande massa corporal, os saurópodes desenvolveram membros especializados em suportar este peso. Particularmente, se comparados com os pés de outros animais, os pés dianteiros dos saurópodes eram incomuns, pois em vez de apoiar-se nos dedos espalhados para os lados para formar uma base larga e estável, os dedos dos membros dianteiros eram reduzidos e ficavam dispostos verticalmente. Somente alguns saurópodes mais primitivos tinham os pés com dedos mais longos e "espalhados", e como exemplo podemos usar o Vulcanodon.
Os pés dianteiros eram modificados nos eusaurópodes (só saurópodes verdadeiros, não os prossaurópodes), sendo que os dedos não eram vistos individualmente em vida, pois o pé formava uma estrutura parecida com o pé do elefante, porém menos "acolchoada".

A disposição dos ossos formava uma estrutura de colunas semicircular, por isso pegadas de saurópode mais parecem ferraduras. Os elefantes atuais têm uma camada de carne, parecida como uma almofada, situada abaixo do pé, o que impede machucaduras e absorve o impacto do peso do animal, no entanto os saurópodes parecem não ter possuído tal adaptação, então os pés deles eram côncavos na parte da sola.
A única garra visível na maioria dos saurópodes é a do primeiro dedo do pé, mas não se sabe exatamente sua utilidade. A garra era maior em diplodocídeos, mais alta e achatada lateralmente, enquanto os braquiossaurídeos possuíam a garra menos desenvolvida, sendo que alguns devem ter perdido a mesma, como indicam evidências de trilhas de pegadas.
Titanossaurídeos também perderam esta garra completamente, com exceção dos primeiros titanossauros, como o Janenschia. Além das garras, titanossaurídeos mais desenvolvidos perderam também os dedos e se apoiavam somente em curtas estruturas parecidas com cascos, formados pelos ossos metacarpais.
Reconstrução do pé esquerdo de um Titanossauriforme
Se era um Titanossauro, devia ser primitivo pois tem garras

Andrey Atuchin
Trilhas de saurópodes encontradas em Portugal, provavelmente de brachiossaurídeos, mostram que a parte de baixo e os lados dos pés traseiros eram cobertos com pequenas e pontudas escamas, que deixaram marcas nas pegadas.
Em titanossauros, o fim dos ossos metacarpais que tinham contato com o solo eram largos. Restos preservaram tecidos moles destes animais, mostrando que algum tipo de tecido revestiu esse osso formando uma proteção, como os elefantes possuem, característica citada anteriormente. Portanto, esta é uma das diferenças entre os titanossaurídeos (que têm a "almofada" na pata) e diplodocídeos (que não possuem a "almofada" na pata).
Como outros dinossauros saurisquianos, os saurópodes tinham um sistema de sacos aéreos, evidenciados por buracos e espaços vazios na maioria de suas vértebras.
Todos os saurópodes apresentam ossos com espaços ou cavidades vazias, no pescoço, dorso e na cauda, portanto tinham ossos chamados de pneumáticos, com intuito de deixar o esqueleto mais leve. Há muito tempo já haviam identificado ossos de saurópodes com suas cavidades, mas certas vezes ocorriam interpretações erradas, como a do Ornithopsis, um saurópode descoberto no século 19 e que se imaginou ser um pterossauro, devido aos poucos fragmentos e aos ossos ocos. Provavelmente estes ossos com cavidades ocas tornavam o animal mais leve, facilitando a sua locomoção.
Proteção
Alguns saurópodes tinham uma "armadura" protetora. Alguns tinham osteodermas como os Titanossaurídeos, espalhadas nas costas. Este tipo de proteção não era como nos Anquilossauros, (cobrindo todo o corpo, bem grossa e grande), mas formada de pequenos calombos ósseos espalhados nas costas, com espaços entre eles. O único saurópode que conheço que teve uma camada mais densa de osteodermas, inclusive de formas diversas, é o Ampelosaurus, da França.
Titanosaurus (renomeado Isisaurus): observe as osteodermas nas costas
© Paleoguy/JWK/DinoraulAmpelosaurus
© Vladimir Nikolov

Outros possuíam clava na cauda, como o Shunosaurus, assemelhando-se aos Anquilossauros, que também possuíam no fim da cauda uma clava feita de osso puro, que talvez fosse usada para bater nos agressores. A "arma" do Shunosaurus tinha pequenos espinhos, como se nota na imagem.
Shunosaurus: observe a clava na cauda
© Isis
Mas a galeria de bizarrices não para por aqui não, pois existem outros dinos estranhos que provavelmente usavam suas características incomuns em defesa. Dois que posso citar são o Amargasaurus, cujas vértebras se prolongavam pescoço afora, formando uma espécie de vela dupla, desde a nuca até o meio do corpo e o Agustinia, cujo corpo era coberto por espetos ósseos, desde o pescoço até à cauda.
Amargasaurus
© Lucas E. Fiorelli Agustinia
© Lucas E. Fiorelli

Outro costume que deve ter facilitado a vida dos dinossauros de pescoço longo é a possível ajuda de um suposto bando. Sobre os hábitos sociais destes dinos escrevi mais abaixo, mas podemos dizer aqui que seria de grande valia na hora da defesa o fato de viverem em grupos, podendo assim defender uns aos outros, especialmente os filhotes.
Bando de Diplodocus é atacado por dupla de Allosaurus
© Greg S. Paul

Outra boa arma de alguns saurópodes, especificamente dos diplodocídeos, é a cauda fina e extremamente longa. Como citado anteriormente, o Diplodocus e seus parentes são os dinos que portam as caudas mais longas. Segundo pesquisas com modelos computadorizadas das caudas, estas poderiam funcionar como um chicote. Uma experiência elaborada pelo paleontólogo Philip J. Currie junto com Nathan P. Myhrvold, um empregado da Microsoft que gosta de dinossauros, trouxe um resultado surpreendente. Com os modelos virtuais de Nathan, feitos com base em dados trazidos pelo paleontolólogo sobre as caudas dos diplodocídeos, mostraram que elas poderiam ser usadas para chicotear o inimigo, mas ainda mais que isso, para assustá-lo com barulho. Com caudas finas e longas, podiam movimentá-las rapidamente como um chicote e assim criar uma onda sonora forte e rápida o suficiente para quebrar a barreira do som e fazer um ruído bem alto, que afugentaria carnívoros que estivessem pensando em atacar. Confira o vídeo abaixo retirado do documentário Caminhando com os Dinossauros, para ter uma ideia de como seria o uso da cauda para bater no atacante.
Diplodocus defendendo-se de Allosaurus
© BBC
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No documentário "When Dinosaurs Roamed America" do Discovery Channel, o Apatosaurus que é um diplodocídeo, espanta um Alossauro com um ataque da cauda, usando-a para chicotear o predador.
Apatosaurus defendendo-se de Allosaurus
© Discovery Channel
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Outros saurópodes mais altos, como o Braquiossauro, poderiam talvez usar as patas dianteiras para pisotear ou chutar os predadores, que minúsculos não resistiriam ao enorme impacto. Como este grupo de herbívoros têm as pernas dianteiras mais longas que as traseiras, fica mais fácil mover as mesmas rapidamente para chutar ou ainda levantar a uma altura maior que a dos predadores.
Brachiosaurus tentando espantar dois Ceratosaurus
©
Greg S. Paul

Finalmente podemos imaginar a cena que muitos pesquisadores já imaginaram e sonharam em ver e que diversos paleoartistas retrataram por meio da ilustração e escultura. A batalha em questão é o esmagamento literal de um predador por parte de um enorme diplodocídeo. Geralmente a imagem é composta nas ilustrações, pelo saurópode Barosaurus, que tendo seu filhote ameaçado, empina todo o corpo apoiando a cauda no solo formando uma base em tripé, para então tentar com o tamanho espantar o predador, um Allosaurus, e, se necessário soltar o corpo todo sobre o carnívoro para matá-lo instantaneamente. Esta cena foi reproduzida com réplicas do esqueleto dos animais no Museu Americano de História Natural.
Barosaurus defende seu filhote de Allosaurus
© John Gurche

Vida Social: eram gigantes solitários ou viviam em bandos?
Muitas evidências, tanto de fósseis quanto de trilhas de pegadas, indicam que os saurópodes formavam bandos. Porém a forma dos bandos variava de espécie para espécie. Alguns sítios fossilíferos, como os da Argentina, indicam que os saurópodes formavam bandos com indivíduos de idades diversas. Algumas trilhas de pegadas de outros sítios indicam que muitos saurópodes viajavam em bandos, organizados por idade, com os jovens agrupados separadamente dos adultos.
Isso acontecia em diversas espécies e não em uma só, além de que alguns parecem ter criado estratégias de organização. Estudos indicam que em algumas espécies os filhotes andavam separados dos adultos porque se alimentavam de forma diferente. Os filhotes precisavam buscar comida diferente e isso era mais fácil se o bando fosse só de jovens, porque o grupo seguiria um mesmo objetivo. Isso foi baseado na diferença dos dentes dos filhotes para os adultos e na diferença de tamanho. Isso foi representado em Caminhando com os Dinossauros, no episódio 2, Time of Titans. Vários Diplodocus haviam posto ovos em ninhos cobertos de terra no meio de uma densa floresta de coníferas. Feito isto, a fêmea saía da floresta e reunia-se ao bando, seguindo viagem. Os filhotes nasciam, agrupavam-se e ficavam vivendo na floresta, onde predadores maiores não os encontravam facilmente. Ali podiam esconder-se entre folhas e samambaias e encontrar comida mais mole, de fácil digestão.

Segundo os paleontólogos que analisaram este comportamento, os filhotes se separavam logo que nasciam. Por outro lado, os saurópodes que viviam em bandos de idades misturadas devem ter cuidado dos filhotes por um grande período, antes de alcançarem a maturidade.
O problema é descobrir quais grupos (titanossauros, diplodocídeos, braquiossaurídeos etc.) viviam em bandos de idades diversas e quais grupos viviam com idades separadas.
Mas sem dúvida a vida em sociedade é bem útil para herbívoros, afinal, um pode proteger o outro, em época de acasalamento machos e fêmeas estão próximos o que facilita o encontro para que procriem em vez de ter de procurar exaustivamente por um parceiro.
A procura por comida também fica mais fácil em bandos, pois se um encontra comida, pode avisar aos demais com chamados característicos de cada espécie, de que há uma fonte boa de alimento em determinado local, o que vale igualmente para água.
Saurópodes conseguiram ficar em pose bípede ou tripodal?
Desde os primórdios de seus estudos, cientistas como Osborn especulam que saurópodes podem ter "empinado" o corpo se apoiando só nas pernas traseiras, com a cauda apoiada no solo formando um tripé. Como já dito antes nesta postagem, uma réplica do esqueleto do Barosaurus lentus nesta posição está no Museu Americano de História Natural, que serve como exemplo para a teoria. A pose em tripé, também pode ser chamada pose tripodal.
Em 2005, um artigo de Carpenter e Tidswell afirmou que se às vezes os saurópodes adotavam esta postura, poderia ser provado com fraturas de stress (excesso de carga, força) que se formaria nos osso dos pés dianteiros dos animais, pois ao soltar o corpo para voltar à posição normal, os pés sofriam grande pressão com toda a massa corporal do animal. Estas fraturas seriam uma espécie de trinca muito fina no osso. Eles examinaram diversos esqueletos e não encontraram nada, nenhuma destas fraturas que comprovasse a hipótese. Heinrich Mallison foi o primeiro a estudar a fundo o potencial físico de vários saurópodes para determinar se a pose de tripé é mito ou pode ter ocorrido.
Seismosaurus em pose "tripé": seria realmente possível?
©
Tuomas Koivurinne
Mallison encontrou algumas características inicialmente ligadas a adaptações para se levantar nas pernas traseiras, mas ele resolveu analisar a fundo para saber se tais características ajudavam mesmo ou atrapalhavam a pose de tripé. Por exemplo, os titanossauros tinham uma coluna vertebral bem flexível, o que causaria instabilidade na postura de tripé e poderia impor muita tensão nos músculos. Do mesmo modo, ao contrário do que mostrou Jurassic Park, é improvável que os braquiossaurídeos adotassem tal postura, pois seu centro de gravidade é situado em uma parte do corpo diferente da dos titanossauros e diplodocídeos, o que tornaria a "empinada" muito perigosa, provocando talvez um tombo para trás devido ao fato de as pernas traseiras serem mais curtas que as dianteiras.
Diplodocídeos parecem ter sido bem adaptados para levantar-se assim, em pose tripodal. O centro da massa corporal dos diplodocídeos se situa nos quadris, dando um grande equilíbrio nas duas pernas traseiras. Seus pescoços eram os mais móveis dentre os saurópodes, seu cinturão pélvico era bem musculoso e as vértebras caudais tinham forma especial que permitiam apoiá-la no solo com peso sobre ela. Mallison concluiu que diplodocídeos eram melhor adaptados para elevar-se assim que os elefantes, os quais somente o fazem ocasionalmente na natureza. Diplodocídeos, no entanto, parecem ser os únicos saurópodes a fazer isto.
Pescoço alto ou baixo?
Existem controvérsias sobre como os saurópodes mantiveram suas cabeças, se preferiam manter o pescoço na pose vertical ou mais estendido horizontalmente.
Saurópodes diplodociformes provavelmente mantinham a cabeça baixa, enquanto os braquiossaurídeos e titanossaurídeos as levantavam a uma altura mais elevada, em um ângulo maior.
Acreditava-se que o longo pescoço era usado para comer nas árvores altas, mas de um tempo para cá, isto vem sendo questionado, pois com base no gasto de energia e de pressão arterial necessária para elevar o sangue até a cabeça, alguns acham improvável que mantivessem a cabeça no alto.
Tais cálculos sugerem que poderiam ter gasto metade de suas energias só para tal tarefa. Além disto, para suprir a cabeça com sangue seria necessário uma pressão arterial enorme e um coração muito grande, cerca de 15 vezes maior do que o coração de uma baleia de tamanho similar.
Isto sugere que saurópodes de pescoço mais longo os mantinham a maior parte do tempo em posição horizontal, o que permitia a eles comer plantas de uma grande área sem caminhar, o que era uma grande economia de energia para um animal de 30 a 40 toneladas. Em defesa disso, reconstruções do Diplodocus e do Apatosaurus mostram que eles basicamente mantinham o pescoço baixo, com um suave declínio para orientar a cabeça ao solo, em uma postura neutra, sem mais articulações.
Algumas pesquisas em animais modernos sugerem que os saurópodes mantinham o pescoço erguido com uma curva em forma de "S", como vemos claramente no famoso Braquiossauro de Jurassic Park.
Observe o pescoço em forma de "S"
© Universal Pictures
Se essa postura em "S" realmente era possível, provavelmente só se adaptou a alguns poucos braquiossaurídeos, pois o tamanho das vértebras do pescoço dos outros e a forma em que se encaixam não permitiriam que curvassem o pescoço assim.

Reprodução
A reprodução destes animais ainda é um mistério para os paleontólogos, afinal, a probabilidade de encontrar material preservado com tecido dos genitais e sistema reprodutivos dos animais é praticamente nula, imaginem encontrá-los fossilizados em posição de pleno ato de acasalamento!
Só podemos supor como seria a cena de um acasalamento entre um casal de saurópodes, mas nunca afirmar algo com certeza. Tal ação não devia ser das mais graciosas, uma vez que os animais eram enormes, pesados e com um corpo bem estranho, desajeitado.

O acasalamento pode ter ocorrido da seguinte maneira: como os elefantes fazem, o saurópode macho apoia-se com as patas dianteiras nas costas da fêmea encaixando assim os genitais para o coito. Mas temos aí um empecílio que os elefantes não têm, que é a enorme cauda atrapalhando. Podemos imaginar que a fêmea desviaria a cauda para o lado facilitando o trabalho do macho. Observe a imagem abaixo, a ilustração é de Fabio Pastori, que retratou um casal de Diplodocos durante o acasalamento.
Diplodocus acasalando
©
Fabio Pastori
Para os braquiossaurídeos deve ter sido mais fácil o acasalamento, uma vez que as pernas dianteiras são mais longas que as traseiras o que facilitaria o alcance do macho ao órgão da fêmea, porém se levarmos em consideração o fato mencionado sobre sua capacidade de empinar o corpo, o centro de gravidade do corpo seria situado na frente e assim a fêmea acabaria suportando obrigatoriamente um peso muito grande, o que talvez, suponho eu, fosse amenizado por ossos bem resistentes na bacia.
Uma outra ideia especulativa apenas para responder à questão de como os saurópodes, assim como outros dinossauros acasalavam, é que seu ato sexual ocorria em posição diferente, virando o corpo "de costas" um para o outro. Enquanto um dos animais virada a cauda para a esquerda e a levantava, o outro fazia o mesmo para a direita, formando assim um encaixe perfeito. Não consegui encontrar uma imagem representando esta hipótese, pelo menos não com saurópodes. Mas na verdade, relato aqui esta hipótese porque me baseei na imagem do ilustrador Vladimir Nikolov, que tinha uma dúvida de como os estegossaurídeos acasalavam com todos aqueles espinhos. Sabendo muito bem desenhar ele elaborou uma imagem de dois Dacentrurus, pequenos estegossauros da Europa, acasalando da forma descrita acima, o que segundo ele, é uma teoria própria, sem base em dados científicos. Mesmo assim, achei muito interessante esta concepção e resolvi relatar tudo aqui, pois se para dois dinossauros espinhentos já é plausível, para saurópodes não seria ao contrário.
Dacentrurus acasalando: será que os saurópodes usavam o mesmo método?
© Vladimir Nikolov
Porém, mais importante que o ato da cópula em si, é a conquista do parceiro ou parceira, afinal, sozinho não há meio de reproduzir-se a não ser que seja um ser de reprodução assexuada. Com certeza não era o caso dos saurópodes não é? E como os saurópodes conquistavam seu par? Será que a fêmea exalava um cheiro para atrair machos? Será que os machos batalhavam pelas fêmeas? Mudavam de cor para chamar a atenção? Não sabemos, pois este tipo de coisa não fica preservado no registro fóssil. Não tinham chifres, golas, cristas e afins para exibir, com exceção de alguns como o já citado Amargassauro que tinha uma "vela" dupla no pescoço.
Como visto em alguns documentários, como Caminhando com os Dinossauros da BBC e "Dino Planet" do Discovery Channel, podemos ver saurópodes machos se enfrentando, usando a pose de tripé para impor respeito, tentando talvez intimidar o rival que disputa o direito de acasalar. Outro método usado nestes filmes para demonstrar a disputa é o costume de dar empurrões com o corpo ou pescoçadas uns nos outros, como mostrado no episódio "O Ovo de Alpha" em Dino Planet, com base no ritual de acasalamento das Girafas. Veja abaixo dois vídeos que são trechos de documentários citados que mostram um possível habito destes animais no período de reprodução.
Ritual de acasalamento dos Diplodocus
© BBC
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Machos Saltasaurus lutando pela fêmea
© Discovery Channel
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Depois de ter os ovos fecundados, a fêmea precisava fazer um ninho e pôr todos os ovos ali, para que chocassem. Mas como elas botavam os ovos sem quebrar nenhum com a queda de uma altura grande, afinal sua cloaca, abertura por onde saem os ovos, ficava bem longe do solo. Talvez conseguissem ficar agachados, aproximando a cloaca do solo para botar, ou, como muitos já leram por aí, talvez usassem uma "tromba" cloacal, como a que as tartarugas marinhas têm, que seria um tubo de pele ligado à cloaca, que quando estava em uso, poderia esticar, estendendo-se até perto do chão, o que permitiria que deslizasse o ovo por dentro de tal estrutura em segurança, sem choques ou maiores traumas.
Saurópode botando ovos agachado
©
Nathan HaleSaltasaurus botando ovos por uma "tromba cloacal"
© Discovery Channel
Sabemos que os ovos dos dinossauros não eram enormes, nem tinham a casca muito grossa. Se fossem gigantescos quebrariam sobre o próprio peso, se fossem "cascudos" demais, o filhote não teria força para quebrar a casca e sair e morreria dentro do ovo.
Então, devido a estas características, um ovo provavelmente não resistiria à queda, ao contrário do mostrado em Caminhando com os Dinossauros Especial: Terra de Gigantes e O Garra Gigante, documentário em que um Argentinossauro bota ovos sem maiores cuidados, soltando-os em queda livre ao solo. A forma como os ovos eram botados permanece um mistério, assim como outros hábitos destes animais. Será que eles cuidavam dos filhotes depois que nasciam? Alguns cientistas acreditam que os saurópodes mantinham o chamado cuidado parental com os filhotes, observando-os, protegendo-os de predadores e ensinando qual era a melhor comida e como se virar sozinho. Pessoalmente creio que a maioria, para não dizer todos, acompanhava os bebês dinos nos primeiros anos de vida, ensinando aos filhotes todas as leis da sobrevivência.
Diplodocus faz o primeiro contato com seus recém nascidos
© Mick Ellison
Também podemos lembrar que alguns cientistas dizem que os saurópodes viviam em bandos de faixa etária separadas. Os bandos eram formados somente de adultos, ou só de jovens ou só de filhotes. Como já mencionado, em Caminhando com os Dinossauros os Diplodocos adotam este tipo de convívio social. Os filhotes nascem dos ninhos soterrados como se brotassem do solo e se agrupam para viver sozinhos, como vemos na imagem abaixo, um pequenino bebê saindo de seu ovo.
Diplodocus bebê nasce de seu ninho subterrâneo
© BBC
Em Dino Planet, episódio "O Ovo de Alpha", os Saltasaurus botam ovos no local de nidificação e abandonam os ninhos até seu nascimento, deixando apenas alguns poucos adultos servindo de sentinela para evitar roubos de ovos. Ao eclodir, todos os filhotes correm juntos para a floresta, sem a proteção de adultos, que só os protegerão após chegarem à floresta. É quase uma seleção feita pelos Saltassauros, porque os fracos vão ficando para trás, atacados por predadores, embora seja cruel ver dessa forma, além de que esta técnica garante a perpetuação da espécie, afinal, em bandos grandes, acaba existindo mais presas que predadores conseguem comer e então é lógico que embora alguns sejam comidos, a maioria sobreviva.
Locomoção e Habitat
Trilhas de pegadas de saurópodes e um outro tipo de fóssil de pegadas, chamadas icnofósseis, também foram encontradas em diversos continentes em grande quantidade. Este tipo de fóssil ajuda a suportar a hipótese de que a biologia dos saurópodes é relativa à anatomia completa dos seus membros, precisamente falando, dos pés.

Geralmente, pegadas dos pés dianteiros são menores do que as dos pés traseiros, e muitas vezes têm forma crescente. Ocasionalmente os icnofósseis preservam marcas das garras, ajudando a confirmar quais grupos de saurópodes perderam as garras e até mesmo dígitos (dedos) de seus pés dianteiros. O costume é dividir as trilhas de pegadas em três categorias baseadas na distância entre as extremidades exteriores de membros opostos, ou seja, a distância entre o lado de fora de um pé e o lado de fora do outro pé, o que gerou grupos definidos de acordo com o tamanho ou espaço entre os pés, que nesta postagem chamarei de forma simplificada como:
  • Espaço estreito
  • Espaço médio
  • Espaço largo
Este espaço nas trilhas pode ajudar na estimativa da largura dos membros, a distância entre eles o que consequentemente colabora para entender seu modo de andar.
O pesquisador Day e alguns colegas publicaram um estudo em 2004 afirmando que encontraram um padrão geral entre grupos de diversos de saurópodes mais avançados. Segundo eles, cada família da infraordem Sauropoda pode ser reconhecida a partir de pegadas com determinados espaços. Eles acreditam que a alguns titanossaurídeos por exemplo, tinham um espaço estreito entre os membros, com fortes impressões de uma grande garra do pé dianteiro.
Já as impressões de espaço médio com impressões de garra do pé dianteiro acredita-se terem pertencido aos altíssimos braquiossaurídeos e outros titanossauriformes mais primitivos, os quais evoluíram para um corpo com maior espaço entre membros, mas ainda com garras nos pés dianteiros. Os titanossaurídeos verdadeiros não tinham a garra no pé, mas o espaço entre as extremidades de seus membros se desenvolveu, chegando à maior distância dentre todos os grupos de saurópodes, sendo então encaixados no grupo de espaço largo.
Todos hoje em dia sabemos que os saurópodes eram animais terrestres, que viviam em planícies e florestas da Era Mesozóica. Porém, por muito tempo acreditou-se que eles eram seres marinhos, que ficavam o tempo todo mergulhados com apenas a cabeça acima do nível da água. e a seguir você vai entender como isso ocorreu.
Nos primórdios da paleontologia os especialistas em fósseis classificaram os dinossauros como répteis e por este motivo os imaginavam de forma semelhate aos répteis atuais. As características que atribuíam as dinos era a ectotermia, o que quer dizer que imaginavam os dinos como animais de sangue frio, e devido a isso baixa taxa metabólica, pouca mobilidade, ou seja, seriam supostamente muito lentos e devido ao comportamento reptiliano seriam animais solitários, sem comportamento social complexo e o pior de tudo, seriam extremamente burros!
É verdade, os "paleontólogos" daquela época pensavam isto dos dinos. Um destes pesquisadores afirmou: "Os dinossauros de sangue frio eram por demais indolentes e estúpidos ..." (Andrews 1953). Observem que isso foi dito 56 anos atrás, nem é tanto tempo assim, comparado com a história paleontológica, que já tem mais de 100 anos.
Além disso, acreditavam que devido ao enorme peso associado ao metabolismo lento seriam incapazes de viver em terra e não teriam pernas suficientemente fortes para suportar um corpo tão grande e pesado. É o contraste: mamíferos seriam rápidos, tem sangue quente, metabolismo acelerado. Sendo os humanos um tipo de mamífero, então seres de sangue quente foram considerados superiores em agilidade, inteligência etc, enquanto os répteis eram considerados o oposto, lentos e sem inteligência. Mais uma frase de Andrews para demonstrar a que ponto eles imaginavam a capacidade de raciocínio dos dinos: "O cérebro (de um saurópode Brachiosaurus) pesava menos de 1 kg. Isso mostra que o animal era completamente estúpido e que, apenas, vivia" (Andrews 1953).
Assim, paleontologistas buscaram respostas para responder a questão: Como os saurópodes aguentavam tanto peso? Alguns dos mais famosos pioneiros da paleontologia como Marsh em 1884; Hatcher em 1901; Huene em 1922 e Wiman em 1929, afirmaram que os saurópodes tinham coberturas de grossas cartilagens nas pernas, o que tornaria uma locomoção terrestre muito desajeitada. Segundo estes cientistas, as juntas dos ossos não tinham emendas definidas como existem nos mamíferos hoje e para poder haver o encaixe, uma grande porção de cartilagem formava a ligação entre os osso, mas para uma vida terrestre isso seria inviável, pois o peso enorme dos animais seria muita carga para as frágeis cartilagens. Sendo assim, alguns propusem que eles não teriam vida na terra, mas sim um hábito aquático, o que seria aceitável para um réptil lento, burro e de porte colossal.
Para confirmar as suposições de que tais bichos eram aquáticos, os cientistas buscaram nos fósseis algumas características que pudessem colaborar com o processo. Um dos detalhes anatômicos usados foi o fato de a maioria dos saurópodes tinha as narinas situadas bem no alto da cabeça. Afirmaram então que por viverem na água, só a cabeça ficava fora da água e o corpo ao fundo do rio/lago/mar.
Outro fator foi a forma e constituição dos dentes, que de acordo com alguns estudiosos daquela época, eram frágeis demais para comer plantas duras e fibrosas, tendo eles que alimentar-se das moles, tenras plantas aquáticas semelhantes às algas. Algumas vértebras pré-sacrais teriam uma forma mais escavada, pneumática, o que supostamente seria útil para ajudar o animal a boiar com a parte superior do corpo, usando os membros como um peso para os manter equilibrados e dar impulso. Acredito que daí surgiu a ideia de que algumas pegadas de saurópode encontradas tenham sido feitas apenas pelos pés dianteiros enquanto o animal nadava e boiava com a parte traseira do corpo.
Paralititan nadando como na teoria apresentada anteriormente
©
Vladimir Nikolov
Segundo as pesquisas elaboradas sobre as pegadas de pés dianteiros dos "saurópodes nadadores", eles caminhavam com as pernas dianteiras tocando o solo do fundo rio, enquanto as pernas traseiras e cauda boiavam e por isto não deixavam marcas. As pegadas foram consideradas como deixadas desta forma porque eram rasas, quase apagadas e não eram acompanhadas de marcas dos pés traseiros. Mas pesquisadores posteriormente publicaram novos estudos para justificar as características estranhas destes icnofósseis. Tais pesquisadores, Lockley e Rice, publicaram um estudo em 1990, e Lockley volta a publicar outro em 1991, para cotrariar a teoria proposta por Bird (1944) de que as pegadas só das patas da frente são resultado de hábito natatório.
As patas dianteiras dos saurópodes são mais finas que as traseiras e analisando a distribuição de peso e a pressão causada pela sola das patas sobre o solo podemos ter uma ideia de como ocorreu o sumiço das pegadas dos pés (leia-se membros traseiros) e ficaram somente as pegadas das mãos (leia-se membros dianteiros).
Para testar a distribuição de pressão, você pode usar um simples teste caseiro que aprendi na aula de ciências na 5ª série e vou ensinar a você leitor. Você vai precisar de apenas um lápis bem apontado, destes comuns mesmo, sem borracha na extremidade superior, então basta seguir os passo seguintes:
Apoie a parte redonda superior do lápis contra seu braço ou palma da mão e pressione, lentamente, aumentando a pressão gradativamente e observe quanto tempo você aguenta sem sentir dor. Depois vire o lápis, apoie a ponta dele na pele e repita o procedimento. Você vai notar que quando a parte mais larga é forçada contra sua pele, a dor sentida é mínima ou nula, enquanto que a pressão exercida na pele pela ponta do lápis provoca dores e obviamente vai saber que se não pararmos de pressionar, podemos lesionar a pele e para notar isto nem precisaríamos fazer o teste, só com a explicação já conseguimos compreender.
Essa diferença existe porque a pressão oferecida pela força da mão empurrando o lápis é distribuída de forma diferente. Na parte redonda do lápis, a superfície é maior e a pressão se espalha por toda aquela superfície, e na ponta, por sua vez, a pressão fica concentrada em um único ponto pequeno. Por isso, sempre que precisamos espetar algo profundamente, usamos um objeto ponteagudo, como nota-se nos espetos, agulhas, estacas etc.
Comparemos agora as pernas dos dinos com o lápis. As "mãos" dos saurópodes seriam equivalentes à ponta, que mais finas, conseguem penetrar mais fundo no solo e fazer pegadas mais profundas e os "pés" dos saurópodes são equivalentes à outra ponta do lápis, ou seja, por serem mais largos, distribuem a pressão e fazem pegadas mais rasas. Segundo os especialistas, quando o saurópode caminhou, deixou pegadas de todos os membros, menos da cauda que não tocava o solo.
Imagine o solo como se tivesse várias camadas e abaixo da camada pisada pelo dino, haveria outra camada de solo ainda mole com marcas de ondas, pois teriam sido o leito dum rio ou lago bem raso e assim as ondulações da água criou marcas no solo. Com a depositação de sedimentos a camada ficou coberta completamente e foi nestes novos sedimentos que o herbívoro em questão pisou, deixando as marcas dos pés. Como as "mãos" provocam pegadas mais fundas, faziam com que a camada abaixo daquela, a que teria marcas de ondas, recebesse também a pressão formando uma sub-impressão de pegada, algo como uma pegada mais fraca.
Quando a camada de cima sumiu, desgastou-se pela erosão, o que restou foi a camada de baixo com marcas de pegadas só dos membros da frente e muito fracas, sem marcas dos pés, que por exercerem menos pressão não marcaram a camada de baixo. Além disso, Lockley e Rice afirmam que se o saurópode estivesse mesmo nadando ou boiando, as pegadas estariam quase paralelas, pois o animal em vez de dar passos normais, daria empurrões com os dois pés da frente ao mesmo tempo, deixando as marcas lado a lado e não alternadamente. Outro fato é que a trilha é reta, sempre na mesma direção, sem muitas variações de direção, algo bem regular, então se o animal estivesse boiando, a correnteza ou a força do impulso dado deveria arrastar seu corpo adiante ou para os lados, para trás, fazendo com que as pegadas tivessem um padrão irregular, o que não é observado nas trilhas, tanto na que fica na América do Norte, quanto em uma do Marrocos, onde existem marcas só dos pés da frente, fato este que faz muitos pesquisadores, senão a maioria, descartar a ideia dos saurópodes nadadores.
Além desta concepção aquática, outras foram elaboradas através da história paleontológica, como a teoria de que os saurópodes, por serem grandes e supostamente répteis de sangue frio, seriam desajeitados e viveriam como lagartos, teriam membros espalhados, ou melhor, dispostos na lateral do corpo, mantidos sempre flexionados em cerca de 90º, como os crocodilos atuais fazem. Hoje esta ideia parece absurda, mas sim, já foi muito levada a séria há décadas, por paleontólogos antigos que não dispunham ainda de muitos métodos e equipamentos que pudessem melhorar seu entendimento a respeito da anatomia dos gigantes herbívoros. O ilustrador Vladimir Nikolov gosta de retratar essa transição de modos de ver um animal através dos tempos e fez isto com o Diplodocus, mostrando-o nesta pose reptiliana, como vemos abaixo.
Diplodocus: retratado com pose de um lagarto
© Vladimir Nikolov

Temos logo abaixo as diversas concepções do Diplodocus, também ilustradas por Nikolov, transformações no modo de ver o animal de acordo com mudanças da paleontologia, pois cada melhoria tecnológico/científica permitia recriar um modelo mais fiel do animal. Repare que nas concepções antigas, o animal era geralmente visto com a cauda no solo, como crocodilos e lagartos, o que hoje sabemos ser um engano, pois a cauda permanecia no ar, contra-balanceando o pescoço longo. Temos ali, na segunda imagem, o animal representado em ambiente pantanoso, hipótese que embora possível, seja improvável. Um animal daquele porte evitaria regiões pantanosas, barrentas, evitando atolar-se no lodo, o que poderia prendê-lo e fazer dele uma presa fácil para predadores.
Diplodocus: mudanças de aparência através das décadas
© Vladimir Nikolov
Em suma, saurópodes de porte grande devem ter preferido viver em campinas, campos abertos com árvores espaçadas, pradarias onde encontrariam alimento nas árvores, provavelmente fonte de água e espaço suficiente para mover-se sem problemas. Proteção era desnecessária aos saurópodes adultos, só seu tamanho já inibia os predadores.
É bem improvável que vivessem em locais íngremes, como montanhas ou em locais de mata muito fechada, pois acabariam presos entre a vegetação densa. Podem ter vivido perto da costa também, em praias, embora a comida fosse, talvez, mais escassa naquele ambiente arenoso.
Porque eram tão grandes?
Muitos cientistas tentam descobrir porque saurópodes chegaram a tamanhos gigantescos. Desde o período Triássico os animais deste grupo cresciam bem mais do que animais de outras espécies, especialmente mais do que os predadores. Os cientista Kenneth Carpenter acredita que, seja qual for o fator responsável por esse gigantismo, já existia desde o surgimento destes herbívoros.
Estudos em mamíferos herbívoros que chegam a um tamanho grande, como os Elefantes, indicam que o tamanho enorme em animais herbívoros favorece uma digestão mais eficiente de toda a comida. O sistema digestivo de animais grandes é bem mais longo, o que faz com que a comida permaneça mais tempo em processo de digestão, o que permite aos animais sobreviver com fontes de comida de menor qualidade.
Isso ocorre especialmente em animais com um grande número de "câmaras de fermentação" ao longo do intestino, cujo interior abriga diversos micróbios benéficos, que criam grande fermentação que melhora a digestão.
Observa-se que por toda a história evolucionária dos saurópodes, encontramos estes animais em ambientes semi áridos, ecossistemas secos durante uma temporada e com uma queda de qualidade de comida correspondente durante a estação seca.
O ambiente dos saurópodes gigantes do Jurássico Superior era praticamente uma savana, similar aos ecossistemas áridos em que vivem mamíferos gigantes atuais, suportando a idéia de que uma comida ruim, com baixo valor nutritivo, em ambiente seco ajuda os herbívoros a crescer muito.
Carpenter diz que existem outros benefícios em se ter um tamanho grande, como imunidade a predadores, baixo gasto de energia e grande longevidade.
Alimentação e digestão
Como sabemos, os saurópodes comiam plantas, ou seja, eram herbívoros ou vegetarianos, como preferir denominar esse hábito alimentar. Quando a maioria deles viveu, no Jurássico, ainda não existia nenhum tipo de gramíneas, como grama, capim etc; e nem flores, que só surgiriam no fim do Cretáceo.
Eles tinham que comer folhas de árvores, como coníferos e arbustos pequenos, samambaias entre outros tipos de vegetais disponíveis. Sua dentição era ruim para mastigar, pois eram dentes em forma de cinzel ou espátula, outros em forma de folhas, que não serviam para triturar alimento, mas sim para arrancá-los dos galhos. Não tinham a mesma capacidade de mastigar que os Hadrossauros e Ceratopsianos desenvolveram, então engoliam tudo meio inteiro e isso não ajudava na digestão que era lenta e difícil.
Segundo estudos sobre o sistema digestivo de animais grandes atuais, tais animais tem um sistema digestivo maior e mais longo, característica possível devido ao corpo grande, e que isso permite que comam alimento de baixo valor nutritivo e de difícil digestão. Alguns pesquisadores supõem que isso acontecia com os dinossauros também e que assim era processado seu alimento, de forma lenta e primitiva, mas eficiente.
Outros pesquisadores acreditam que os saurópodes engoliam pedras para ajudar a triturar alimento no estômago, que era revestido por fortes músculos que contraíam-se, chocando uma pedra contra outra, e respectivamente contra a comida ingerida, moendo a mesma e facilitando a assimilação de nutrientes e o processo digestivo completo. Esta hipótese foi baseada em fósseis de dinossauros contendo pilhas de pedras polidas bem na região estomacal, pedras iguais às encontradas no estômago de alguns animais atuais, principalmente em aves e que tem esta função de ajudar na digestão.
Esta teoria já foi extremamente explorada em documentários, como na série "Parque Pré-histórico" (Prehistoric Park) da BBC, cujo tema, ficcional obviamente, são viagens no tempo feitas por Nigel Marven para capturar seres pré-históricos e montar no presente um zoológico com os mesmos. Em um dos episódios, os Titanossauros, saurópodes trazidos ao presente, recusam-se a ficar em paz em seus territórios pré-definidos e um funcionário do "parque pré-histórico" acaba descobrindo que eles sentem falta das pedras para engolir, pedregulhos que os paleontólogos e cientistas em geral chamam de gastrólitos.
Porém alguns cientistas discordam disso, dizem que não era por isso que haviam pedregulhos do estômago dos dinos e que provavelmente estes engoliam os mesmos por engano junto com a comida. Estes cientistas até mesmo fizeram experiências, dando pedras deste tipo, de composições variadas, para avestruzes engolirem, mas em vez de ajudarem na digestão, apenas eram defecadas algum tempo depois ou acabavam dissolvidas.
E geralmente as que eram expelidas, estavam todas corroídas, com a superfície rugosa em vez de ficarem lisinhas e polidas, como as achadas nos fósseis e por isso eles afirmam que não era do instinto do animal usar rochas para ajudar no processamento alimentar.
Alguns acreditam que só bactérias específicas já eram suficientemente capazes de fazer o serviço no sistema digestivo destes répteis grandalhões e isso levou cientistas a tentar reproduzir em laboratório a digestão de um saurópode. Usando certas plantas que acredita-se terem vivido na época dos dinos e que ainda hoje existem, com suco gástrico do rumem de um carneiro e algumas bactérias determinadas entre outros "ingredientes", eles fizeram uma mistura num recipiente de vidro e usando processos de laboratório, misturaram tudo tentando simular as características do corpo do dino e segundo eles, a digestão deu certo, mostrando que folhas de plantas como o Gingko já existente no Jurássico e que ainda hoje pode ser encontrado, eram digeridas até com mais facilidade do que gramíneas, que naquela época ainda nem existiam.

Esta postagem teve a contribuição de Jorge Gonçalves de Macedo.

Fontes