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segunda-feira, 2 de junho de 2014

Caminhando com os Dinossauros: O Filme em 3D (2013)


Pois é, há um filme novo de dinossauros pra discutir e só agora consegui arranjar um tempinho pra vê-lo e acredito que é o momento oportuno para comentar sobre ele aqui no Ikessauro. Todos já devem ter visto que em dezembro do ano passado estreou no cinema o filme Caminhando com os Dinossauros 3D, trazendo dinossauros novos e interessantes para a mídia e fazendo a cabeça de milhares de crianças. Isso é ótimo e pretendo comentar aqui o a opinião que formei do filme após vê-lo. Lembrando que eu vi a versão original em inglês, então não comentarei sobre a versão brasileira, que pelo que soube tem até os nomes dos personagens diferentes.

O que foi o maior atrativo para os aficionados em paleontologia que cresceram na década de 90 ou antes é que o filme foi anunciado com um nome familiar, que remete a uma série de documentários de 1998 produzido pela BBC. Os documentários eram excelentes, a dublagem informativa, as cenas realistas e bem produzidas e isso fez o nome da série um título de peso.
Quando o filme em 3D foi anunciados, nós dinófilos mais "grandinhos" imediatamente lembramos da série e esperávamos a partir daí um filme condizente com aquela pegada da franquia, ou seja, algo educativo, inovador, um safári virtual por um mundo pré-histórico intocado, em que poderíamos ver os animais e outros organismos interagindo de forma natural.
Mas não foi, para nossa tristeza, isso que encontramos ao assistir o filme que no Brasil chegou aos cinemas por volta de janeiro desse ano. O filme não tem nada a ver com a série de documentários, apenas utilizou-se de um título rentável e conhecido para atrair atenção na mídia e vender-se melhor.
Mas então se o filme não é um documentário, o que ele é afinal? Bem, é um drama adolescente vivido por um dinossauro que fala. Sim, se simplificarmos o roteiro é isso o que resta no final. Vou falar um pouco aqui do roteiro, então se você não quer ver spoilers pare de ler aqui e pule para o final, na conclusão do artigo.

O filme trata da história de vida de um Pachyrhinosaurus e sua ascensão de fracote azarão a líder do bando todo. O herói da trama é Patchi, o menor Pachyrhinosaurus de uma ninhada que ainda na infância é atacado no ninho e tem a pele que recobre a fenestra do seu "escudo" furada por um Troodon
Ele escapa sem maiores problemas quando seu pai o salva e desde o início do filme fica claro que o pai de Patchi, Bulldust, é o líder do bando e um dos irmãos de Patchi, Scooler, é o mais forte da ninhada e pretende assumir o papel de líder quando adulto, uma vez que seu pai não esteja mais presente.
Patchi é a o melhor exemplo de estereótipo do herói "underdog" (vira-lata) como costumam dizer em inglês, é o menor, mais fraco, desajeitado etc, não consegue nem comer direito quando a mãe traz comida para o ninho porque seus irmãos o empurram e tiram sua oportunidade de comer.
Todo o filme é narrado por Alex, uma ave pré-histórica, Alexornis, amigo de Patchi e seu companheiro inseparável. Seus comentários irônicos e sarcásticos trazem um pouco de humor para a história.
Patchi conhece Juniper, uma fêmea de outro bando e se apaixona por ela (seriously??) a primeira vista, uma vez que ela gosta e se interessa pelo buraco que ele ainda tem no escudo, resultado do ataque no começo do filme. 
O resto do filme foca nas aventuras deles durante a migração de norte a sul e vice-versa em busca de alimento. Uma vez adulto, Patchi tem de mostrar seu valor como bom líder e superar a força bruta do seu irmão para poder adotar o posto de líder do banco e ficar com a fêmea tão desejada. Preciso contar que o filme tem um final feliz? Não, acho que não...
Conclusão
Bom, é fato que Patchi é um personagem criado por meio do coitadismo, ou seja, o espectador simpatiza com seus sofrimentos desde a infância e essa pena o leva a torcer pela vitória do pequeno azarão. O buraco no escudo foi aplicado provavelmente como um marcador visual que facilita a identificação do protagonista num mundo em que ele é igual a todos os coadjuvantes.
O irmão dele, Scooler é um personagem chato desde o começo do filme e escala para um patamar de ditador frio e egocêntrico durante os acontecimentos.Sua personalidade vaidosa e egoísta o leva a extremos para satisfazer seus interesses.
A fêmea Juniper só está lá para servir de inspiração a Patchi, afinal, em momento algum proporciona cenas notáveis, embora no final tenha ajudado a enfrentar alguns Gorgosaurus.
O resto dos dinossauros é resto, estão lá para preencher a tela e ser atrativos visuais. Não falam, interagem somente para morder ou empurrar os personagens centrais, com exceção talvez do pai de Patchi que teve um papel mais significativo embora curto.
O filme me lembra de outros dignos da famosa Sessão da Tarde, onde um pobre coitado tenta escalar a ladeira social em busca da conquista da mocinha e de uma posição alta dentro da sociedade. 
Pode parecer que estou sendo um pouco radical nos meus comentários e talvez realmente esteja pegando pesado, mas não porque não gosto do filme. Até me diverti assistindo, ri em certos momentos, torci pelo protagonista e fiquei feliz com sua vitória no final. O que me deixou insatisfeito para não dizer outra palavra, foi o uso do nome bem estabelecido de uma franquia de documentários em um filme quase sem relação alguma com ela.
Até discuti esse assunto no Facebook com alguns amigos, argumentando que é o uso do nome desse modo é o mesmo que se alguém usasse o nome Jurassic Park em um filme de dinossauros aleatório, sem relação alguma com os livros e filmes da franquia. É apoiar-se nos trabalhos bem sucedidos anteriores sem avaliar se o consumidor ficará ou não satisfeito.
O filme cumpre muito bem sua finalidade, que é entretenimento puro e simples, com um enredo açucarado voltado ao público infanto-juvenil. Imagino que qualquer criança ao ver esse filme no cinema deve ter ficado muitíssimo impressionada e interessada em paleontologia, principalmente se for uma da nova geração que não conhece os "cânones paleontológicos" do cinema e TV, como Jurassic Park e a série original Caminhando com os Dinossauros e respectivos spin-offs.
Não posso deixar de comentar que a qualidade da animação e modelos de computação gráfica utilizados para os dinossauros é impecável, vários deles inclusive tendo sido esculpidos pelo mestre paleoartista David Krentz.
São dinossauros diferentes do que o público está acostumado a ver, embora similares aos mais famosos. Temos Gorgosaurus como vilão principal, Pachyrhinosaurus no papel de mocinhos e vários outros coadjuvantes como Edmontosaurus, Alexornis, Hesperonychus, Troodon, Chirostenotes, pterossauros que parecem Quetzalcoatlus e um anquilossaurídeo que parece Edmontonia. Um mamífero aparece frequentemente, o Alphadon e um dino herbívoro meio que ignorado é o Parksosaurus.

Este aspecto é interessante e deve contribuir para a atualização dos conhecimentos sobre espécies de dinossauros entre os leigos que só estão acostumados com Triceratops e cia. Os animais sendo capazes de falar, embora não movimentem a boca (pelo menos isso!) para enunciar suas palavras como acontecia em Dinossauro (2000) é um fator utilizado para transformar os animais em personagens com quem o espectador consegue se identificar.

Ouvi dizer que uma versão em DVD ou Blu Ray, não tenho certeza, possui a opção de desativar as vozes e deixar só os efeitos sonoros (e ativar uma narração??? Será pedir muito??), porém isso não ajuda muito, pois os dinossauros agem de modo antropomorfizado, comportamentos artificiais para um animal selvagem, o que tira do filme o aspecto educativo mais profundo.
Mas não posso negar que o filme ainda apresenta um pouco de informação, tendo o nome das espécies exibidas quando elas aparecem pela primeira vez, sua dieta e em alguns casos dados de tamanho e hábitos, geralmente narrados por Alex. A mensagem "didática" do filme é muito fraca, entretanto é evidente que muitas crianças da nova geração se inspirarão nesse filme para seguir estudando sobre paleontologia, principalmente devido aos efeitos gráficos espetaculares do filme.
Neste aspecto o filme é uma obra prima, em questão de beleza de cenários, aplicação dos modelos digitais em fundos provavelmente reais filmados em algum canto remoto da Terra. Fiquei maravilhado com as imagens dos dinossauros no frio ártico sob um céu claro com a aurora, tanto que foram algumas destas cenas que decidi ilustrar nesse artigo.
Se você gosta de dinossauros (e tem como não gostar???) e quer passar um tempinho vendo um filme legal, pode assistir sem medo, só não vá direto ao cinema ou saia comprando o filme a torto e a direito achando que vai aprender montes de curiosidades sobre paleontologia, porque esse filme não tem essa intenção de ensinar o público nada mais aprofundado que o nome dos bichos.
Bem essa rápida análise do filme é baseada na minha opinião, mas e você, o que achou do longa? Assistiu? Então comenta aí e diz o que você gostou e o que poderia ser melhorado no filme, compartilhe o artigo e curta a página do Ikessauro no Facebook pra ficar por dentro das novidades. Ah, antes que eu esqueça, inscreva-se no meu canal no YouTube, voltei a produzir vídeos, especificamente de miniaturas e colecionáveis em geral, você que curte colecionar dinos vai adorar. Abraço e até a próxima!

2 comentários :

Henrique Zimmermann Tomassi disse...

Boa crítica, Patrick! Estou tentando assistir, mas sempre está alugado na minha locadora...

Lucas Santos Carvalho disse...

ASSISTI DUBLADO, E REALMENTE OS NOMES MUDARAM:
Patchi - Bet
Scooler - nome esquisito do qual não me recordo
Juniper - Joonie (eu acho)
O filme é bem legal mesmo!
Os Gorgossauros azuis são muito doidões... kk
parabéns pelo blog.