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sábado, 26 de abril de 2008

T-rex era só uma galinha crescida?

Tyrannosaurus Rex
© Scott Hartman
Recentemente paleontólogos americanos realizaram testes e comprovaram uma teoria antiga, as aves descendem dos dinossauros da classe Theropoda. Além disto, conseguiram definir que um dinossauro tem parentesco maior com uma ave bem comum e também a relação entre alguns paquidermes. Veja tudo sobre isto expandindo a postagem.

Neste grupo, Theropoda, estão praticamente todos os dinossauros carnívoros como o Tyrannosaurus rex que foi o "objeto de estudo em questão". Os cientistas retiraram de um fêmur fossilizado a proteína conhecida como colágeno, comum nos ossos, mas rara em fósseis.
Fêmur de T-rex usado nos testes
© Science/Divulgação
De posse desse material coletado do T-rex e de um Mastodonte coletaram também os mesmos materiais de 21 animais atuais, inclusive do homem. Os testes e comparações comprovaram que realmente o Mastodonte (Mammut americanum), uma espécie de elefante extinto é realmente parente do atual Elefante Africano (Loxodonta africana) e mais precisamente de um primo do elefante, também habitante da África, conhecido por Tenrec, que mais parecem ratos do que elefantes.

Já o objetivo principal de eu postar aqui sobre esta notícia é que os testes do colágeno do T.rex é bem próximo do colágeno de duas aves atuais, a avestruz e "pasmem" a galinha! Sim as teorias de que as aves tem parentesco com os dinossauros estão se concretizando em fatos, mas aí surge a questão de quem é mais próximo do T.rex, a galinha ou a avestruz?
Isso ainda ninguém pode afirmar com toda certeza, pois para se detalhar mais esses parentescos seriam necessárias amostras do DNA do dino em questão e por enquanto isso só é possível nas telonas dos cinemas em filmes como Jurassic Park. Essa proteína, o colágeno, dá uma ideia de como seria o DNA do dino, mas somente um esboço, nada muito exato. Mas as análises com o colágeno já permitiu definir que a nossa conhecidíssima galinha é mais próxima do rex na árvore genealógica. Poderíamos até dizer figurativamente que o T.rex é uma galinha crescida ou que as galinhas são minidinossauros.
T.rex e a galinha: você vê semelhanças?
©
Luis Rey
Agora sabemos que o rex é parente mesmo da galinha, mais próximo ainda do que da avestruz, mas o trabalho ainda está iniciando. O fêmur do T.rex somente rendeu 89 aminoácidos, mas nada de DNA, então o "diagnóstico" definitivo deve vir nos próximos anos, com novos estudos.
O trabalho dos pesquisadores de Harvard e da Universidade Estadual da Carolina do Norte foi publicado esta semana na edição da revista Science.

Fonte

domingo, 20 de abril de 2008

Pterossauro à venda: a triste realidade dos fósseis brasileiros

Crânio do Pterossauro em questão
© Paleodirect
Venho por meio desta postagem, infelizmente, dizer ao pessoal que adora dinossauros e outros animais pré-históricos que o nosso patrimônio está virando produto comercial. Este mês a notícia de que num site americano um fóssil de pterossauro brasileiro ainda desconhecido pela ciência está à venda por US$ 700.000 (setecentos mil) dólares foi publicada pela Folha de São Paulo. Para saber mais sobre este ultraje para com o nosso patrimônio fóssil, clique para expandir a postagem.

O fóssil consiste num crânio em excelente estado de conservação, contando inclusive com crista, mandíbula e por incrível que pareça as partes internas do osso, ou seja, tecidos moles de dentro do crânio, de difícil preservação, mas que foram fossilizados, sendo substituídos por minerais de fosfato que mantiveram o material em boas condições.
Crânio: os tecidos moles estão marcados com círculos nº 1 e 2
©
PaleodirectDetalhe dos tecidos: círculo nº 1
©
PaleodirectDetalhe do tecido do interior do bico: círculo nº 2
© Paleodirect

O site Paleodirect está vendendo o fóssil que provém da Formação de Santana, provavelmente do Ceará, onde foram encontrados diversos fósseis de pterossauros no Brasil, e que é um dos maiores sítios fossilíferos de répteis alados do mundo. No site, o dono do fóssil diz que este mesmo item foi comprado de um colecionador alemão, hoje já falecido, que possuía a peça em sua coleção particular. O dono do site crê que 700 mil dólares é um preço barato por uma peça tão rara e conservada, e diz que prefere que o fóssil seja comprado por um museu qualquer, permitindo uma descrição adequada e exposição à comunidade científica. Mas atenção, ele também anuncia que se nenhum museu der os 700 mil pedidos e aumentará o valor e colocará a peça no mercado de colecionadores que compram sem pestanejar peças assim para aumentar suas coleções particulares. Paleontólogos ficaram "babando" ao ver o espécime e alguns dizem que provavelmente nenhum museu tem dinheiro suficiente para comprar a peça.
O site anuncia este tesouro natural como uma raridade, peça única e como uma descoberta que só ocorre uma vez em várias vidas, o que não é de se espantar, pela condição da peça.
Muitos vão perguntar, que se estão vendendo uma peça rara dessas por um preço tão alto porque se preocupar já que não temos grana pra bancar uma maravilha dessas? A questão é que no Brasil, a venda ou qualquer comércio de qualquer tipo de fóssil nacional é proibido por lei. Mas então se é proibido por lei, como podem estar vendendo o fóssil que é de propriedade brasileira por direito? Com certeza, se ele houvesse tentado pegar o fóssil diretamente do Brasil, seria barrado e teria que devolver a peça e pagar multas, mas como ele adquiriu a peça fora daqui, ele diz que ele agora é dono e pronto.
Se a peça saiu do Brasil ilegalmente não podemos pedir repatriação do fóssil? Sim podemos, mas não é bem assim, ir lá e dizer " dá aqui o fóssil porque é nosso" e trazê-lo ao Brasil. O dono que está vendendo diz que o fóssil foi retirado do país antes de 1942, ano em que começou a valer a lei contra a venda de fósseis no Brasil, e foi levado para a Alemanha por estudiosos de lá que vieram ao nosso país numa expedição. Como o rapaz não tem documentos que provem essa data o Brasil quer repatriar o fóssil, mas também não se pode provar que foi contrabandeado depois de 1942, por isso o caso virou um "chove e não molha" que chega a dar dó. Sem provas do contrabando fica difícil repatriar e sem prova da legalidade do fóssil o rapaz não fica em paz. As autoridades brasileiras no ramo da paleontologia estão tentando repatriar o fóssil, mas tudo depende da legalidade/ilegalidade da retirada do fóssil do Brasil e pelo visto vai ser difícil provar algo. Temos mais chances de recuperar o tão raro pterossauro se o estado onde o fóssil está , neste caso a Flórida, tiver leis de repatriação de patrimônio estrangeiro, mas na minha opinião sem querer ser pessimista, esse fóssil não vem para nosso país muito logo não. Paleontólogos brasileiros concordam, o fóssil saiu sim, ilegalmente do país, assim como muitos outros já saíram, tanto dinossauros, quanto crocodilos, pterossauros e peixes, devido à falta de fiscalização pelo governo.
Reconstrução do animal em vida
© Felipe Alves EliasOutra versão do animal vivo
© Folha de São Paulo
Fontes

sábado, 19 de abril de 2008

Álbum Marcante

Capa do álbum
© Blog do ikessauro

Você lembra deste álbum? Não lembra? Não chegou a colecionar as figurinhas ou nem gostava de dinossauros naquela época? Que tal então conhecer a coleção? Se você sentiu-se interessado, acesse o restante da postagem expandindo-a no link abaixo e confira a minha história com a coleção, além de poder baixar o álbum completinho.

Bem pessoal, muitos amantes dos dinossauros começaram seu gosto pelos grandalhões pré-históricos começaram este gosto lendo livros e revistas, outros vendo filmes ou desenhos animados e ainda aqueles que aprenderam o que é um dinossauro brincando com bonecos dos mesmos. Mas ainda acredito que exista mais um fator que induz crianças a gostar destes animais e este fator é o colecionismo. Na infância, é inevitável que colecionemos algo, desde pedrinhas bonitas encontradas pelo caminho à brinquedos caros, claro dependendo do gosto do indivíduo e do seu (dos pais na verdade) poder aquisitivo. O tipo de coleção mais comum na infância, creio eu, é o de figurinhas, sejam de chiclete, de bala, cromos, cards e outros itens do gênero. Aposto que você lembra-se de alguma coleção de figurinhas que fez na infância, assim como eu lembro de ter colecionados os famosos Tazos da Elma Chips de diversos temas, figurinhas de chiclete, figurinhas daqueles álbuns que davam prêmios e ainda as figurinhas/cards do Chocolate Surpresa, que no meu caso foi uma das coleções mais marcantes que fiz na infância, talvez por ser a primeira.
O Chocolates Surpresa, era produzido pela empresa de alimentos Nestlé, vendidos em forma de uma barra simples de chocolate ao leite, delicioso por sinal, com um cartão/figurinha acompanhando o doce dentro da embalagem. Começaram a ser vendidos no Brasil na década de 1980 e o sucesso prosseguiu na década seguinte. As primeiras coleções eram de animais do mundo, da amazônia, do pantanal, seres marinhos, cachorros de raça entre outros. Com a dinomania ressurgindo no início dos anos 90, devido à grande exposição dos dinossauros na mídia, o lançamento do filme Jurassic Park (1993) e diversas outras coleções falando no assunto, a empresa não perdeu tempo, elaborou logo uma coleção sobre estes seres extintos, que incluía diversas espécies.
Eu conheci o chocolate indo ao supermercado que ficava no lado oposto da rua, lembro que eu e meu avô fomos ao mercado, e, fuçando entre os chocolates vi aquela barra, com uma embalagem de papel marrom (isso mesmo, papel e não plástico!) na prateleira, aquele T.rex bonitão na frente, me conquistou instantâneamente, mesmo eu nem sabendo o que era um dinossauro. Gostei, peguei um chocolate e levei, já que meu avô ia comprar um doce pra mim. Chegando em casa eu descobri a figurinha dentro da embalagem, só não lembro qual dinossauro era (dá uma folga hein, eu tinha uns 3 a 4 anos, não vou lembrar de tudo hehehe). Consegui com um amigo uma cópia digitalizada da embalagem, para matar minha saudade daquela época e claro, postar aqui para todos os que conheceram a coleção.
Embalagem do chocolate
©
Blog do ikessauro

A partir daquele dia eu comecei a me familiarizar com os dinossauros e obviamente que enchia a paciência de meus pais para que comprassem o chocolate, insistência que me rendeu praticamente duas coleções de figurinhas completas. Cada card tinha no verso as informações sobre o animal da figura e ainda uma curiosidade, que minha mãe lia para eu ouvir, afinal, eu ainda não havia aprendido a ler. Minha mãe resolveu me agradar e pediu pelo correio o álbum da coleção, enviando 4 embalagens por carta. Quando o álbum chegou, ela me mostrou e eu adorei, embora tenha ficado com medo de colar as figurinhas, pensando que a partir daí não haveria um modo de minha mãe ler o verso pra mim. Só descancei quando me explicaram que o álbum tinha escrito tudo o que estava no verso dos cards, então concordei e montei o álbum.
Infelizmente, meu álbum completinho sumiu... Não lembro se perdi, se roubaram, só sei que sumiu. Me restaram as figurinhas soltas, mas se um álbum some, vários cards soltos desaparecem com mais facilidade ainda não é ?
Com o passar dos anos, meu gosto por dinossauros foi ficando esquecido, embora sempre aflorasse cada vez que via um eheheh, mas o álbum nunca reapareceu. Anos depois, quando voltei a admirar os dinossauros, aprendi a usar a internet e obtive acesso a computadores com conexão, consegui comprar de um vendedor um álbum completo em bom estado de conservação. Imaginem a felicidade que senti ao ver o álbum em minhas mãos, parecia a mesma criança de 4 anos ahhaha.
Mas, falando do álbum e da coleção, posso dizer que é incrível, muito legal, pois reune 30 animais pré-históricos em figurinhas ilustradas com pinturas realistas e bem coloridas, além de que praticamente todos os animais foram retratados anatomicamente corretos, se comparadas às mais recentes reconstruções feitas pela ciência. O álbum contava sobre o surgimento, desenvolvimento e extinção dos dinossauros, dividindo as figurinhas em 3 grupos, de acordo com o período em que o animal viveu dentro da Era Mesozóica, também explicando cada período, Triássico, Jurássico e Cretáceo.
Abaixo você confere cada animal que foi inserido na coleção, em ordem numérica de acordo com o número que leva na coleção e dividos por período:
Triássico
1 - Cinognathus
2 - Staurikosaurus
3 - Shonisaurus
4 - Heterodonthosaurus
Jurássico
5 - Dilophosaurus
6 - Elasmosaurus
7 - Stegosaurus
8 - Apatosaurus
9 - Archaeopteryx
10 - Allosaurus
11- Brachiosaurus
12 - Othnielia
13 - Hypsilophodon
14 - Compsognathus
Cretáceo
15 - Baryonyx
16 - Deinonychus
17 - Oviraptor
18 - Iguanodon
19 - Tyrannosaurus rex
20 - Styracosaurus
21 - Parasaurolophus
22 - Ornithomimus
23 - Pachycephalosaurus
24 - Triceratops
25 - Spinosaurus
26 - Protoceratops
27 - Velociraptor
28 - Maiasaura
29 - Euoplocephalus
30 - Cearadactylus

Dos 30 animais do álbum, 5 não são dinossauros, embora o nome da coleção seja Dinossauros. São estes o Cinognathus, que é um réptil-mamífero, o Shonisaurus e o Elasmosaurus, que são répteis-marinhos, o Archaeopteryx, uma espécie de ave - réptil e o Cearadactylus, um réptil voador. Um detalhe é que alguns dados do álbum estão incorretos, como o Elasmossauro, que está entre os animais do Jurássico, mas que na verdade era do Cretáceo. Não que os dados foram mal interpretados, mas estão meio que ultrapassados, como a história do Oviraptor roubando ovos. Com o passar dos anos, novas descobertas ocorrem e alguns dados são revisados, alterados ou substituídos por interpretações mais conclusivas e com provas mais sólidas.
Voltando ao álbum, poderia descrevê-lo da seguinte forma: pequeno, do tamanho de um caderno destes pequenos, formato brochura (que não é capa dura), cuja capa você pode ver no início da postagem. Na contra capa há o resto da imagem do ninho, com um Triceratops, naturalmente a mãe, observando o filhote a sair do ovo. Durante a leitura, quem nos apresenta os textos e os dados é uma espécie de mascote, um dinossaurinho bem simpático que guia nossa viagem através do álbum. O material usado e qualidade dos textos e imagens é alto, pois foi editado pela Editora Abril, uma das melhores, do país para não dizer a melhor. Os desenhos, segundo o que diz no álbum, foram feitos por Rodrigo Leão e Brasilio T. Matsumoto, acompanhados pelos textos da escritora Elizabeth Loibi. Como dito, o álbum saiu no início dos anos 90, precisamente em 1993 se não me falha a memória.
Ao fim do álbum, na parte do interior da contra-capa, há um mini-pôster com todos os animais do álbum, organizados por período e com seu nome escrito ao lado das ilustrações. Percebendo a importância que este álbum teve na vida de muitos adoradores de dinossauros, resolvi escanear o álbum todo, editá-lo e postar aqui para que todos os interessados possam fazer o download e matar a saudade da coleção.


sexta-feira, 18 de abril de 2008

Carnotauro

© Keiji Terakoshi© Jaime A. Headden
Nome científico: Carnotaurus sastrei.
Significado do Nome: Touro Carnívoro.
Tamanho: 7,5 a 8 metros de comprimento e 3,5 metros de altura aproximadamente.
Peso: Calcula-se entre 1,5 toneladas.
Alimentação: Carnívora.
Período: Cretáceo Superior.
Local: Patagônia/Argentina - América do Sul.

Veja onde foi encontrado o "Touro Carnívoro"!
© Mapa modificado por Patrick Król Padilha!Descubra quando viveu o Carnotaurus!
© Patrick Król Padilha!

Este dino foi descoberto por na província de Chubut na Argentina, na área da Formação Colonia cujas rochas imaginava-se pertencer ao final do Cretáceo Inferior e início do Cretáceo Superior, mas que posteriormente foi comprovada datar do Maastrichtiano, ou seja, cerca de 70 a 65 milhões de anos de idade. Imaginou-se que o Carnotaurus viveu durante as idades Albino e Cenomaniano, entre 112 e 93 milhões de anos, mas hoje o animal é considerado como pertencente ao Maastrichtiano.
Seus fósseis são mantidos no Museu Argentino de Ciências Naturais Bernardino Rivadavia, com a numeração MACN - CH 894, além de uma réplica do esqueleto ter sido confeccionada e montada em um salão da instituição.
O Carnotaurus viveu na Patagônia - Argentina, onde era um dos maiores predadores do Cretáceo. Medindo cerca de 7,5 metros de comprimento era imponente e o que lhe torna distinto de outros carnívoros é o fato de que tem acima dos olhos um par de chifres como os de um touro, o que levou o paleontólogo José Bonaparte a basear seu nome na palavra latina Carne = carne e na palavra grega Tauros = touro, que juntas dão o significado "Touro Carnívoro" ao bicho.
A partir da sua semelhança anatômica com outro terópode sul-americano, o Abelisaurus, o animal foi integrado à família Abelisauridae, porém não havia um grupo específico para ele dentro desta família.
Por isto foi criada uma nova subfamília chamada Carnotaurinae, que posteriormente incluiria além do animal que dá nome ao grupo, o Aucasaurus, também da América do sul e o Majungasaurus encontrado em Madagascar, assim como o Rajasaurus da Índia. De modo geral, a classificação do vertebrado fica assim: Saurischia > Theropoda > Abelisauridae > Carnotaurinae > Carnotaurini > Carnotaurus.

Além dos cornos, outras características marcantes do Carnotauro são seu focinho curto como o de um buldogue e olhos voltados para frente, junto com bracinhos minúsculos, mais ainda que os do Tyrannosaurus rex, deixando sua aparência meio bizarra. Seus braços eram absurdamente pequenos, dotados de 4 dedos sem garras, dos quais só os dois centrais são mais longos, restando um vestigial e outro em forma de espora, todos enrijecidos, incapazes de serem flexionados.

Tudo no Carnotauro garante a ele uma vaga na galeria dos dinos estranhos, incluindo seu pescoço, cuja diferença está no comprimento, pois era mais longo do que o dos outros abelissaurídeos, terminando naquela pequena e curta cabeça, com um crânio profundo e uma mandíbula estreita e rasa, uma combinação um tanto incomum.
Alguns dizem que seu crânio ficou mais curto durante a evolução, outros afirmam que na realidade, o crânio não tornou-se mais curto e sim cresceu na altura, expandindo-se para cima no decorrer da evolução dos ancestrais deste dinossauro e por isso dá a impressão de que seu crânio é tão curto. Na verdade até é curto em relação ao corpo dele, porque é como se um dino menor evoluisse seu crânio em tamanho apenas para cima, e seu corpo também aumentasse, ficando com essa aparência desproporcional. Não posso garantir que uma teoria está mais correta do que outra, o que posso fazer é expor tais suposições e fica a seu critério acreditar na que mais lhe parecer plausível.
Cabeça do Carnotauro
©
Jorge Blanco

Por outro lado o Carnotauro não tinha só aparência diferente, tinha uma importante vantagem para um predador, que é a localização dos olhos na frente do crânio de forma a permitir o uso de visão binocular. Quando os dois olhos conseguem focar um mesmo ponto ao mesmo tempo as imagens dos dois se combinam no cérebro, tornando-se uma única imagem mais nítida, o que permite ótima percepção da profundidade. Geralmente predadores bem adaptados apresentam este tipo de visão para poder calcular com exatidão a distância em que se encontra a presa, sabendo assim o quão longe deve saltar ou morder para pegar a vítima. Nós humanos também temos visão assim, como outros primatas, porém a maioria dos herbívoros atuais possui visão lateral, em que olhos se situam ao lado da cabeça e permitem ver em todas as direções, para evitar um ataque surpresa de predadores que aproximem-se pelas costas. Imagine a cena seguinte: Cretáceo Inferior, Argentina - O Carnotauro dispara correndo atrás de um Chubutiasaurus, saindo de trás de pequenas árvores e começa a preparar o ataque ainda em movimento e tendo a visão binocular, calcula exatamente a distância e "nhoc", era uma vez o infeliz animal, que jaz com o pescoço quebrado entre os dentes do caçador.
E pode ficar certo de que ele corria bem, pois tinha pernas longas e finas, adaptadas para corrida, o que o coloca em vantagem em comparação aos pesados e desajeitados herbívoros que serviam de presas, além de superar outros predadores maiores e/ou mais lentos que ele, pois sendo mais veloz, podia capturar mais presas e caçar por maiores territórios.
Estudos mostraram que os músculos que fechavam as mandíbulas eram importantes para reduzir o estresse ou impacto no crânio durante as mordidas, que era mais fraca, aproximadamente 300 quilos, até menos que a de um leão, porém mais rápida que a de outros terópodes como o Allosaurus, capacitando o animal para dar cabeçadas na presa com o intuito de derrubá-la. Em uma pesquisa cientistas afirmam que a mandíbula do Carnotauro tem adaptações semelhantes às das cobras atuais, com uma espécie de juntas em ossos da mandíbula, o que permitia que o animal engolisse pedaços grandes de carne de uma única vez. Por isso é de se imaginar que o Carnotauro preferia comer animais pequenos, que caçava usando sua boa velocidade, terminado por engolir o bicho inteiro.
Muitos cientistas acham improvável que usasse os chifres em lutas, pois poderia machucar-se seriamente.
Carnotaurus com chifres coloridos seriam mais "atraentes"?
©
Gabriel Lio

Tais defensores desta hipótese afirmam que a função dos adornos era a exibição, talvez apresentando cores vivas, para atrair o sexo oposto ou afugentar rivais, fazendo o animal parecer mais perigoso do que é realmente. Por outro lado algumas propostas indicam que seus chifres serviriam de arma para luta em disputas sociais, sendo usados em combates entre os Carnotauros, segundo eles dando cabeçadas, como fazem os rinocerontes hoje.
Grupo de Carnotaurus em luta de marradas: seria possível?
© Luis Rey

Talvez os Carnotauros fossem animais sociais, que se reuniam e usavam os adornos da cabeça para exibir-se, em rituais de acasalamento, com o indivíduo que melhor se exibisse conseguindo o prêmio, neste caso o direito de acasalar com a fêmea fértil. Caso a exibição não fosse suficiente para terminar com os impasses, iniciariam os machos uma luta de marradas, batendo cabeça com cabeça, com todo o impacto sendo absorvido pelos músculos do pescoço.
Carnotaurus acasalando
© Luis Rey

Mais estranho do que o uso dos chifres em lutas intraespecíficas é a teoria proposa para uso dos mesmos para caça de presas. Segundo uma pesquisa o chifre do Carnotauro é semelhante ao dos bovídeos e em vida deve ter sido recoberto com uma camada queratinosa que aumentava o tamanho de toda a estrutura, permitindo que os chifres adotassem a clássica forma curvada para cima, criando uma forma de "U" na cabeça do animal. Tendo cornos assim o Carnotauro os usaria para ferir as vítimas com os mesmos, o que seria único entre dinossauros carnívoros, uma vez que nunca se provou que um animal caçasse assim. Na verdade esta hipótese no Carnotauro é um pouco especulativa e não existem provas concretas de tal comportamento.
Tudo isso foi descoberto em análises de apenas um esqueleto deste dinossauro, o único descoberto até hoje. Porém o fóssil está em excelente estado de preservação, porque a lama que o envolveu formou um casulo de rocha bem mais dura do que a que foi depositada mais tarde, permitindo a conservação de detalhes, incluindo impressões de pele. É considerado o mais bem preservado terópode de todo o hemisfério sul e um dos mais completos de todo o mundo.
© British Natural History Museum
Este esqueleto estava articulado, ou seja, todo montado como era no animal em vida e isso ajudou muito a entender sua anatomia, assim como as impressões da pele demonstram que ele era um dinossauro escamoso e não emplumado como alguns outros que viveram mais ao fim do Cretáceo.
Sua pele possuía escamas e fileiras de calombos desde a cabeça até à cauda, que eram maiores perto da coluna vertebral e sobre o dorso, por isso sempre é retratado com grandes calombos e chega às vezes a ser considerado um terópode "blindado", embora muitas vezes com exageros.
Carnotauro blindado: imagem legal, mas talvez exagerada
©
Damir G. Martin
Ouvi rumores de que a pele do Carnotaurus era listrada, com listras de cores meio rosa arroxeado, segundo o que paleontólogos deduziram baseados na pele fossilizada. No entanto não encontro fontes definitivas sobre essa afirmação e não posso garantir a veracidade da informação, uma vez que na época de descobrimento do animal não se podia descobrir a cor da pele deste pois não havia método que fosse eficaz neste objetivo. Hoje existe um método que permite verificar cores de penas de animais extintos, mas não sei se seria possível aplicá-lo à impressões de pele. Tal padrão de cor seria útil para camuflagem em meio à floresta e permitiria que o animal atacasse de surpresa um pequeno bicho que aparecesse sem notar que ali havia um predador. Essa teoria justifica a grande quantidade de desenhos retratando este animal com um padrão de cor listrado e em cores semelhantes à citadas.
Será que este animal era listrado como um tigre?
©
Federico Combi

Carnotauro é um dinossauro relativamente novo, sua descoberta data de 23 anos atrás, e durante esse tempo ele apareceu muito na mídia, o que o deixou famoso, além do fato de ser um dos dinossauros mais bem conhecidos do hemisfério sul. No livro O Mundo Perdido de Michael Crichton, ele é retratado como um dinossauro camaleão, ou seja tem a capacidade de mimetizar (imitar) tão bem as cores de um objeto ou ambiente que chegava a ser invisível, quase transparente como retratado no desenho abaixo. Sua capacidade de se camuflar só era afetada pela luz que evidenciava seu contorno e desestabilizava o ambiente, dificultando a copia das cores. Infelizmente para os fãs da franquia Jurassic Park, o bicho não foi retratado em nenhum dos filmes da série.
No filme Dinossauro, da Disney o dito Carnotaurus é retratado muito maior do que realmente é, chegando a mais de 10 metros de comprimento e era muito alto, uma clara tentativa de adequar seu tamanho ao de predadores como o T.rex e Giganotossauro, conhecidos por serem recordistas em tamanho dentre os carnívoros. Ambas as teorias, de tamanho exagerado e poder de camuflagem são falsas, então não acreditem nisso, que não passa de ficção para tornar a história mais atraente.
Carnotaurus Invisível
© Vladimir Nikolov Carnotaurus "invisível
© Alvaro Jelsin

Este dinossauro também apareceu recentemente no anime Dinossauro Rei (Dinosaur King), que esta fazendo muito sucesso entre as crianças e jovens de várias partes do mundo. Em documentários o Carnotauro infelizmente não foi privilegiado, pois não há grandes produção do gênero retratando este animal, somente um documentário intitulado "Gigantes da Patagônia", exibido no Brasil pelo Discovery Channel, que mostrou uma animação do bicho.

Réplicas do esqueleto deste dinossauro estão espalhadas por diversos museus de vários países, incluindo no Brasil. Este dino já existe até em forma de brinquedo, sendo que as melhores réplicas são: Carnotaurus Battat, do Museu de Ciência de Boston, coleção produzida na década de 90 e o Carnotaurus Carnegie, sendo o primeiro fora de produção e o último disponível em duas cores, fabricado. Ainda temos o Carnotaurus da Sega, inspirado no personagem do desenho Dinossauro Rei e o Carnotauro da Toyway, feito para a coleção do Museu Britânico de História Natural e o agora fora de produção, Carnotaurus Schleich.
Carnotaurus Battat
©
Battat?

Recentemente a empresa Sideshow lançou um modelo de maquete retratando o Carnotauro, talvez o melhor modelo produzido em escala até hoje, no entanto é bem caro, custa mais de 200 dólares e tem uma quantia de peças limitada, fazendo parte da coleção Dinosauria. Outros brinquedos que retratam o "Touro Carnívoro" são os bonecos da franquia Jurassic Park e os bonecos que retratam os personagens do fime Dinossauro da Disney.
© Sideshow© Sideshow© Sideshow

Fontes

sábado, 12 de abril de 2008

Quetzalcoatlus

© Keiji Terakoshi
© Big Bend National Park

Nome científico: Quetzalcoatlus northropi e Q. sp.
Significado do Nome: Seu nome deriva do deus asteca Quetzalcoátl, uma serpente alada.
Tamanho: cerca de 11 metros de envergadura e cerca 3 metros de altura pousado em pé.
Peso: 90 quilos.
Alimentação: Carnívora.
Período:
Cretáceo.
Local: Estados Unidos.

Veja onde foi encontrado o Gigante dos Céus!
© Mapa modificado por Patrick Król Padilha Veja quando viveu o maior dos pterossauros!
© Patrick Król Padilha

Você não quer conhecer a história da descoberta deste réptil alado? Vamos lá então, começando pelo primeiro achado, que ocorreu em 1971, quando Douglas A. Lawson ainda era um estudante universitário de geologia e procurava fósseis no Big Bend National Park. Em uma busca na Formação Javelina, datada do Maastrichtiano, ele fez uma interessante descoberta. Ali jazia um osso fino e longo, pertencente à asa de um animal extinto, cujo fóssil ali estava preservado, contendo ainda ossos do antebraço. Lawson acabara de encontrar os primeiros fósseis de um animal desconhecido, segundo seu professor que estava supervisionando o trabalho, seria um réptil alado, formalmente chamado pterossauro. Eles nem imaginavam que este bicho tornaria-se muito famoso pelo seu tamanho, pois na época ainda não podiam calcular seu tamanho pela falta do esqueleto completo.
Lawson encontrou logo depois um segundo local bom para escavar, cerca de 40 quilômetros de distância do primeiro achado, e ali neste novo sítio ele e o Professor Wann Langston Jr. do Texas Memorial Museum desenterraram pelo menos mais 3 esqueletos, incompletos e pertencentes a indivíduos menores entre 1971 e 1974.
Os pequenos exemplares foram estimados em 5,5 metros de envergadura e a partir das proporções destes esqueletos calcularam também a medida do primeiro fóssil, tendo sido na época estimado em mais de 10 metros de envergadura, com medidas variando de 11 a 21 metros. A medida intermediária proposta na época era de 15,5 metros e foi adotada como medida oficial do maior exemplar da espécie. Atualmente temos um melhor conhecimento sobre a família Azhdarchidae, a que pertence este animal, e podemos estimar seu tamanho com mais precisão em torno de 11 metros.
Quetzalcoatlus northropi, Homem e Girafa: ele era bem grandinho
©
Mark Witton

Sabia que um animal recém descoberto no registro fóssil não recebe um nome já de cara? Sim, a nomeação ou batismo é demorada, pois é necessário um estudo detalhado do fóssil para que ele receba uma classificação e um nome e foi isto que aconteceu com este pterossauro, que só recebeu um nome 4 anos após a descoberta, em 1975, num artigo publicado na revista Science. No artigo Lawson apenas publicou a descoberta dos fósseis, do maior e dos outros 3 esqueletos menores de pterossauros semelhantes que ele havia descoberto os últimos 5 anos e só em novo texto enviado à revista algum tempo depois, mas ainda em 1975, é que ele deu nome ao animal.
O maior fóssil, marcado no museu como TMM 41450-3, foi definido como o holótipo para um novo gênero de pterossauro, que Lawson chamou Quetzalcoatlus northropi com o primeiro nome, que é o de gênero, baseado no nome de um deus asteca chamado Quetzalcoatl, cujo corpo teria forma de uma serpente emplumada voadora.
Representação do deus asteca Quetzalcoatlus
© Danny Staten
Já o segundo nome, northropi, que é o da espécie e homenageia John Knudsen Northrop, o fundador da Northrop Corporation, uma empresa especializada em produzir aviões e que estava interessado em um design de avião grande sem cauda, o que é parecido com a forma do pterossauro. O nome foi dado apenas ao animal maior, sendo que os menores ficaram sem nome definido.
Qualquer pessoa, inclusive você, poderia pensar que sendo menores, estes fósseis pertenceram a alguns exemplares que morreram jovens ou bem no início da vida adulta. É normal pensar isto quando se encontra dois animais aparentemente iguais, porém de tamanho diferente. E foi exatamente o que aconteceu, pensaram que tais pterossauros eram exemplares jovens de Q. northropi. A teoria só foi deixada de lado com o achado de restos mais completos, que levam todos a acreditar que se trata de uma espécie diferente, porém ainda existem dúvidas.
Embora os exemplares da espécie menor sejam mais completos, incluindo até 4 crânios fragmentados, foi difícil definir se é a mesma espécie, Q. northropi, ou se trata-se de nova espécie, por isso em 1996, um estudo feito pelo brasileiro Alexander Kellner e Langston nomeou os fósseis apenas provisoriamente, com o nome Quetzalcoatlus sp., apresentando corpo menos robusto.
© Keiji Terakoshi
Posteriormente outros fósseis parecidos foram encontrados, como em 1995, quando um esqueleto parcial de um azhdarchídeo juvenil foi descoberto no Dinosaur Provincial Park, provavelmente um Quetzalcoatlus ou um outro pterossauro da mesma família. A carcaça tinha sido devorada por um pequeno dromaeossaurídeo, Saurornitholestes, e sabe-se disso porque ele quebrou um dente ao morder um dos ossos da asa, ficando ali o dente preso, que posteriormente se fossilizaria junto com o réptil voador.
Descobertas mais recentes em Hell Creek, precisamente em 2002, renderam restos de um azhdarchídeo, que supõe os pesquisadores, tenha pertencido a um Quetzalcoatlus, mas é difícil dizer com certeza, uma vez que se trata de apenas uma vértebra do pescoço.
Outro fóssil, cuja marcação no museu é BMR P2002.2, foi encontrado por acaso, pois paleontólogos escavavam um tiranossaurídeo e envolveram em gesso um grande bloco de rocha com os restos do carnívoro, mas a surpresa veio ao abrir a rocha e encontrar junto com os ossos do terópode um esqueleto parcial de pterossauro. Embora os fósseis tenham ficado juntos, não há indícios de que o dinossauro devorou o bicho alado, dizem os cientistas, apesar de alguns retratarem a cena, como na imagem a seguir.
Tyrannosaurus rex se alimenta de um Quetzalcoatlus
© David Peters
Acredito que ocorreu exatamente o contrário, que o pterossauro desceu para devorar a carniça do tiranossaurídeo e morreu ali por algum motivo, ficando preservado junto com o dinossauro.
Você deve estar imaginando como era exatamente o Quetzalcoatlus e além de lhes mostrar com as imagens, que explicam melhor do que qualquer texto, tentarei descrever o animal com palavras.
Sendo um pterossauro, ou réptil voador, este vertebrado é bem semelhante aos demais conhecidos, mas ao mesmo tempo é diferente. Seu pescoço é mais longo que os de outros pterossauros e o crânio é bem fino e longo, com crista aparentemente pequena. Suas asas eram feitas de uma membrana finíssima de pele que se estendia do corpo e pés traseiros ao 4º dedo da mão, que é muito alongado. Ao contrário das asas de morcegos, em que todos os dedos são ligados pela membrana, as asas de pterossauros tinham todos os outros dedos livres e dotados de garras, talvez para pegar presas ou agarrar-se em penhascos.
Segundo algumas pesquisas, Pterossauros possuíam escamas modificadas em forma de fibras que recobriam as asas e provavelmente partes do corpo. Devem ter evoluído desta forma para ajudar a manter a temperatura corporal do animal, o que induz cientistas a pensar que eram endotérmicos, ou seja, tinham sangue quente.
Há algum tempo o Quetzalcoatlus era retratado com um bico mais largo e de ponta arredondada, mas essas características estavam incorretas, pois de alguma forma, talvez no armazenamento dos fósseis em algum depósito, restos da mandíbula de um pterossauro diferente, possivelmente de um tapejarídeo ou com parentesco próximo, se misturaram aos do gigante voador, e causaram a má interpretação da forma do bico do animal.
Mas os novos fósseis da espécie Q. sp. permitiram observar o crânio em detalhes e ver sua forma real, que é bem pontuda e afiada, além da presença de uma crista na parte de trás da cabeça, embora não tenha sido possível definir a forma e tamanho exatos desta devido ao estado de conservação.
Observe o bico pontudo do bicho
©
Todd Marshall

Seu tamanho chama muito a atenção e por muitos é considerado o maior dos répteis alados, embora outros possam ter sido ainda maiores, como um outro azhdarchídeo chamado Hatzegopteryx. Há ainda outros destes animais que chegavam a tamanho semelhante, como o Ornithocheirus que é quase do mesmo tamanho e o Pteranodon, pouco menor.

Quando se fala de um animal voador espera-se que ele tenha características favoráveis ao voo, como um corpo aerodinâmico, tamanho adequado e peso leve, que são indispensáveis para sair do chão. Os pterossauros compensam o tamanho grande com ossos leves e ocos, como as aves atuais e tem um corpo com design próprio para voar. As estimativas de massa corporal para o Quetzalcoatlus, que é grande, variam bastante porque cada especialista tem seu ponto de vista e calcula a seu modo. Um estudo de 2002 sugeriu que o animal teria entre 90 a 120 quilos, enquanto que novos cálculos elevaram esta estimativa, com alguns propondo um peso de 200 a 250 quilos.
Os debates sobre o tamanho do Q. northropi focam no tamanho máximo que um animal pode ter e ainda assim conseguir voar. Um animal grande demais teria problemas para decolar e pousar e tudo mais e por isso os estudiosos pensam que se existe um limite de tamanho para animais voadores, o Quetzalcoatlus chegou a esta marca.
Pra que você tenha uma ideia de quão grande este réptil foi, imagine um pequeno avião, daqueles de apenas dois lugares e terá o tamanho do pterossauro. Ela tão colossal que alguns duvidam que ele tenha mesmo voado, pelo menos não na maior parte do tempo, como anunciaram num estudo em 2008 os paleontólogos, especialistas em pterossauros, Darren Naish e Mark Paul Witton, no seu artigo sobre hábitos alimentares e ecologia dos azhdarchídeos, o grupo ao qual pertence o pterossauro foco desta postagem. Eu inclusive postei aqui no Blog do Ikessauro sobre esta pesquisa, e sugiro que confira para ter mais detalhes, clicando aqui.

Segundo os dois, a maior parte destes répteis voadores foram encontrados em rochas que estão muito longe de qualquer oceano ou grande depósito de água e que no Cretáceo o local onde viveram também não tinha nenhum mar ou grande lago por perto, o que provaria que não eram animais pescadores. Afirmam também que a anatomia do bico, pescoço e mandíbula são bem diferentes da dos pterossauros pescadores, outro indício de que deveriam comer várias coisas, não somente peixes, pois as fontes de água locais não teriam uma quantidade tão grande deste animais.
Mas estes não foram os primeiros a duvidar desse hábito pescador do Quetzalcoatlus, pois o próprio descobridor do bicho, Lawson, rejeitou a teoria de que este réptil era piscívoro já em 1975. Ele sugeriu que este era um carniceiro, como algumas espécies de aves atuais. Você deve estar pensando o que o levou a imaginar isto, e com certeza vou contar como ele chegou à esta teoria. Ele disse que deviam alimentar-se de restos de Saurópodes como os titanossaurídeos Alamosaurus, pois quando buscava por restos desses dinossauros ele encontrou ossos destes pterossauros gigantes junto com os dos grandes herbívoros.
Em um documentário do Discovery Channel, "Quando os Dinossauros Reinavam na Terra", foi demonstrada a teoria da alimentação com base em carniça, pois há uma cena em que o animal pousa para devorar uma carcaça de Triceratops.
Quetzalcoatlus prepara-se para o banquete
© Discovery Channel

Outro documentário do Discovery Channel, "Dino Planet", sugere no episódio "Das: O Caçador", que os animais desta espécie viviam em montanhas, de onde saltavam planando para alçar voo e seguir voando até o grande mar interior que havia no meio da América do Norte na época para pescar, afinal, com todo aquele tamanho seria fácil percorrer grandes distâncias. Esta teoria no entanto parece bem improvável.
Quetzalcoatlus na Montanha em Dino Planet
© Discovery Channel

Em 1996, Thomas Lehman e Langston rejeitaram a hipótese de que o animal fosse carniceiro, pois perceberam que a mandíbula inferior é curvada para baixo e até mesmo quando o bico era fechado completamente sobrava um espaço de mais de 5 centímetros entre as mandíbulas, o que é bem diferente do observado em aves carniceiras atuais.

Eles sugeriram novamente a teoria de alimentação a base de peixes, porque acreditavam que com suas vértebras cervicais longas e mandíbulas longas e sem dentes, o Quetzalcoatlus alimentava-se como as modernas gaivotas, que voam sobre a água usando o bico para pegar peixes na superfície.
A teoria foi largamente aceita, mas não foi provada cientificamente, até que uma pesquisa publicada em 2007 mostrou que era impossível um comportamento deste tipo para grandes pterossauros porque o gasto de energia necessário para tal objetivo seria muito alto, o que só comprovou o que Lawson pensava e no futuro viria a servir para Naish e Witton como base de sua proposta.

Witton e Naish acreditam que os pterossauros azhdarchídeos usavam as asas na maior parte do tempo como pernas, andando no chão em postura quadrúpede e que se alimentavam de pequenos vertebrados, assim como fazem as cegonhas atuais, complementando a dieta com pequenos peixes capturados em córregos mais modestos.
Quetzalcoatlus pega filhote de dinossauro
© Peter Minister

Outra teoria interessante é a de que os membros destes pterossauros eram proporcionalmente semelhantes aos mamíferos de casco atuais, que são corredores. Isso provaria que o Quetzalcoatlus passava a maior parte do tempo caminhando no chão e voava só em certas ocasiões.

Mas se ele não voava, não era por incapacidade, porque estudos provaram que o Quetzalcoatlus poderia ter se impulsionado e alçado voo sozinho, sem precisar saltar de certa altura, mas uma vez que estava no céu deve ter preferido "ficar de boa", planando tranquilamente na maior parte do tempo, o que gasta menos energia. No entanto alguns discordam e afirmam que não teria força muscular suficiente para correr e impulsionar-se, nem esqueleto e músculos adaptados para um constante bater de asas, que supostamente o manteria no ar.
Ainda alguns afirmam que poderia ficar em penhascos para saltar e iniciar um voo planado ou ainda aguardar que o sol aquecesse o solo até criar correntes de ar quente ascendentes, que seriam usadas para dar o primeiro impulso. Outra teoria é a de que esperando pela brisa certa ele daria apenas um impulso com as pernas e com uma única batida de asas estaria no ar.
Em comparação com pássaros, ele poderia pousar até que suavemente devido ao tamanho das asas que ajudavam a diminuir a velocidade da descida, mas só pousariam no solo, pois sua anatomia, tamanho e pés traseiros fracos não permitiriam um hábito arborícola.

Para testar a capacidade de voo deste vertebrado, um programa patrocinado por Johnson Wax envolveu a construção de um modelo mecânico que voava. Era mais ou menos a metade do tamanho do Q. northropi, aproximadamente o tamanho de Q. sp. e tinha um computador simples funcionando como piloto automático. O experimento funcionou e o modelo voou pelo céu com uma combinação de planagem e bater de asas. O modelo agora está guardado no Museu do ar e espaço, no Smithsonian Institute.

Durante o período Cretáceo, o clima do Texas era similar ao clima de áreas tropicais costeiras, perto de charcos e lagoas, estendendo-se ao longo do mar interno que cortava a América do Norte. Ossos de animais relacionados são também conhecidos do Dinosaur Provincial Park de Alberta - Canadá.
Tendo sido encontrado em camadas levemente mais velhas que a extinção do Cretáceo - Terciário, o Quetzalcoatlus provavelmente foi extinto junto com os dinossauros no Evento K-T, pois o clima estava mudando, o mar interior estava secando e o ambiente não tolera a má adaptação, então este gigantesco azhdarchídeo e outros pterossauros acabaram extintos, se não pela falta de adaptação, pela extinção em massa, supostamente causada por um meteorito gigante.

O marco da "carreira artística" do Quetzalcoatlus foi o filme da IMAX de 1986 chamado "On the Wing" (Na Asa), pois ele é assunto principal nesta produção, que mostrou um modelo mecânico sendo construído e testado com sucesso, conseguindo voar. Também apareceu no episódio 6 da série Caminhando com os Dinossauros. Além destes, aparece nos documentários já citados do Discovery Channel e em Animal Armageddon.
Em Dinotopia o Quetzalcoatlus é usado como um animal de montaria para voo e patrulha, recebendo o nome ficcional Skybax.
Skybax
© James Gurney

Existem até lendas no Texas, de que pterossauros foram vistos na região, vivos e atacando carros e animais. Porém nunca foi provado que qualquer animal pré-histórico, nem o Quetzalcoatlus, esteja vivo atualmente e tais histórias devem ser consideradas apenas mitos, gerados a partir das descobertas de fósseis de grandes répteis alados naquela região

Fontes

sábado, 5 de abril de 2008

Anatotitan

Anatotitan copei
© Eduardo (Karkemish00) Esqueleto de Anatosaurus:não encontrei um especificamente do Anatotitan
© Oyvind M. Padron

Nome científico: Anatotitan copei e Anatotitan longiceps.
Significado do Nome: Pato Gigante ou Grande Pato.
Tamanho: 12 metros de comprimento e 4 metros de altura.
Peso: 4 toneladas.
Alimentação: herbívora.
Período: Cretáceo.
Local: Estados Unidos e Canadá - América do Norte.


Clique no mapa e veja onde acharam o Anatotitan!
© Mapa modificado por Patrick Król PadilhaVeja quando viveu o Anatotitan!
© Patrick Król Padilha
O Anatotitan é um dinossauro bem interessante, mas que poucos conhecem a fundo devido à sua baixa popularidade na mídia em geral. Mas com esta postagem espero que possam compreender melhor a história deste dino, como e onde foi descoberto, porque tem este nome e como era em vida, além de uma ou outra curiosidade que eu descobri a respeito.
Começarei pelo começo, ou seja, pela descoberta do primeiro esqueleto deste bicho tão diferente e ao mesmo tempo belo, gracioso, que foi encontrado e coletado primeiramente em 1882 por dois homens, o Dr. J. L. Wortman junto com R. S. Hill, que estavam trabalhando como coletores de fósseis, pois haviam sido contratados por Edward Drinker Cope.
Naquela época, a "Guerra dos Ossos" estava ocorrendo na América e Cope e seu rival O. C. Marsh começaram a usar seu dinheiro e influência para contratar coletores de fósseis, cuja tarefa era encontrar os ossos, escavar e enviar ao patrão que o descreveria, tudo em segredo para não chamar a atenção dos rivais.
Wortman e Hill encontraram o esqueleto do Anatotitan nas rochas da famosa Formação Hell Creek, no nordeste da região conhecida como Black Hills no estado de Dakota do Sul, nos Estados Unidos.
Um fato interessante é que este espécime preservou-se por mumificação, preservando grande parte da pele do animal em forma de impressões perfeitas na rocha, mas em contra partida, outras partes faltavam no esqueleto, como uma grande porção da pélvis e parte da área do torso, talvez resultado da erosão causada no fóssil pelo curso do rio que ali passava.
© Josep Zacarias

O indivíduo encontrado ainda apresentava o bico córneo e o mais impressionante, com impressões de camadas de queratina que deveria revestir o bico do animal em vida, como ocorre com chifres. Para quem não sabe, queratina é a substância que forma nossas unhas, recobre o osso de chifres e garras nos animais e está presente em outras partes do corpo. Além disso era possível notar que a mandíbula superior e inferior apresentavam marcas que eram onde se prendiam os dentes do bicho.
O primeiro nome que o esqueleto recebeu, dado por E. D. Cope enquanto descrevia-o, foi Diclonius mirabilis, uma mistura de dois nomes já existentes, que eram Trachodon mirabilis, criado por Joseph Leidy com base em dentes de um dinossauro e outro nome era Diclonius, também baseado em dentes de hadrossauro, mas desta ver criado pelo próprio Cope.

Cope pensou que Leidy não interessava-se em manter o nome Trachodon, que havia abandona-o e por isso o usou em seu novo dinossauro. Leidy admitiu que seu Trachodon era baseado em fósseis de mais de um tipo de dinossauro e que isto era errado, portanto ele revisou o gênero, mas não publicou nada formalmente e por isso não poderia afirmar nada sobre o nome Trachodon ou mantê-lo como sendo do seu dinossauro.
Posteriormente o fóssil daquele dinossauro foi comprado pelo Museu Americano de História Natural em 1899 e ganhou a numeração AMNH 5730. Atualmente este espécime é considerado o holótipo de Anatotitan copei. A sigla indica o nome do museu onde está o fóssil (American Museum of Natural History) e o número provavelmente é o número da peça na coleção de fósseis do museu e holótipo é o termo que indica qual exemplar foi usado para criar o gênero a que a espécie é atribuída. Cope pretendia descrever o esqueleto assim como o crânio, mas seu estudo prometido nunca foi publicado.
Reconstrução do Trachodon feita na época © Charles R. Knight

Mas como já sabemos, naquela época houve a "Bone War" (Guerra dos Ossos), um tipo de competição entre os mais famosos coletores de fósseis para ver quem descrevia mais dinossauros. Cope era um dos grandes nomes, e seu maior e principal concorrente, era Othniel Charles Marsh.
Marsh também aparece na história da descoberta do Anatotitan, pois em 1889, na Formação Lance, John Bell Hatcher coletou uma mandíbula inferior do hadrossaurídeo em rochas do Condado de Niobrara, estado do Wyoming - Estados Unidos.
Hatcher que trabalhava para Marsh, entregou-lhe o fóssil que foi descrito como sendo de um animal que ele nomeou de Trachodon longiceps e que hoje é catalogado com o número YPM 626.
Os pesquisadores Lull e Wright observaram que havia semelhanças entre o exemplar de Cope e o de Marsh, pois ambos tinha uma espécie de saliência ou aresta atravessando toda a mandíbula, porém haviam diferenças de tamanho entre os exemplares. O de Marsh era bem maior, medindo cerca de 110 centímetros de comprimento enquanto o de Cope media apenas 92 centímetros.
Mas mesmo com o achado de Marsh, ainda havia pouco material fóssil de Anatotitan para estudo até que um novo fóssil foi achado, desta vez um esqueleto mais completo que foi descoberto em 1904 em Montana, nas rochas de um local chamado Crooked Creek, parte da Formação Hell Creek.
O descobridor foi Oscar Hunter, um fazendeiro local, que junto com um companheiro acabaram topando com ossos parcialmente expostos na rocha e intrigados, começaram a debater se eram restos de um animal recente ou se era mesmo um esqueleto petrificado.
Hunter resolveu testar a consistência do objeto, chutando o topo de uma vértebra e constatou que eram frágeis, quebravam facilmente, um ato que depois chegou ao conhecimento do paleontólogo Barnum Brown e que foi fortemente condenado, lamentado, afinal, não se deve quebrar um fóssil principalmente chutando o mesmo.
Hunter vendeu o fóssil a Alfred Sensiba, outro vaqueiro da região, que por sua vez revendeu o fóssil a Brown, que o escavou e o levou ao Museu Americano de História Natural em 1906, de onde não saiu até hoje, recebendo a marcação AMNH 5886.
A coluna vertebral deste exemplar estava quase completa e baseando-se nesta os cientistas puderam restaurar o Trachodon de Cope, que estava incompleto. Em 1907 foi criada uma exibição dos esqueletos no museu, com os dois exemplares lado a lado, sendo ambos nomeados como Trachodon mirabilis, ganhando muita notabilidade.
O Trachodon de Cope foi montado apoiado em quatro patas, com a cabeça baixa como se estivesse comendo plantas baixas, porque o crânio deste estava bem mais preservado, enquanto o indivíduo descrito por Brown foi posto apenas em duas pernas, com o crânio situado no alto, onde defeitos, como fraturas ou imperfeições não eram notadas facilmente.
O famoso Henry Fairfield Osborn, que nomeou o T.rex, descreveu a montagem como a representação de dois Trachodons comendo em um pântano, com um deles em pose de alerta frente à aproximação de um Tiranossauro rex. Foram adicionadas impressões de plantas e conchas na base onde estavam os esqueletos, baseados em fósseis de plantas como ginkgos, pinhas de sequóia e cavalinhas.
Os esqueletos no Museu Americano de História Natural
© Claire Houck

A classificação de um dinossauro permite que os cientistas tracem uma linha evolutiva do animal, sua árvore genealógica e ainda permite compreender muito sobre a relação do animal com seus parentes. A história taxonômica do Anatotitan não é fácil de compreender ou breve, mas vou tentar esclarecer um pouco a situação. Como podem perceber, diversas vezes escrevi Trachodon na postagem me referindo ao Anatotitan, porque era esse seu primeiro nome.
O problema em definir uma classificação exata para um animal é que muitas vezes diferentes cientistas tem diferentes pontos de vista a respeito de uma característica do animal que pode ser bem importante para definir sua classificação e isso só piora quando os animais são extintos, como dinossauros e seus fósseis não foram bem preservados.
Devido à falta de material fóssil completo de diversas espécies de hadrossauros, John Bell Hatcher realizou um estudo em 1902 agrupando a maioria deles, que tinha muito pouco fóssil conhecido, em um único gênero, para "facilitar" a classificação e o gênero Trachodon, que era o mais bem conhecido, recebeu a adição de diversos espécimes, entre eles Claorhynchus e até um dinossauro chamado Polyonax, que hoje acredita-se ter sido um dino de chifres.
Além destes, foram renomeados para Trachodon os Cionodon, Diclonius, Hadrosaurus, Ornithotarsus, Pteropelyx, Thespesius e ainda uma espécie nomeada por Marsh em 1892 como Claosaurus annectens.
Hatcher considerou que o Claosaurus de Marsh era a mesma espécie que Diclonius mirabilis, proposta por Cope, com pequenas diferenças. Esse acordo de nova classificação durou por algum tempo, até que por volta de 1910 encontrou-se novos fósseis no Canadá e em Montana, mas espécies novas e bem variadas, algo que já se imaginava, e que agora colocava a proposta de unificação do gênero dos hadrossauros em maus lençóis.

Charles W. Gilmore reavaliou a classificação dos hadrossauros em 1915 e recomendou que o Thespesius, naquele período atribuído ao gênero Trachodon de acordo com o estudo de Hatcher, fosse separado do gênero, pois era um hadrossauro das rochas da Formação Lance, e segundo ele o grupo dos hadrossauros deveria agrupar apenas os hadrossauros das formações rochosas mais velhas do Judith River. Além disto Gilmore percebeu que o gênero Trachodon era baseado em material inadequado e a partir daí deixaram de lado a classificação única de todos os dinos bico de pato e a diversidade de espécies que antes existia voltou a ser usada e nomes como Trachodon mirabilis, Trachodon annectens, claosaurus e Thespesius voltavam a ter validade.
Esta verdadeira anarquia taxonômica foi temporariamente resolvida em 1942 por dois cientistas, Richard Swann Lull e Nelda Wright, cuja publicação era uma monografia sobre os hadrossauros da América do Norte, continha uma organização taxonômica dos dinossauros bico de pato do Museu Americano e de outras espécies em um novo nome genérico.
O nome escolhido foi Anatosaurus, que significa "Pato Lagarto" ou "Lagarto Pato" como preferir, e usaram o exemplar de Marsh como espécime holótipo, denominando-o Anatosaurus annectens.

Neste gênero eles colocaram o Trachodon longiceps, o Diclonius mirabilis descrito por Cope e duas outras espécies antes incluídas no gênero Thespesius como um "Hadrossaurídeo da Formação Lance", sendo esta uma proposta de Gilmore. Estas duas espécies acabaram recebendo os nomes Thespesius edmontoni em 1924 nomeado por Gilmore e Thespesius saskatchewanensis em 1926, descrito por Charles M. Sternberg.
Mas Lull e Wright complicaram a coisa ao decidir tirar os espécimes do Museu Americano de dois gêneros, porque não havia nenhuma prova suficientemente convincente para classificar tais animais no gênero Diclonius e nem no gênero Trachodon. Os fósseis ficaram sem um nome oficial, então Lull e Wright os nomearam como espécimes do novo gênero, Anatosaurus copei, sendo que o nome da espécie foi uma homenagem a Cope.
O espécime que originalmente foi descrito por Cope, de número AMNH 5730, foi usado como holótipo da espécie, com o exemplar de Brown, AMNH 5886, sendo o plesiotipo, e assim ficou o gênero, com somente estes dois exemplares conhecidos.
Só na década de 1970 e 1980 é que a confusão taxonômica foi desfeita, com o trabalho de Michael K. Brett - Surman, que eram trabalhos de graduação, cujo objeto de estudo foi o material fóssil dos hadrossauros, que foram reexaminados. O resultado determinou que o holótipo do gênero Anatosaurus, ou seja, o exemplar de Cope, era na realidade um Edmontosaurus e ainda afirmaram que o outro exemplar era suficientemente diferente do Edmontosaurus para merecer um gênero próprio, ou seja, o a espécie Anatosaurus copei continuou existindo.
Como as teses e dissertações de graduação não foram consideradas como publicações oficiais pela Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica, a qual regula a forma de nomeação de organismos, a teorias apresentadas não eram oficialmente válidas, mas eram boas o suficiente para que diversos paleontólogos as adotasse em muitos trabalhos populares na época, o que de fato ocorreu.
Sugeriu-se em 1990 o nome Anatotitan copei para substituir o nome antigo, cuja publicação oficial na literatura científica ocorreu no mesmo ano, em um artigo escrito por Brett-Surman com Ralph Chapman. O nome Anatotitan é uma combinação do termo proveniente do Latim, anas = pato e do grego, Titan = grande, além de que o nome da espécie, como já mencionado, é uma homenagem a Edward Drinker Cope, usando seu sobrenome acrescido de I no final, formando a palavra copei, algo que significa "de Cope", o que no final, resulta no significado "Pato Grande de Cope".
Neste início da década de 90 já haviam desenterrado mais 3 exemplares de A. copei, sendo ao todo 5 exemplares, sendo que atualmente pelo menos 6 indivíduos são conhecidos.
Mas atualmente ainda continuam as discussões a respeito do Anatotitan, pois alguns paleontólogos, nomeadamente Jack Horner, David B. Weishapel e Catherine Forster, acreditam que todos os espécimes de A. copei são na verdade indivíduos de Edmontosaurus annectens, cujo crânio foi levemente quebrado e por isso é mais achatado e um pouco diferente.
Veja o estranho crânio do Anatotitan
©
Tuomas Koivurinne

Ainda há uma possível segunda espécie de Anatotitan, denominada A. longiceps, que foi adicionada ao gênero em 1991 pela primeira vez, por George Olshevsky.
Essa adição foi aceita pelo pesquisador Donald F. Glut (1997), mas novamente Horner e Weishampel vem contrariando os outros paleontólogos, dizendo que o A. longiceps é um sinônimo de A. copei e de acordo com eles, se A. copei é sinônimo de Edmontosaurus annectens, então logo A. longiceps é um Edmontosaurus também, como publicaram no seu estudo junto com Forster em 2004.
Enquanto não há um consenso a respeito da afirmação de Horner e seus colegas, o gênero Anatotitan é válido e eu como diversos amantes dos dinossauros vamos continuar vendo o Anatotitan como um dinossauro diferente de Edmontossauro.
A classificação atual deste dino, está da seguinte maneira de acordo com o site DinoData: Ornithischia > Ornithopoda > Hadrosauridae > Hadrosaurinae > Edmontosaurini > Anatotitan

Os restos do Anatotitan foram achados somente em rochas do final do Maastrichtiano, no estado de Dakota do Sul, onde fica a Formação Lance e na Formação Hell Creek também. Além deste local, a parte da Formação Hell Creek do estado de Montana também forneceu alguns fósseis do Anatotitan, porém em nenhum destes sítios foi encontrado um "cemitério" de Anatotitans, como ocorreu com o ceratopsiano Paquirrinossauro no Canadá ou com o prossaurópode Plateosaurus na Alemanha.
A partir dos seus restos foi possível determinar sua aparência que não varia muito da dos outros dinossauros bico de pato, pois o corpo é bem semelhante, mas não possuía cristas como a maioria dos animais do grupo, pois a sua era muito singela, pequena. Seu crânio era bem diferente, bem achatado e mais largo, com o característico bico na boca, revestido de queratina, como indicam os registros fósseis.
O parente mais próximo do Anatotitan é o Edmontossauro, e são muito similares, tanto que alguns acreditam que sejam o mesmo animal, como já dito antes nesta postagem.
Em questão de tamanho, a estimativa dada por E. D. Cope foi de 12 metros de comprimento, com um crânio de 1,18 metros, mas revisões posteriores baixaram a medida para 8,8 metros de comprimento, porém o esqueleto usado na medida estava incompleto, faltavam ossos do quadril, da vértebra e da cauda .
Um esqueleto atualmente exibido próximo ao holótipo é estimado em 9,1 metros de comprimento, com a cabeça situada a 5,2 metros acima do solo em pose bípede e a altura nos quadris é de 2,1 metros.
De acordo com o site DinoData, a estimativa atual é de 12 metros de comprimento, como afirmou Cope no início dos estudos sobre este animal e sua massa corporal deve ter sido de aproximadamente 3,3 toneladas. O crânio do Anatotitan é conhecido por seu longo e largo focinho em forma de bico. Já em seus estudos, Cope comparou isso com a vista lateral, de perfil do crânio de um ganso, e com a vista superior do crânio de um pássaro de bico curto, constatando que o crânio era mais longo e chato proporcionalmente que em qualquer outro hadrossaurídeo conhecido. A parte sem dentes da mandíbula anterior era relativamente mais longa que em outros dinossauros do mesmo grupo e havia ossos rodeando as fenestras, que estranhamente formavam depressões, orifícios em torno das aberturas cranianas.
Segundo algumas fontes, o termo "dinossauro bico de pato" surgiu com o Anatotitan na época de seu descobrimento e não é exagero, pois ele tem mesmo um bico estranho, como você pode notar na foto de uma réplica logo abaixo.
Réplica do crânio do Anatotitan
© American Museum of Natural History/Recast.com
Os ossos que suportam os olhos eram retangulares e mais longos do que altos, entretanto tais características devem ter sido aumentadas pelo esmagamento pós-mortem (depois que o bicho morreu). O osso chamado quadrado e que forma a articulação da mandíbula era bem curvado, além de que tinha a mandíbula longa e fina, sem curvatura para baixo como podemos perceber em outros hadrossauros. Outra peculiaridade do crânio é um tipo de aresta proeminente que cruza toda a mandíbula, o que provavelmente reforçava a estrutura aparentemente frágil da mandíbula.
Um osso, conhecido como pré-dentário, era largo e tinha forma de pá. A coluna vertebral do Anatotitan tinha mais de 60 vértebras, sendo 12 vértebras cervicais (do pescoço), 12 dorsais (do corpo/tronco), 9 vértebras sacrais (da parte da pélvis e início da cauda) e mais de 30 vértebras caudais.
Os membros possuíam ossos mais longos e leves que os dos hadrossaurídeos de tamanho parecido e a sua pélvis era bem distinta, permitindo a movimentação em duas ou quatro patas.

Era um dinossauro incrível, vegetariano, e provavelmente preferia comer apoiado em suas quatro pernas, mas correr com certeza seria mais fácil em duas pernas, principalmente para fugir dos predadores e como já mencionei, Henry Fairfield Osborn usou os esqueletos no Museum Americano de História Natural para representar as duas poses, bípede e quadrúpede lado a lado.

Falando em comer e fugir, não posso esquecer de mencionar algo importantíssimo sobre qualquer dinossauro, que é o ambiente em que viveu, que tipo de alimento encontrava disponível em tal local e quais os perigos dali.
O paleontólogo Dale Russel descreveu o ecossistema onde viveu o Anatotitan em um trabalho, que na verdade é a descrição do ambiente da Formação de Hell Creek durante aquele período, com foco na área de Fort Peck.
Segundo ele, o local era uma planície alagadiça com um clima subtropical relativamente seco que criava condições de vida para uma grande variedade de plantas, de árvores angiospermas a cedros e ciprestes, de fetos (samambaias) a ginkgos. Por falar em comida, o Anatotitan usava seu largo bico córneo para arrancar as plantas que gostava de comer e as mastigava! Sim, parece estranho dizer isso, mas a maior parte dos dinossauros não podia mastigar nem fazer qualquer tipo de movimento parecido, mas os hadrossauros eram especiais. Para mastigar, precisamos manter a comida na boca, mas em animais como crocodilos, dinossauros carnívoros entre outros, a comida acaba escapando para fora da boca por falta da bochecha, que nós mamíferos temos. Aparentemente ela não tem função, mas é pra isso que ela serve, manter a comida na boca enquanto mastigamos. Mas a mastigação do Anatotitan e de outros hadrossauros não era tão sofisticada como a nossa, mas já era uma evolução em relação aos demais dinos, o que só era possível graças a forma que seus dentes se agrupavam, em baterias com mais de 1000 deles, que juntos trituravam a vegetação quando o animal movia a mandíbula de forma a macerar as plantas, um movimento quase horizontal da mandíbula, que acabava processando as plantas que ele colheu do solo ou de árvores, usando a pose bípede, facilitando a digestão.
Bateria de dentes de um Edmontossauro: a do Anatotitan era praticamente igual © Vince Williams / Universidade de Leicester

Outros dinossauros também viveram por ali, entre estes o Thescelosaurus, um herbívoro hypsilofodontídeo, os ceratopsianos e Triceratops e Torosaurus, além do Edmontosaurus que é similar ao Anatotitan. Mas não acaba por aí, pois ali ainda viveram o Ankylosaurus, o Pachycephalosaurus e o Stygimoloch, enquanto os terópodes eram representados por Ornithomimus, Troodon e Tyrannosaurus rex.
O pobre Anatotitan é agarrado pelo Tiranossauro rex
©
Daisuke Komatsu

O paleoilustrador Luis Rey pintou uma cena interessante de uma família de T.rex alimentando-se de um cadáver do Anatotitan e um exemplar da espécie sendo perseguido na mesma imagem por dois "rexes" adultos.
Anatotitan: potencial presa do rei?
© Luis ReyAnatotitan sendo atacado por T.rex
© BBC
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Acredito que mencionei anteriormente neste post que as fenestras e aberturas das narinas deste dinossauro tinham extensas depressões em seu redor. Provavelmente abrigavam uma espécie de bolsa inflável de tecido mole que talvez servisse para produzir sons, provavelmente usados para chamar ou alertar parceiros de bando ou somente para uso de exibição visual, neste caso sendo talvez uma espécie de bolsa inflada com ar que deveria ser colorida para atrair parceiros na época de acasalamento.
Anatotitan se comunicando em Caminhando com os dinossauros
© BBC
Quanto à reprodução deste dino, pouco ou nada se disse a respeito, mas é provável que fosse bem similar à dos outros hadrossauros, com machos tentando impressionar as fêmeas com sons ou adornos coloridos, dentre estes as cristas, que talvez tivessem ambas as funções. Provavelmente faziam ninhos e botavam ovos, mas não sabemos com certeza, porque nenhum material fóssil de ovos ou ninhos do Anatotitan foram descobertos.
Mas algo sabemos com certeza, que é a aparência, ou melhor, a textura da pele deste dinossauro, pois um de seus fósseis estava mumificado e preservou extensas áreas com impressões da pele, que era bem característica de um réptil, com escamas arredondadas, não sobrepostas, mas separadas por um área de pele mais fina entre cada uma. O tamanho das escamas variava de acordo com a localização dela no corpo, sendo áreas no dorso que tinham mais exposição ao sol e que eram mais afetadas por contato com o solo recobertas com escamas mais grossas e grandes, enquanto áreas como dobras, parte da barriga ou do lado interno da perna tinham escamas mais finas.
O Anatotitan era um animal terrestre, mas por muito tempo pensavam o contrário disto imaginando-o como um ser aquático ou anfíbio. Anfíbio não no sentido literal da coisa, mas para indicar que passava grande tempo na água e por vezes aventurava-se na terra firme.
A descrição de E. D. Cope no início dos estudos sobre este animal promoveu os hadrossauros como anfíbios, contribuindo para essa imagem tradicional. Cope dizia que os dentes da mandíbula inferior eram conectados de forma muito fraca e poderiam, segundo ele, quebrar se usados para comer comida dura como as plantas terrestres, além de que o bico, segundo Cope, seria fraco também, servindo apenas para comer apenas plantas moles, aquáticas.
Infelizmente para Cope, ele descreveu diversos ossos do crânio incorretamente, além de que as mandíbulas inferiores estavam incompletas, faltavam as paredes internas que seguravam os dentes, o que provaria que estes eram bem presos se o crânio estivesse inteiro, ou seja, a teoria dele estava errada, o que é possível verificar com muita precisão hoje com conhecimento mais aprofundado sobre o grande réptil, além de que os paleontólogos possuem técnicas modernas de análise.
Este dinossauro provavelmente andava em bandos com diversos indivíduos, pelo menos é o que dizem os paleontólogos, se baseando em comportamento de outros animais, vivos e extintos. Talvez pudessem cuidar um do outro se vivessem juntos e a busca por comida e parceiros para acasalar ficaria mais fácil.
Anatotitans de When dinosaurs Roamed America
© Discovery channel

O Anatotitan não é tão popular entre os leigos em matéria de paleontologia, pois raramente é usado em filmes ou brinquedos. Mas apareceu até que ocasionalmente na mídia, incluindo documentários como "Quando os dinossauros reinavam na Terra" (When Dinosaurs roamed America) do Discovery Channel. Também foi mostrado em Caminhando com os Dinossauros, no episódio final da série, intitulado "A morte de uma dinastia", no qual é representado como o último dos dinos bico de pato e como uma presa do Tiranossauro.
Anatotitan, documentário Walking With Dinosaurs
Episódio 6, A morte de uma dinastia
© BBC Anatotitan no habitat natural
© BBC Anatotitan de Quando os Dinossauros reinavam na Terra
© BBC
Em forma de brinquedo, acredito que apenas uma empresa realizou um boneco do Anatotitan, que é a empresa Safari Ltd., que criou uma miniatura do animal como parte da coleção Sue Field Museum, que é baseada na descoberta do maior esqueleto de Tiranossauro, apelidado de Sue e que hoje está no Field Museum de Chicago. O boneco é bem bonito, com uma cor laranja puxando para o amarelo queimado com listras avermelhadas, bem interessante, mas infelizmente o boneco é pequeno, medindo apenas alguns poucos centímetros.
Boneco do Anatotitan feito pela empresa Safari
© Safari Ltd.

Fontes